Pular para o conteúdo principal

Com o coração já tão despedaçado, o que mais eu tenho a perder?


Eu sei, eu estraguei a nossa noite que você tinha preparado com tanto cuidado. 

Eu sei, eu fui covarde e imatura. 

Eu sei, eu te assustei quando você acordou de madrugada e me pegou chorando na sala.

A verdade é que eu entrei em desespero, ok? Porque eu senti o meu coração se abrindo. Eu acreditei em você, nas suas palavras, na verdade do seu sorriso ao me contar dos seus planos para gente, e caramba, não devia acontecer isso! O combinado era que eu não me entregaria a ninguém, o combinado era me manter distante e protegida. 

Porque eu realmente não sei se estou preparada para encarar as minhas feridas, passar por cima dos meus traumas e me permitir ser feliz sem pensar no que pode ou não acontecer. É que é inevitável, a gente fica meio desacreditado, sabe? Ver a mesma história se repetindo tantas vezes... Por que logo com você seria diferente? Por que eu teria que te dar um voto de confiança?

E, se quer saber, eu encontrei a minha resposta sem precisar responder coisa alguma. A verdade é que não precisamos de motivos, não é? Afinal, todos os outros tinham diversos pontos positivos e deu no que deu. E com você, pela primeira vez, não encontrei nada de concreto e especial que me fizesse acreditar que agora, finalmente, iria dar certo. E, no entanto, eu queria acreditar nisso. Eu queria fazer dar certo.

Você me encontrou sentada no sofá e não disse nada. Nenhuma palavrinha. Não sorriu, não chorou comigo e nem saiu correndo. Você segurou a minha mão e ficou ali quietinho. Você me deixou chorar, me viu desabafar em silêncio, compreendeu tudo sem que eu precisasse me explicar.

Era justo com você que eu fugisse desse jeito? Era justo comigo não seguir o meu coração? Era justo com a gente impedir que uma história iniciasse se era da vontade dos dois? 

Afinal, com o coração já tão despedaçado, o que mais eu tenho a perder?

Levantei-me e sem soltar da sua mão, segui para o quarto. Deitei-me e você entendeu que era para deitar também. Aninhei-me em seu peito e a última coisa que eu me lembro de falar foi:

- O café é por minha conta amanhã. 

Comentários

  1. Oiii! Acabei de conhecer teu blog. Parabens, voce escreve super bem. Beijos
    http://www.verdadeescrita.com/eu-vim-procurar-algo-que-eu-nao-sei-o-que-e/

    ResponderExcluir
  2. NOssa, acredito que é um loucura fazer isso, tipo já estamos no fundo do poço, vamos mais fundo, acho que isso só acaba piorando tudo. Ja passei por casos assim, mandei p correr antes que ficasse pior. =/

    Beijinhos =*
    www.eraoutravez.com

    ResponderExcluir
  3. Eu adorei esse texto.
    Espero que publique mais. Estou de olho desde quando vi um post da Karine Rosa.
    Abraços.
    http://sentimentalismodesmedido.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ai que linda! Ando meio sumidinha daqui mesmo, mas já estou de volta!! :)

      Excluir
  4. Ai, Carol! Seus textos <3
    Que bom que você (ou a sua personagem) encontrou a resposta! A gente às vezes apanha tanto que fica difícil olhar pra cima novamente, até a luz do sol parece clara demais. Mas é a vida, né?
    Cair e ficar de pé pra aprender a ser cada dia mais forte.
    Beijão!
    www.horinhasdedescuido.com

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Você sabe o que você quer?

Depois de muito tempo sendo apenas passageira, vivendo totalmente sem rumo e sem um lugar para voltar, eu preciso de algumas certezas. Coisa boba, do tipo, o que você quer no momento? Digo, comigo. Com a vida. Com o amor. Está tudo envolvido, espero que saiba. Tudo ligado, mas também facilmente desligado, se for necessário . É que o seu jeito é uma junção de tudo que eu adoro, mas o meu jeito extrovertido é o que mais chama atenção em mim. O seu sorriso é lindo, mas o meu vive sendo elogiado também. Os seus olhos são claros e vivos, mas o meu são brilhosos e me revelam muito facilmente. Gosto do seu estilo e também do meu. A questão é que, todas essas coisas são superficiais ao mesmo tempo em que denunciam logo quando tem algo errado com a gente, já percebeu? Não quero sofrer novamente. Não quero me fechar, não quero perder o meu sorriso, não quero que as lágrimas inundem o meu rosto e principalmente, não quero passar a voltar a usar moletom. E engordar, me afundar, embara

Não estou indo para a forca!

Hoje o dia acordou cinzento e ensopado. Isso é diretamente responsável por 30% do meu mau humor matinal, tem coisa mais desanimadora do que acordar cedo no frio e com chuva? Liguei o chuveiro na temperatura pelando e sem pensar em horário, tomei um banho longo com o intuito de relaxar. Fiz um coração (e ainda escrevi a letra P) no espelho embaçado por causa do calor e após me arrumar, desci para tomar o meu café da manhã. Mamãe me deu um bom dia animado – mais que o normal. Papai apenas olhou para mim e sorriu de lado. E a minha irmã a essa hora ainda nem tinha levantado. Na televisão falava sobre exercícios importantes para o cérebro se manter ativo. Descobri que o meu deve estar para lá de sarado, porque a dica número um é ler . Enquanto o meu pão esquentava, eu arrumava a minha mochila para o longo e novo dia que estava por vir. Peguei o meu fone, “A Última Carta de Amor”, livro que estou lendo no momento e a minha carteira. Basicamente é disso que eu preciso. O celular já estava

2013

2013 . Quem se atreve a dizer que foi o melhor ou pior ano da sua vida? Se você consegue, sorte a sua! Para mim, confesso, ainda não consegui nem me decidir se foi um ano bom ou um ano ruim. Foi um dos anos que mais aconteceram coisas, muitas surpresas, decepções, novidades, recomeços...  Percebi que foram 365 dias bem divididos entre dias maravilhosos e dias tristes. E em cada área da minha vida tudo foi acontecendo de uma forma diferente da que eu esperava. Eu achei que em certo ramo estava estável e muito bem resolvida, mas exatamente nessa a vida me deu uma rasteira braba. Onde eu desejava tanto que algo acontecesse, não vi mudanças. Batalhei por objetivos que não foram alcançados, mas fui recompensada com surpresas incríveis.  E hoje eu posso ver que sobrou um imenso aprendizado. Aprendizado da vida, de mim mesma, das pessoas. Foi o ano em que mais fui exigida! Emocionalmente, com certeza. Mas também nas minhas responsabilidades, nas minhas relações, na minha mente