27 novembro 2015

Com o coração já tão despedaçado, o que mais eu tenho a perder?


Eu sei, eu estraguei a nossa noite que você tinha preparado com tanto cuidado. 

Eu sei, eu fui covarde e imatura. 

Eu sei, eu te assustei quando você acordou de madrugada e me pegou chorando na sala.

A verdade é que eu entrei em desespero, ok? Porque eu senti o meu coração se abrindo. Eu acreditei em você, nas suas palavras, na verdade do seu sorriso ao me contar dos seus planos para gente, e caramba, não devia acontecer isso! O combinado era que eu não me entregaria a ninguém, o combinado era me manter distante e protegida. 

Porque eu realmente não sei se estou preparada para encarar as minhas feridas, passar por cima dos meus traumas e me permitir ser feliz sem pensar no que pode ou não acontecer. É que é inevitável, a gente fica meio desacreditado, sabe? Ver a mesma história se repetindo tantas vezes... Por que logo com você seria diferente? Por que eu teria que te dar um voto de confiança?

E, se quer saber, eu encontrei a minha resposta sem precisar responder coisa alguma. A verdade é que não precisamos de motivos, não é? Afinal, todos os outros tinham diversos pontos positivos e deu no que deu. E com você, pela primeira vez, não encontrei nada de concreto e especial que me fizesse acreditar que agora, finalmente, iria dar certo. E, no entanto, eu queria acreditar nisso. Eu queria fazer dar certo.

Você me encontrou sentada no sofá e não disse nada. Nenhuma palavrinha. Não sorriu, não chorou comigo e nem saiu correndo. Você segurou a minha mão e ficou ali quietinho. Você me deixou chorar, me viu desabafar em silêncio, compreendeu tudo sem que eu precisasse me explicar.

Era justo com você que eu fugisse desse jeito? Era justo comigo não seguir o meu coração? Era justo com a gente impedir que uma história iniciasse se era da vontade dos dois? 

Afinal, com o coração já tão despedaçado, o que mais eu tenho a perder?

Levantei-me e sem soltar da sua mão, segui para o quarto. Deitei-me e você entendeu que era para deitar também. Aninhei-me em seu peito e a última coisa que eu me lembro de falar foi:

- O café é por minha conta amanhã. 

17 novembro 2015

Escrever sobre você.


Talvez escrever seja a coisa mais corajosa e covarde que eu consigo fazer em relação a você.

Porque, sinceramente, eu não tenho mais forças e nem coragem para tentar de novo. Essa seria a tentativa número... Ah, não importa, não é? Já tivemos várias e todas fracassadas. E por isso, de certa forma, eu já aceitei o nosso fim. De algum jeito, eu encontrei razões suficientes para (tentar) seguir em frente. Não que seja exatamente o que eu quero, mas chegou a hora de fazer o que é necessário e ignorar o que o meu coração fica gritando.

No entanto, eu continuo escrevendo sobre a gente e é nessa hora que eu escuto o meu coração. Ao escrever, eu assumo e deixo transbordar tudo que ainda sinto por você. Deixo vir a tona as lembranças, os planos impossíveis e o grifo abafado. Quando eu escrevo, eu te aceito de volta. Esqueço os empecilhos, os seus erros e as minhas manias incuráveis. 

Ou talvez eu lembre, mas não dói como na realidade.

A verdade é que transformar a dor em poesia é eternizar tudo aquilo que deve ser deixado para trás, é saber que a gente vai deixando no papel, um pouquinho a cada texto, aquilo que machuca. 

Por isso, quando eu me expresso em palavras, eu não fujo e nem tenho medo. Do meu jeito, eu te enfrento e, com isso, consigo enfrentar a mim mesma. Falar de você, mesmo que em silêncio, é ainda te manter aqui de alguma forma mas, mais do que isso, é te tirar de dentro de mim

04 novembro 2015

Inspiração: ilustrando o amor

O meu tema preferido é o amor, mas acho que isso dá pra perceber né? rs E há alguns meses eu vi uma matéria linda no site Hypeness sobre um ilustrador coreano, Puuung, que se inspira em momentos simples, daqueles que a gente consegue enxergar claramente o amor no dia a dia de um casal, para criar suas ilustrações.

