19 abril 2015

Respeita a minha vontade de te esquecer.


A minha memória nunca foi muito boa, confesso. A minha irmã sempre brinca dizendo que o meu passado é um borrão, porque eu tenho sérios problemas para lembrar das coisas, desde as mais bobas até mais relevantes e especiais. Eu não lembro o que comi ontem tanto quanto não lembro qual foi o dia em que dei o meu primeiro beijo - e olha que foi com o meu primeiro amor. 

Mas eu me lembro exatamente do dia em que a gente se conheceu. Lembro, como se tivesse acontecido há alguns minutos, da primeira vez que você disse que me amava e eu fiquei reação. Lembro da nossa primeira briga, da primeira vez que você chorou por minha causa e da última vez que senti o gosto do seu beijo. E eu que nunca tive problema em sofrer por causa de lembranças, estou tendo que aprender a conviver com seus vestígios por aqui.

Mas eu nunca te culpei por ter ido embora, você sabe. Também nunca implorei para que você ficasse, nem joguei seus erros na sua cara. Aprendi a aceitar que o amor acaba, que as pessoas mudam, que nem tudo é como eu quero que seja. Eu chorei, mas quietinha e nem te contei. Mesmo quando doía reviver todos os nossos detalhes, o meu drama foi sem plateia, meu sofrimento partilhei somente com aquele bichinho de pelúcia brega que você me deu no meu aniversário. 

Só que você decidiu dificultar as coisas não me deixando em paz, não seguindo firme com a sua própria decisão. O que você tem na cabeça, afinal? Eu te esperei, você sabe. Eu te aceitei de volta diversas vezes, mas nós dois sabemos que ficar de vez não é o que você quer de verdade. Sou teu porto seguro, mas você não me oferece segurança nenhuma quando aparece aqui na minha porta. Eu me entrego e você só me dá pedaços teus.

A questão é que eu te amei demais, mas eu nunca fui e nunca serei burra. Sei muito bem que conviver com a sua ausência é infinitamente mais fácil do que aceitar você pela metade. Dói, mas a vida segue. E se tem uma coisa que eu aprendi nessa minha vida foi a ter paciência. A página sempre vira. Novas histórias sempre substituem as antigas. Sendo assim, me respeita.

Não vem mais, não fala mais, não me desgaste mais, por favor.

Eu respeitei a sua vontade de ir embora, respeitei o seu jeito imprevisível e a sua decisão inesperada. Por isso, respeita a minha vontade de te esquecer. Respeita a minha vontade de reaprender a ser feliz sem você do meu lado. Respeita o meu novo amor (próprio).

16 abril 2015

De passagem

O mundo dela lançando doçura na amargura do meu...


06 abril 2015

E esse texto não é sobre você, mas sobre mim.


Eu assumo: te esperei. Caramba, como eu te esperei! Idealizei nossas possíveis reencontros, suas falas e meu discurso. Imaginei um novo futuro para nós dois, perdi noites de sono sonhando acordada e sofrendo calada. Vivi ansiosa por uma ilusão que eu mesma tinha criado. Porque a verdade é que eu não queria desistir de você e dos nossos planos, mesmo que eles já estivessem totalmente fora de alcance.

Sabe o que é, eu sempre tive um apego um pouco ridículo pelos meus sentimentos e lembranças, por isso tudo sempre me parece maior do que realmente é. O meu passado, o meu presente e o meu futuro não são tão claros e organizadinhos como deveriam ser, essa é a verdade. Misturo tudo, sinto muito e em parcelas, me confundo toda na ordem cronológica da minha própria vida. E, por esse motivo, assumo que nunca tive total certeza de quais eram os meus sentimentos por você depois de tudo que tinha acontecido. Morria de medo de esbarrar contigo e parecer uma boba, perder a fala e ter que reviver tudo o que eu finalmente estava conseguindo deixar para trás, ao mesmo tempo em que tinha certeza de que havia superado. Dá para entender? Sei que não. Mas hoje eu estou finalmente começando a me policiar e ter um pouco mais de controle sobre eu mesma e o que eu sinto.

Porque o que acontece é que a gente muda, não é? A gente cresce, querendo ou não. O tempo foi passando e eu comecei a te enxergar com outros olhos, outra cabeça, outra pessoa. E a cada novo detalhe que eu ia desvendando, mais decepcionada comigo e com você eu ia ficando. Logo eu, que adorava distribuir conselhos. Logo eu, a razão em pessoa, fechei tanto os meus olhos para os seus erros. E foi foda para aceitar que eu tinha falhado, mas só mais tarde descobri que isso era necessário para o meu amadurecimento. Eu precisei enxergar verdadeiramente e vivenciar a decepção por completo para que a dor finalmente perdesse o seu espaço na minha vida. Como se eu fosse desintoxicando aos poucos, me sentindo pura, livre de todo um peso e mais minha a cada dia.

E eu sabia que era questão de tempo, por isso, após um ano sem ter notícias suas, acabamos nos encontrando. Felizmente as coisas tinham mudado, felizmente eu tinha sofrido pra caramba, mas aprendido ainda mais. Você estava com uma camisa que eu já conhecia e um tênis que eu te ajudei a escolher. Também sorria do mesmo modo despreocupado e cínico, mas estava acompanhado da sua nova namorada - muito bonita, por sinal. Nossos olhos se encontraram diversas vezes e o ambiente era muito familiar para nós dois. Mas a verdade é que eu não te reconheci - o meu coração nem sequer descompassou.

E foi naquele dia, que eu pude perceber que você não tem mais lugar no meu mundo. Você não cabe mais nos meus planos, objetivos e desejos. Por mais que eu tenha demorado a aceitar isso, nos perdemos e diferenciamos há muito tempo - quando ainda andávamos de mãos dadas. Fomos por caminhos opostos e eu agradeço por isso. Não fico contente pelo nosso fim, pois nenhum final é de fato feliz se ele acaba com alguém magoado, mas acabou tudo dando certo. Não sei para você, mas com certeza para mim. 

E esse texto, gostaria de deixar claro, não é sobre você, mas sobre mim. Não é sobre como você deixou de merecer o meu amor, mas como percebi que eu certamente merecia mais. Não é sobre o tempo que perdi te amando, mas a respeito de todo o amor que ganhei por mim mesma. Não é sobre como você mudou, mas como eu evoluí durante todo esse tempo. Entende? O foco sou eu. Mudei e não foi por causa de um novo amor, muito menos tem a ver com algum fantasma do passado. Foi tudo por mim - o maior e melhor motivo para que eu transformasse e recomeçasse a minha vida.