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Eu só sinto saudade.


Eu minto todos os dias para todo mundo, mas não consigo mais mentir para mim mesma. Eu sinto saudades de você e é uma saudade, sinceramente, bastante irritante. Ela vem e volta, brincando comigo. Quando acredito que estou bem, o peito aperta por conta de alguma bobagem que me fez lembrar da gente.

Dia desses, comentaram de você perto de mim. Sem maldade, eu sei. Comentaram que você conseguiu um novo emprego e eu, fingindo maturidade, consegui sorrir amarelo. Não que eu não estivesse realmente feliz por você, eu só fiquei triste de saber isso por outra pessoa. A gente passou por tanta dificuldade junto e, caramba, eu nem posso te dar parabéns por essa conquista.

Ontem mesmo almocei com um amigo do escritório e ele arrumou a comida do jeito que você fazia. Não é patético que eu ainda me lembre do modo como você organizava o seu prato? Ainda teve o dia (vários, confesso) em que passei em frente àquele restaurante que íamos todas as sextas-feiras e que eu nunca mais tive coragem de me sentar lá, por ser covarde demais e não saber como lidaria com a enxurrada de lembranças daquelas paredes.

Mas eu não sinto vontade de te ligar. Não sinto vontade de voltar. Não sinto que depois de tanto tempo poderíamos dar certo. Não sinto nem que podemos ser amigos. Eu só sinto saudade. Mas ela não é boa, ok? Não tem absolutamente nada de bonito, por isso, não irei romantizá-la.

Saudade boa, entendam, é aquela que a gente tem a chance de matar. Saudade boa é aquela que tem prazo de validade. Saudade boa é aquela correspondida, e mais, dividida.

Esse tipo de saudade da qual eu estou falando (e sentindo) é totalmente irracional, desmedida, sufocante. Sinto tudo sozinha, não posso verbalizar e também não conseguiria, porque falta nexo. Só me resta aceitar, feito uma sentença. Afinal, faz tanto tempo, tantos novos encontros e desencontros, e, no entanto, eu continuo aqui. Estupidamente, eu continuo aqui.

E eu nem sei aonde eu quero chegar falando isso tudo, porque, na verdade, eu nunca sei é aonde eu vou chegar quando o assunto é você. Eu nunca sei como vai ser o dia de amanhã. Se eu vou conseguir escutar a minha playlist no aleatório sem medo de tocar alguma canção que eu me lembre de você ou se eu passarei mais uma noite sentindo a cama grande demais. Por via das dúvidas, tenho deixado meu cachorrinho dormir comigo e, ainda bem, minha cantora preferida acabou de lançar um CD. 

Entre sentimentos e fugas, a gente vai vivendo amores e sobrevivendo a desamores. 

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