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Respeita a minha vontade de te esquecer.


A minha memória nunca foi muito boa, confesso. A minha irmã sempre brinca dizendo que o meu passado é um borrão, porque eu tenho sérios problemas para lembrar das coisas, desde as mais bobas até mais relevantes e especiais. Eu não lembro o que comi ontem tanto quanto não lembro qual foi o dia em que dei o meu primeiro beijo - e olha que foi com o meu primeiro amor. 

Mas eu me lembro exatamente do dia em que a gente se conheceu. Lembro, como se tivesse acontecido há alguns minutos, da primeira vez que você disse que me amava e eu fiquei reação. Lembro da nossa primeira briga, da primeira vez que você chorou por minha causa e da última vez que senti o gosto do seu beijo. E eu que nunca tive problema em sofrer por causa de lembranças, estou tendo que aprender a conviver com seus vestígios por aqui.

Mas eu nunca te culpei por ter ido embora, você sabe. Também nunca implorei para que você ficasse, nem joguei seus erros na sua cara. Aprendi a aceitar que o amor acaba, que as pessoas mudam, que nem tudo é como eu quero que seja. Eu chorei, mas quietinha e nem te contei. Mesmo quando doía reviver todos os nossos detalhes, o meu drama foi sem plateia, meu sofrimento partilhei somente com aquele bichinho de pelúcia brega que você me deu no meu aniversário. 

Só que você decidiu dificultar as coisas não me deixando em paz, não seguindo firme com a sua própria decisão. O que você tem na cabeça, afinal? Eu te esperei, você sabe. Eu te aceitei de volta diversas vezes, mas nós dois sabemos que ficar de vez não é o que você quer de verdade. Sou teu porto seguro, mas você não me oferece segurança nenhuma quando aparece aqui na minha porta. Eu me entrego e você só me dá pedaços teus.

A questão é que eu te amei demais, mas eu nunca fui e nunca serei burra. Sei muito bem que conviver com a sua ausência é infinitamente mais fácil do que aceitar você pela metade. Dói, mas a vida segue. E se tem uma coisa que eu aprendi nessa minha vida foi a ter paciência. A página sempre vira. Novas histórias sempre substituem as antigas. Sendo assim, me respeita.

Não vem mais, não fala mais, não me desgaste mais, por favor.

Eu respeitei a sua vontade de ir embora, respeitei o seu jeito imprevisível e a sua decisão inesperada. Por isso, respeita a minha vontade de te esquecer. Respeita a minha vontade de reaprender a ser feliz sem você do meu lado. Respeita o meu novo amor (próprio).

Comentários

  1. Oi, Carol!

    Não, não é miragem (eita brincadeirinha besta kkk): eu realmente estou aqui. Desculpe pela mega ausência. Mas você sabe que te acompanho muito pelo Face! <3 E devo dizer que sinto muito orgulho que seu trabalho tenha crescido, sinto orgulho de todas as minhas amigas escritoras!

    Sobre o texto, o melhor quote é esse: "Sei muito bem que conviver com a sua ausência é infinitamente mais fácil do que aceitar você pela metade". Procede? Procede eternamente! Ninguém merece alguém pela metade, que está ali, mas não está, que não presta atenção na gente, que não faz por merecer. Acho que é por isso que me convenço de que é melhor eu ser sozinha. Evita sofrimento. Se tiver que sofrer, que seja por causa de mim mesma, não por causa dos outros.

    Parabéns, como sempre! <3

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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    Respostas
    1. Oba, você por aqui! Adoro receber seus comentários, afinal, vem de outra escritora né? rs
      Obrigada por sempre me incentivar, não importa se é por aqui ou pela página.

      Sobre o texto, é exatamente isso! Temos que aprender a valorizar mais nós mesmos, pessoa alguma vale o nosso desgaste, o nosso sofrimento!

      Grande beijo! Volte sempre :)

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  2. Ai Carol, você e essa sua facilidade de escrever tudo o que sente!
    Nada pior do que pessoas que insistem em voltar quando já estão "quase" esquecidas. Aparecem só pra fazer bagunça, né?

    Beijo, fique com Deus!
    http://tudo-oquesou.blogspot.com.br/

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  3. "Respeita o meu novo amor (próprio)." Fechou com chave de ouro! ;)
    Bjss

    http://www.estrelaminha.com/

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