Hoje ela apareceu novamente na minha timeline, e eu senti que precisava compartilhar por aqui esse trabalho tão incrível e que nos arranca sorrisos e suspiros. 

Abaixo estão algumas das minhas preferidas, mas indico que vocês cliquem no link para conhecer melhor o ilustrador. 

Sorte de quem consegue se identificar com os momentos ilustrados né? ♥













19 outubro 2015

Eu preciso seguir sozinha daqui para frente.


Não sei se é justo dizer que aqui está doendo tanto quanto aí, mas queria que soubesse que não está sendo fácil para mim dizer adeus a você. Dizer adeus a nossa história, aos nossos planos e a nossa rotina. Dizer adeus a tudo que construímos, dizer adeus e ter que me afastar de quem um dia foi todo o meu equilibro.

Só que eu senti, nos últimos tempos, que alguma coisa estava errada, fora do lugar. E não acho que seja você, antes que confunda as coisas, e nem eu mesma. O que não cabia mais era o nós. Como unidade, juntos.

Não faço a menor ideia de quando me toquei disso, nem sei se alguma coisa pode ter me influenciado, mas acho que isso não importa, sabe? Eu só precisei seguir o meu coração. Medroso, mas claro. Tão claro que eu não poderia mais ter dúvidas e nem prolongar mais essa decisão.

Eu não quero e não vou me esquecer da sua voz me chamando pelo nosso apelido íntimo. Não quero e não vou me esquecer do quanto você nunca soube o que me dizer direito, mas sabia colocar todo o seu amor dentro de um abraço. Não quero e não vou me esquecer de todas as vezes em que colocou um sorriso no meu rosto pelos motivos mais banais.

E, por tudo isso, eu amo você, querido. Eu só não gosto mais de você. Eu só não consigo mais sonhar junto com você.

Eu preciso seguir sozinha daqui para frente. Eu preciso virar na próxima esquina e descobrir um novo caminho. Eu preciso de um tempo comigo mesma, preciso encontrar novos motivos para sorrir e para fazer o meu coração perder o ritmo. Eu preciso ser feliz e quero que você seja também. 

02 outubro 2015

A vida é um pouquinho mais do que um pé na bunda.


É meio desnecessário eu dizer que todo término é ruim, afinal, acho que todo mundo sabe bem disso. Mas doeu, doeu pra caramba! Eu realmente esperava mais da gente e "o amor da minha vida" ir embora sem mais nem menos, destruiu um bocado de planos que eu tinha idealizado. Todo dia me perguntava aonde eu tinha errado, quando ele voltaria, o que eu poderia fazer para tê-lo de volta, como ia ser daqui para frente sozinha... Todo dia eu me afundava um pouquinho mais num mundo de ilusão e desilusão.

O meu coração estava tão descompassado que dava pena. Minha cabeça estava a mil, cheia de pensamentos num vai e volta embaralhado. O ponteiro do relógio continuava percorrendo número a número e o calendário mudando de páginas. Só eu que estava estacionada nessa história toda. Atolada. Confortavelmente apática.

E eu posso dizer que as coisas só começaram a andar quando eu parei de me vitimizar. Ok, ele me decepcionou. Ok, eu tenho todo o direito de viver o luto. Ok, mas por quanto tempo? Só por causa de um coração partido não devo tentar novamente? Devo deixar que os sentimentos ruins me façam afundar cada vez mais? Devo desistir de mim?

Eu mesma respondo: Não. Óbvio que não.

