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Foi tudo, menos amor. Amor-próprio.


Sinceramente eu assumo: eu errei. Assumo porque hoje não importa mais qual de nós dois foi o que mais errou. Tenho a minha culpa e eu quero me livrar dela o quanto antes, sendo assim, eu grito, me exponho e me humilho. Eu errei. E entre as minhas falhas, sabe qual foi a maior? A ingenuidade. Fui boba, logo eu que já vivi tanto, com você eu me esqueci de tudo que já tinha aprendido.

Zero vezes zero dá zero, todo mundo sabe. Qualquer número vezes zero também dá zero. Logo, a sua zero vontade de fazer dar certo vezes a minha infinita teimosia em relação a você continua dando zero. O seu vazio somado aos meus medos não podiam dar em um saldo positivo, era óbvio. Mas eu insisti, não quis enxergar o que estava tão claro: éramos uma matemática difícil - números complexos, pessoas com saldos negativos. E eu que nunca fui boa nessa matéria, decidi me aventurar na mais louca equação que eu já tinha visto – muito pior do que as das provas do meu ensino médio. 

E esse é um texto sobre conhecer a nós mesmos, sabe? É sobre reconhecer nossos próprios limites, saber o nosso ponto fraco e aquilo que mais precisamos no momento. Eu precisava ser cuidada e você não estava disposto a se sacrificar. Eu precisava de alguém que pegasse na minha mão e me levasse porta a fora, mas você preferiu se acomodar no meu mundo e não me salvar. 

Só que o amor é tentador, e sabe como se tornar irrecusável... A gente se sente invencível, esquece que a realidade é um pouquinho mais dura que o mundo dos sonhos. Esquece que o amor é um conjunto de muitos e muitos pontos, não apenas borboletas no estômago, meia dúzia de risadas e pronto. Mas mesmo eu sabendo que tinha tudo para dar errado, decidi insistir um pouco mais. Só que deixar de lado quem nós somos é deixar de lado também a nossa felicidade.

Por isso, voltando ao ponto de reconhecer, sei que se eu tivesse aceitado toda essa nossa incompatibilidade desde o início, talvez não tivesse doído tanto quanto doeu. Talvez teria sido só mais uma história engraçada, mais um desencontro de tantos que já vivi e ainda vou viver. Mas não. Doeu muito porque eu fui teimosa, porque eu quis bater de frente com a realidade, quis fechar os olhos diante do que estava óbvio. E mesmo eu querendo muito que desse certo, fazendo até por dois, ainda assim, não dava para querer e fazer por você. 

Mas se eu me arrependo? De jeito nenhum. Aprendi na marra coisas valiosas. Hoje eu sei que foi capricho, foi idealização, foi masoquismo, foi burrice, foi tudo, menos amor. Amor-próprio. Mas agora eu o recuperei, agora eu sei que não posso mais renunciar às minhas prioridades por ninguém. Sei que entrar num relacionamento desigual é abrir mão de mim mesma e quando isso acontece, é claro que não vai valer a pena. 

Comentários

  1. "Esquece que o amor é um conjunto de muitas e muitas pontos, não apenas borboletas no estômago, meia dúzia de risadas e pronto."

    Sinceramente, eu acho que essa é a melhor e a pior parte do amor - a forma com que ficamos cegos à realidade. É bom, porque tudo fica aparentemente perfeito, tudo nos basta para sorrir - a vida corre mais leve, corre mais sem necessidade de explicações ou motivações concretas para a felicidade. Simplesmente corre.
    Por outro lado, também nos ilude - nos faz crer que pouco nos basta, quando na verdade não. Quando na verdade, esse pouco está no sugando porque temos muito e ele não... E nos tira tudo - a paz, o sorriso, o equilíbrio emocional. E o amor próprio.
    Mas acredito que o melhor amor, aquele que nós fará bem de verdade, terá muito do primeiro e pouco do segundo.

    Beijos,
    Degradê Invisível

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    1. Sem dúvidas. A questão é exatamente essa, é preciso os dois pontos. Só um deles não é suficiente para um relacionamento ser construído.

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  2. O amor é uma coisa complicada, e a gente sabe quando se envolve muito, corre o risco de nos deixar de lado. Esquecer de nós mesmos, colocar outra pessoa no lugar. E dai a gente parece que fica cego mesmo, que não enxerga mais nada, que esquece do resto do mundo. Por isso que eu acho que amar é uma coisa complicada. Ultimamente, venho tentando fugir de relacionamentos pra não cair nisso novamente. A gente não pode deixar nossa felicidade nas mãos de outra pessoa; é perigoso demais!
    Adorei o texto. Muito bom e honesto.

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  3. Ótima reflexão, Carol!
    Sempre que conheço alguém, vou logo pensando nas incompatibilidades. Acredito que sem amor-próprio e sem autoconhecimento não é possível se relacionar com ninguém. Reconheço minhas falhas, minhas qualidades e aquilo que preciso. Quando em bom juízo, vou comparando essas minhas características com as dos outros, pra ver se elas "se casam".
    Muita gente já me falou que não é possível conhecer as características de alguém sem, sei lá, namorar a pessoa. Já me chamaram de doida por ver as coisas assim. Mas, de verdade, acredito que sem paixão podemos enxergar muito longe. O problema é que, como você falou, às vezes a gente ignora o raciocínio por capricho e acaba se dando mal.

    Beijo, fique com Deus!
    http://tudo-oquesou.blogspot.com.br/

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    1. É muito complicado né? Sabemos a melhor forma de agir, mas na hora... Parece que dá branco!

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