Pular para o conteúdo principal

Pelo simples fato de valer a pena guardar.


Sabe o que é? Eu desisti de tentar te esquecer. De querer te transformar em nada, como se você nunca tivesse existido e feito parte da minha vida. A gente tem cada ideia, né? Besteira. Se quer saber de uma coisa, isso é impossível. Como eu sei também que será impossível você me esquecer, mesmo quando é isso que você mais quer também.

Eu vou escutar uma de nossas músicas preferidas e lembrar de você. Como ainda lembro do quanto você ama mate e poderia comer queijo toda hora. O lugar do nosso primeiro beijo, confesso, ainda me deixa arrepiada sempre que estou lá. Também tenho memórias de nossas viagens, das nossas manias, inclusive, da sua de me deixar falando sozinha em nossas brigas. Não me esqueço da decepção que você foi para mim e das noites em claro que passei chorando por sua causa.

Porque o que acontece é que a vida realmente segue, o mundo gira, o tal do “tudo passa” é verdade. Nunca mais chorei e nem tenho vontade de reviver. Mas a gente não esquece de quem um dia já amamos. E será nas pequenas coisas, vez ou outra, que você vai permanecer aqui e eu aí. Não adianta brigar, não adianta você fingir que eu fui só mais uma e nem eu posso jurar que você não foi importante. Você foi, eu também. Nossa história foi.

E quando eu finalmente aceitei todas as consequências de ter vivido verdadeiramente um grande amor, eu percebi que lembrar de você deixou de incomodar, não é mais uma tortura toda vez que você volta à tona de um jeito ou de outro. Percebi que não esquecer não é um problema, pelo contrário, esquecer de quem já fez a gente sorrir é que é completamente incoerente. Daí eu levantei a bandeira branca no meio da guerra que eu tinha travado com o meu coração.

Ele - o meu e o de todo mundo - é grande demais, embora não pareça. Tem espaço para tudo que a gente quiser colocar lá dentro (e até o que não queremos). Cada coisa no seu canto e na sua proporção. E uma história de amor merece ter o seu espaço reservado, mesmo que naquela caixinha que a gente nunca mexe - só pelo simples fato de valer a pena guardar.

Comentários

  1. Antes eu tinha um blog e visitava muitos blogs. Depois algo aconteceu e eu fiquei triste demais, acabei com o meu amado blog que me permitia escrever. Enfim. Só quero dizer que adoro seu jeito de escrever, estava procurando umas coisas que eu lia antes e gostava, e você continua escrevendo tão cativante quanto me lembro.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Espero que um dia volte a blogosfera e, principalmente, a escrever.
      Seu comentário deixou o meu dia mais feliz. Obrigada!

      Excluir
  2. Estou aqui maravilhada. Sério. Gostei mesmo. Adoro seu jeito com a escrita!
    http://escrituras-da-alma.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. que texto mais lindo. Me emocionou. Eu as vezes acredito que sou a única pessoa que acredita que guardar sentimentos assim é bom. Deixo ali, na caixinha escrito "Nunca abrir", mas deixo guardado. Não posso apagar partes de meu passado. Esse seu texto fez eu me sentir mais leve. Parabéns e obrigada.
    Beijos

    Vidas em Preto e Branco 

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Viu? Não está sozinha nesse pensamento! Acredito que tudo que vivemos é importante guardar em um cantinho do nosso coração.
      Obrigada pelo comentário e que bom que te trouxe leveza!! :)

      Excluir
  4. Apaixonada pelo texto! Tudo que deveria ter escrito essa semana! Muito show!