Uma hora a gente tem que se dar conta de que a vida é um pouquinho mais do que um pé na bunda, sabe? Quase nada, mas é. Juro que é! Há muito sentimento para descobrir, muita história para viver, muitas pessoas para conhecer. E, por mais clichê que isso possa parecer, se você realmente se permitir, você vai ver que essa é a maior verdade sobre a vida. Ela sempre muda, sempre se renova, sempre temos novas chances de escrever novos capítulos e isso depende somente de nós.

Ok, é verdade que sentimentos devem ser sentidos, e embora muitas vezes aconteçam coisas que fogem do nosso controle, tudo é uma questão de escolha. A gente não escolhe sofrer, mas escolhemos por quanto tempo vamos permanecer alimentando o que nos faz mal. E a gente não tem o poder de dizer "quero ser feliz" e click! tudo acontece, mas somos nós que escolhemos os caminhos que vamos percorrer para encontrar a felicidade - em cada dia da nossa vida.

18 setembro 2015

Voa, vá em paz.

Ouça antes de ler...



Eu estava quietinha no meu canto, e, de repente, você pousou na minha vida. Eu li e sublinhava as partes que mais me tocavam de um livro de poesias, quando você sentou ao meu lado, com um fone, que mais parecia um alto falante, tocando alguma música barulhenta. Foi nesse momento que você penetrou na minha paz.

Por cima do meu ombro, espiava a minha leitura e quando te olhei, você sorriu. Sorriu sinceramente como quem dizia "duvido que você nunca tenha feito isso". Eu queria responder que era uma invasão, mas não era possível me irritar diante da maneira como você era tão espontâneo e, inevitavelmente, sorri de volta. De alguma forma, eu sempre quis que alguém lesse as entrelinhas das minhas marcações.

Por acaso, no meio de tantos bancos vazios ali em volta, você quis descansar ao meu lado. E por acaso, eu quis arriscar e entrar no seu ritmo. Acasos, por mais improváveis que possam parecer, sempre possuem algum sentido. Você experimentou da minha calmaria. Eu descobri um pouco como era a vida a sua maneira - perdendo o fôlego quase a todo instante. Foi um encontro, exatamente o que a gente precisava no momento.

Mas eu sou pé no chão, sou pregada e apaixonada pela razão. E você, leve, livre e sonhador. A gente se encaixa, mas não se basta. Não por muito tempo. O que pedimos um ao outro é mais do que podemos oferecer, sem que seja necessária uma renúncia de nós mesmos.

Você me convidou para voar contigo, mas eu tenho os pés enraizados pela dor. Tenho um bloqueio mais forte do que o nosso amor e ia doer demais me desafiar dessa maneira. E eu também não quero te colocar na gaiola do meu coração medroso. Maldade te prender a mim, maldade cortar as suas asas e te impedir de desbravar o mundo.

Por isso, meu bem, não se culpe e eu também não vou carregar esse fardo. Não deu errado não, pelo contrário, foi tudo tão certo que a despedida não vai pesar para nenhum de nós dois. Nosso acaso ganhou um sentido, não vê? Transbordar e permanecer sem doer.

Não tenha medo, rapaz. Deixe o seu amor aqui comigo, enquanto você vive os seus sonhos. 

Voa, vá em paz.

08 setembro 2015

No meu tempo.



Todos os dias alguém vinha me dizer que eu precisava sair “dessa”. Dessa, no caso, significava fossa. Mas, convenhamos, quantos deles entendiam realmente o quanto eu estava machucada? Quantos deles algum dia se sentiu da mesma maneira que eu me sentia?

Não estou dizendo que a minha dor era maior do que a das outras pessoas. Não me entenda mal, apenas doía. E eu não queria ouvir que era besteira, me entende? Cada um enfrenta a dor da sua forma, é algo muito particular e sem fórmulas. E eu, bem, não sabia levar a minha dor de outra forma a não ser sentindo. Sentindo cada pontada no meu coração, revivendo cada lembrança, chorando, abraçando o travesseiro, enfim, me entregando.

E a tristeza é viciante. A tristeza, de alguma forma bizarra, acaba sendo uma boa companhia. Ela está sempre ali, sabe? Acordava triste e dormia triste. E quando sorria, era ainda mais triste. Não me sentia sozinha com a tristeza, pelo contrário, estar triste era saber que ele ainda estava presente na minha vida. Uma loucura reconfortante.

Mas até o que parece não ter fim, um dia tem. E essa "lei" serve para tudo, grava isso. Eu passei a me cansar de ficar dentro do meu quarto e o meu banho não demorava mais do que o necessário, sem que eu tivesse vontade de enrolar para conseguir chorar em paz. Ironia ou sorte, a tristeza, assim como ele, decidiu me deixar também. 

E, no meu tempo, eu finalmente saí de casa por vontade própria. No meu tempo, eu liguei o rádio numa estação aleatória, simplesmente porque eu queria ouvir música. No meu tempo, eu voltei a sorrir sem ser para agradar aos outros. 

E eu não me arrependo de ter me respeitado. Não me arrependo, porque eu não queria me tornar mais uma dessas pessoas que convivem com um fantasma adormecido que, vez ou outra, desperta para tirar a paz. Não me arrependo, porque eu precisei esgotar a minha dor, para que sobrasse espaço para a felicidade entrar. Não me arrependo, porque hoje eu só consigo olhar para frente e sentir esperança. Aguardando, finalmente, de coração livre e aberto, por tudo de bom que ainda há de vir.

25 agosto 2015

Mil razões

Posso compor mais cem canções de amor, pra quê? Se quando eu canto, você some...



17 agosto 2015

Ponto. Final feliz.


Soube que você está feliz. Comentaram, como quem não quer nada, que você arranjou uma nova namorada e foi promovido no emprego em que estava há alguns anos. 

Assim que terminamos, eu te excluí do Facebook com a certeza de que seria o melhor para mim. Você não gostou da ideia, mas eu precisava ser egoísta, precisava pensar em mim pela primeira vez em toda a nossa história. E me ajudou muito não saber mais o que você andava fazendo e assim não nutrir esperanças por causa da sensação de saber como estava a sua vida – como eu sempre soube. Era muito mais fácil para mim poder entrar nas minhas redes sociais e não correr o risco de ser surpreendida por nenhuma atualização deprimente sua.

O meu travesseiro sabe o quanto eu chorei. O colo da minha melhor amiga também. Mas você nunca soube, porque eu nunca fiz questão de mostrar isso. Nunca te mandei mensagem de madrugada, mesmo bêbada. Nunca te liguei implorando para que voltasse para mim. Nunca pedi para que amigos em comum te dessem recados infantis. 

A verdade é que eu falei para você seguir a sua vida de uma vez e eu disse que faria o mesmo. E fiz. Todos os dias fui trabalhar e fui para a faculdade. Todos os dias sorria amarelo para que ninguém percebesse a minha tristeza. Todos os dias respirava fundo ao sair pela porta de casa e soltava o ar assim que chegava em meu quarto. E assim foi.

Foi passando, foi acontecendo, fui me/te superando dia após dia. E caramba, acho que eu soube dessas novidades na hora certa. Se quer saber, eu ainda sou estagiária e continuo solteira, mas eu tô em paz, sabe? Uma paz diferente de tudo que eu já senti antes. Pela primeira vez em anos, estou sozinha, mas não estou me sentindo solitária. Sinceramente, me sinto mais completa do que nunca.

Parei de me desesperar e passei a desfrutar mais da minha própria companhia. Eu não te culpo, muito menos é a minha intenção te menosprezar, mas perdi muito mais enquanto ainda te tinha do que quando deixei você ir. A vida tem dessas coisas, né? A gente cisma que certa coisa é o que a gente sempre sonhou e insiste, insiste, insiste até se cansar, e de repente, numa reviravolta qualquer, descobrimos algo novo que faz o nosso coração realmente encontrar o ritmo certo. 