    ResponderExcluir
  5. Antigamente eu também achava que era melhor não lembrar, mas com o tempo parei de tentar e comecei a aproveitar o aprendizado que vem com esses momentos e sentimentos que guardamos.
    Ótimo texto como sempre Carol, você merece todo o sucesso pra encantar muitas pessoas com as suas palavras! :)

    Beijos,
    http://almostthemoon.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente! E sabe o que é? Não adianta tentar fingir que não existe, fingir que não viveu! E caramba, muito obrigada!! Comentários assim me incentivam tanto, não imagina o quanto! :)

      Excluir
  6. Uma boa reflexão, Carol! Já perdi as contas de quantas vezes tentei esquecer coisas que são inesquecíveis.
    Um velho clichê diz que "as coisas ruins da vida devem nos servir de lição", mas é muito mais fácil tentar esquecer do que tentar aprender com elas, não é? Enfim, gostei do texto, vou tentar enxergar as coisas de um jeito diferente agora. =]

    Beijo, com Deus!
    http://tudo-oquesou.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente! A gente tenta, finge que não está mais ali, mas sabemos que está!
      Acho que ela se torna até menor quando encaramos de frente.
      Que bom que consegui plantar uma sementinha aí... =)

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Você sabe o que você quer?

Depois de muito tempo sendo apenas passageira, vivendo totalmente sem rumo e sem um lugar para voltar, eu preciso de algumas certezas. Coisa boba, do tipo, o que você quer no momento? Digo, comigo. Com a vida. Com o amor. Está tudo envolvido, espero que saiba. Tudo ligado, mas também facilmente desligado, se for necessário . É que o seu jeito é uma junção de tudo que eu adoro, mas o meu jeito extrovertido é o que mais chama atenção em mim. O seu sorriso é lindo, mas o meu vive sendo elogiado também. Os seus olhos são claros e vivos, mas o meu são brilhosos e me revelam muito facilmente. Gosto do seu estilo e também do meu. A questão é que, todas essas coisas são superficiais ao mesmo tempo em que denunciam logo quando tem algo errado com a gente, já percebeu? Não quero sofrer novamente. Não quero me fechar, não quero perder o meu sorriso, não quero que as lágrimas inundem o meu rosto e principalmente, não quero passar a voltar a usar moletom. E engordar, me afundar, embara

Não estou indo para a forca!

Hoje o dia acordou cinzento e ensopado. Isso é diretamente responsável por 30% do meu mau humor matinal, tem coisa mais desanimadora do que acordar cedo no frio e com chuva? Liguei o chuveiro na temperatura pelando e sem pensar em horário, tomei um banho longo com o intuito de relaxar. Fiz um coração (e ainda escrevi a letra P) no espelho embaçado por causa do calor e após me arrumar, desci para tomar o meu café da manhã. Mamãe me deu um bom dia animado – mais que o normal. Papai apenas olhou para mim e sorriu de lado. E a minha irmã a essa hora ainda nem tinha levantado. Na televisão falava sobre exercícios importantes para o cérebro se manter ativo. Descobri que o meu deve estar para lá de sarado, porque a dica número um é ler . Enquanto o meu pão esquentava, eu arrumava a minha mochila para o longo e novo dia que estava por vir. Peguei o meu fone, “A Última Carta de Amor”, livro que estou lendo no momento e a minha carteira. Basicamente é disso que eu preciso. O celular já estava

2013

2013 . Quem se atreve a dizer que foi o melhor ou pior ano da sua vida? Se você consegue, sorte a sua! Para mim, confesso, ainda não consegui nem me decidir se foi um ano bom ou um ano ruim. Foi um dos anos que mais aconteceram coisas, muitas surpresas, decepções, novidades, recomeços...  Percebi que foram 365 dias bem divididos entre dias maravilhosos e dias tristes. E em cada área da minha vida tudo foi acontecendo de uma forma diferente da que eu esperava. Eu achei que em certo ramo estava estável e muito bem resolvida, mas exatamente nessa a vida me deu uma rasteira braba. Onde eu desejava tanto que algo acontecesse, não vi mudanças. Batalhei por objetivos que não foram alcançados, mas fui recompensada com surpresas incríveis.  E hoje eu posso ver que sobrou um imenso aprendizado. Aprendizado da vida, de mim mesma, das pessoas. Foi o ano em que mais fui exigida! Emocionalmente, com certeza. Mas também nas minhas responsabilidades, nas minhas relações, na minha mente