E o meu finalmente encontrou. Não foi o carinha que eu saí semana passada, também não foi o fato de eu ter terminado mais um período da faculdade com notas boas. Foi a calma que eu adquiri, foi a leveza que eu ganhei, foi a forma como passei a enxergar a mim mesma em relação aos outros. Agora eu não me canso, não me peso, não me pressiono. E eu precisava disso, deixar de lado as mágoas e me reinventar, me reconstruir.

Se depender de mim, você nunca lerá essas palavras. Assim como fiz questão de você não saber do meu sofrimento, não preciso que você saiba do lado bom também. Mas eu precisava colocar meus sentimentos para fora. Como se fosse, finalmente, o ponto final da nossa história - você aí e eu aqui. Ponto. Final feliz.

(E eu já até consigo pensar na ideia de te ter novamente nas minhas redes sociais, e você? Aceitaria a minha solicitação de amizade? Bandeira branca.)

30 julho 2015

Duas pessoas com medo.


Falar sobre o amor é extremamente difícil. Tenho a sensação de que tudo que poderia se dito, já foi dito. Logo, penso que seria prepotência da minha parte achar que conseguiria escrever algo novo e surpreender você. Só que a questão é exatamente essa. Você trouxe um novo sentido para minha vida e eu queria tanto conseguir transparecer isso em palavras, sabe? Por isso eu tento. Por isso eu me abro.

Antes de você aparecer, eu era só mais uma garota com o coração partido. Mais uma garota que dançava num compasso mais lento e não se permitia mais acompanhar a loucura da vida. Mais uma garota que não acreditava mais em histórias de amor com finais felizes. Mais uma garota precavida, medrosa e arisca.

Se alguém começava a ultrapassar a minha zona de segurança, eu me afastava. Por que? Porque doía. Porque todas as lembranças voltavam como um tsunami. Me derrubando, me afogando, me destruindo por completo. Aí eu fugia, covarde e pequena, para algum lugar seguro.

Mas quando é para acontecer, a vida dá o seu jeito. A mágica então começa - mesmo quando você não acredita mais nela.

Eu que me achava esperta demais, já calejada e graduada em proteção ao meu coração, caí na armadilha de me distrair. E você chegou disfarçado, como eu ia saber? Eu acreditei que você não tinha intenção de me invadir. Eu acreditei que você queria distância de um novo relacionamento. Eu acreditei que você tinha medo, assim como eu. E, bem, realmente tinha.

Mas só depois eu entendi que duas pessoas com medo, nem sempre se repelem.

Duas pessoas com medo só querem ser cuidadas e, mais que isso, sabem cuidar – afinal, sabem do que precisam para si mesmas e isso acaba contribuindo para o cuidado com o outro. Duas pessoas com medo são pacientes. Duas pessoas com medo têm os corações tão pequenos, mas ao mesmo tempo, tão verdadeiros – porque sabem amar, e por isso, o temor. Duas pessoas com medo podem ser a salvação uma da outra.

E você, meu amor, foi a minha salvação. Eu me permiti segurar a sua mão e simplesmente viver a vida, que com você, ganhou um novo sentido – mas acho que já disse isso.

16 julho 2015

Uma pena você.


A verdade é que olhando para trás, consigo perceber o quanto você me deu pouco. O quanto foi tudo tão medido e tão cronometrado. Não sei se foi por medo ou simplesmente você já tinha planos para cair fora em algum momento mais para frente, só sei que, independente dos seus motivos, foi covardia. 

Eu cheguei com bandeira branca, nunca te pedi mais do que você podia me oferecer, pelo contrário, eu aceitei você do jeito que você era. Suportei o tamanho do seu ego, respeitei o seu espaço, aprendi a lidar com os seus defeitos, fui paciente - até demais. 

Seria hipocrisia dizer que eu não esperava reciprocidade, afinal, quando a gente se entrega verdadeiramente para alguém, a gente deseja ser correspondido, é óbvio. Mas mais do que isso, eu, particularmente, espero sempre sinceridade. Nas pequenas coisas e nas maiores. No dia a dia e em situações específicas. Portanto, essa sempre foi a minha única condição, o meu único pedido. E se eu peço isso, é porque eu já sou bem grandinha e já aprendi a lidar com a verdade, com a frustração de escolher caminhos errados e com os desencontros da vida. 

Por isso até hoje eu não entendo o por quê. Porque você deixou que eu me envolvesse, se você não pretendia se envolver também. Porque você não me falou a verdade sobre os seus planos desde o começo. Porque você permitiu que nossa história chegasse tão longe, se você pretendia fugir. Porque, enfim, você preferiu interpretar, me iludir em vez de me liberar logo.

Mas se tem uma coisa que eu finalmente consegui entender depois que o meu coração acalmou, foi que eu era muito para você. Eu fiz tanto, me entreguei tanto, fui tão verdadeira com o que eu sentia e queria, que isso provavelmente te assustou. Logo você, tão pequeno, como ia suportar todo o meu amor? Como ia merecer todo o meu cuidado? Você não aguentou a pressão, não aceitou a chance de se livrar da gaiola que você mesmo se prendia. Uma pena.

Uma pena a sua covardia, uma pena o quanto você é mesquinho, uma pena a sua visão de mundo, uma pena, rapaz, uma pena você.

12 junho 2015

Vamos celebrar o amor, antes de tudo.


Dia dos namorados. Acho que não existe data mais polêmica e que mais gera controvérsias do que essa. Alguns casais postam fotos apaixonadas, cheias de sorrisos, presentes e declarações. Alguns dos que não namoram (e são mais revoltados) postam textos que condenam esse tipo de comportamento, outros mais tranquilos soltam piadinhas – que eu, particularmente, morro de rir. Mas a verdade é que são poucos os que realmente se calam e ignoram os dois lados.

Até o momento, eu já li uns dez textos com as mais diversas opiniões sobre o dia 12 de Junho e vi (e curti) incontáveis fotos de casais.

Bom, eu já namorei algumas vezes, estou namorando no momento e nunca fui de ficar postando fotos toda semana com a pessoa que estou. Nunca. Sou da opinião de que nada substitui um momento a dois, aquela cumplicidade, aqueles segredinhos do casal. Não exponho minhas intimidades, meus sentimentos, meus planos. Mas isso, veja bem, sou eu. Existem pessoas que gostam, que tem essa vontade de gritar para o mundo tudo de bom (e até de ruim) que acontece na sua vida e, por favor, qual é o problema?

Por que se incomodar tanto com o casal que posta foto juntos em comemoração a esse dia? Você também não posta foto com a sua mãe no dia das mães ou no dia do aniversário dela? Não posta foto sua no dia em que comemora mais um de vida? Não posta foto com a sua família na noite de Natal? São datas comemorativas e cada um celebra do jeito que quiser, postando quantas fotos quiser, só que ninguém reclama, mas quando chega o dia dos namorados... Aí não pode, porque é tudo falsidade.

E entramos agora no argumento principal dos que são contra expor as declarações: quem ama de verdade não precisa ficar provando para ninguém. Em consequência desse pensamento, os que postam fotos não namoram de verdade, estão com rabo preso e fazem isso por teatro/enganação, e por aí vai... Veja bem, isso acontece? Lógico que acontece. Entretanto, vou te contar um segredo: a mentira/forçação de barra existe em qualquer relação dentro e fora das redes sociais.

Conheço pessoas que tratam super mal o pai ou a mãe e, vez ou outra, fazem declarações no Facebook que não condizem com suas atitudes no dia a dia. Vejo amigas minhas postando fotos com “amigas” que, no dia anterior, ela estava falando mal da pessoa para mim. E sim, vejo casais que eu sei que um ou outro (ou os dois) não levam a sério a relação e, no entanto, bombam suas redes sociais de fotos apaixonadas.

Entendem aonde eu quero chegar? Por isso eu realmente não entendo esse recalque e implicância com o dia dos namorados. A consciência é de cada um, a vida é de cada um. Quem está perdendo é quem está interpretando um papel enquanto não vive verdadeiramente. Mas não cabe a nós julgar. E, principalmente, não cabe a nós descredibilizar todos os casais que gostam de se declarar nas redes sociais, simplesmente, por pirraça e preconceito.

Vamos viver, vamos celebrar o amor, vamos buscar a sinceridade em nossas vidas e, dessa forma, nada vai nos afetar. Afinal, quem está feliz consigo mesmo não está nem aí para a felicidade alheia ou o tal fingimento dela. 

09 junho 2015

Da página para o blog.

Faz um bom tempo que eu não faço um top 5 dos textos da página aqui né? E eu não vou fazer mais disso uma regra, mas de vez em quando eu acho importante trazer os textos mais populares por lá para cá, para quem me acompanha mais por aqui.

Bom, segue um apanhado dos últimos seis meses com os meus textos preferidos e mais curtidos da página também :)


Antes eu morria de medo dos finais, hoje em dia, eu evito logo o começo. Covardia, eu sei. Mas crescer é perder um pouco da coragem que a gente tinha quando mais jovem, sabe? Crescer é enxergar mais o lado ruim do que o lado bom antes de tentar, é não criar mais expectativa com nada. E eu tô assim, evitando felicidades provisórias. Uma noite de sorrisos em troca de uma semana de lágrimas não é uma troca justa, se quer saber. Não tá valendo a pena toda uma incerteza em troca de momentos de atenção. É tampar o Sol com a peneira, conhece esse ditado? É me enganar e, no final, me desgastar a toa, mais uma vez. Não, não é mais isso que eu tô procurando, eu tô atrás é de paz. Aquela paz de estar bem comigo mesma, sem qualquer interferência externa, completa em mim e feliz por mim. Por quanto tempo for necessário.


Acontece que eu nunca soube muito bem o que queria da vida, pra mim, por muito tempo. Sempre mudei de vontades assim, num rompante, no meio do caminho, pegando todo mundo de surpresa – até a mim mesma. A verdade é que eu sou medrosa, assumo. Decisões que podem mudar a minha vida? Adio ao máximo para tomá-las. E eu só estou contando tudo isso pra te dizer que quando eu respondi sim, sem hesitar para a sua pergunta, foi pra valer. E agora que eu entrei nessa, eu só saio diante de circunstâncias extremas. Tô aqui pra você como nunca estive para ninguém antes. Tô de corpo e alma, sem clichê barato. Deixei para trás meus medos e minhas neuras, porque eu quero, antes de tudo, que seja leve. Não quero carregar fardos antigos, não quero estragar tudo por receio, não dessa vez, não com você. Por isso, confia na minha coragem e me promete que os sorrisos serão frequentes e que amor não vai faltar, o resto, a gente descobre e constrói juntos.


Tô livre, tô limpa - de você e de todo o peso que você me deixou carregando sozinha. Novamente e finalmente meu coração se abriu para vida, para felicidade e, quem sabe, até para um novo alguém. Só que agora eu tô diferente, tô mais seletiva, mais centrada e, quem diria, extremamente calma. Tá aí uma coisa que a dor me ensinou: ter paciência. As coisas vão acontecer independente da minha vontade e do meu desespero. Reduzi a velocidade, me reencontrei e alcancei a paz que precisava para aceitar tudo o que aconteceu e enfim seguir novos rumos. O que vem, eu não tenho dúvidas, é sempre melhor do que o que foi embora. Só deve permanecer o que acrescenta, e se a gente não tem coragem para descartar o que nos prejudica, a vida vai e nos dá uma ajudinha. Agora eu entendo.


E se for preciso, ande um pouquinho mais devagar. Se estiver com muito medo, pare por alguns instantes. Não se pressione. Se as coisas estiverem acontecendo muito rápido, use o freio e acredite, também está liberado voltar alguns passos. Nem sempre andar para trás significa retrocesso, muitas vezes também serve para pegar impulso e ir ainda mais além.


Não culpa o amor não, moço. Culpa o teu ciúme excessivo, culpa o meu jeito explosivo. Culpa as noites em que você não fez questão de estar comigo quando era tudo que eu precisava. Culpa o meu mau gosto musical. Culpa as nossas brigas sem fundamento e todas vezes em que prolongamos dores desnecessárias. Culpa a mim, prometo que eu não ligo. Culpa a você mesmo, é bonito reconhecer nossas próprias falhas. Culpa o destino, as fofocas, a própria vida. Só não culpa o amor, ta? De tudo que a gente viveu, de tudo que sobrou, de tudo que sentimos, só ele valeu a pena. É por causa do amor que eu guardo a nossa história cheia de erros e culpados. É por causa do amor que a gente insistiu tanto mesmo cansados. É por causa do amor que a gente foi feliz tantas vezes. O que veio antes, em paralelo ou depois, é culpa de muitas coisas, menos do amor. O amor nunca é o culpado das partes ruins, vê se entende.


É engraçado que a gente tem fé em tanta coisa né? Na pedrinha que dizem que traz equilíbrio, na cartomante, nas fitinhas do Senhor do Bonfim, no apanhador de sonhos pendurado na cama, até mesmo nos outros, a gente acredita de verdade. Mas acaba faltando a fé em si mesmo. Não desmereço nenhuma das outras, mas essa é a mais importante e sem ela, todas as outras perdem o sentido e a força. É preciso acreditar que somos sim capazes, que vamos sim conseguir aquilo que queremos, que merecemos sempre mais. Fé é uma das coisas mais bonitas que existe, por que não guardar um pouquinho pra gente? Tenho certeza que vai se surpreender com o quanto isso vai influenciar em tantos pontos da sua vida.


É verdade que eu sempre fui medrosa, mas, finalmente, descobri algo pelo qual vale a pena eu me arriscar: a minha felicidade. É muito fácil continuar do jeito que está, caminhar pelas mesmas ruas, reconhecer todos os rostos, sentir o que já estou acostumada. É muito tranquilo não ousar para não me machucar, para não dar o que falar, mas dessa forma, também é natural que a infelicidade acabe me alcançando. Não me entendam mal, muitas vezes a situação em que me encontro não é de absoluta tristeza, mas sabe quando você não se sente mais em casa? Você se sente apático diante daquela realidade, daí vem o desconforto, porque, obviamente, falta alguma coisa. Acontece que acabo sendo empurrada para a direção oposta, obrigada a mudar todo o curso, tendo que me reaprender e aprender um novo caminho. Perdi muito tempo sempre pensando em todas as consequências, em todas as chances que eu tinha de me arrepender. Mas isso só me arrastou cada vez mais para longe do maior objetivo da vida: ser livre. E o que é liberdade, senão poder correr atrás da sua felicidade sem medo e sem censura?

E aí, qual o seu preferido? ;)

Beijos,

29 maio 2015

Se é essa a sua vontade, meu amor, pode ir.


Eu nunca tive dificuldade em aceitar o fim. O final faz parte de qualquer ciclo, não dá para evitar. E se é a outra pessoa que quer ir embora, por favor, vai sem medo. Não imploro, não me desespero e, principalmente, não me menosprezo. Por isso, se é essa a sua vontade, meu amor, pode ir.

Provavelmente vai ser foda por alguns dias, a saudade vai me sufocar e eu vou me segurar para não te mandar uma mensagem, tarde da noite, perguntando mais uma vez o motivo do nosso fim. Vou sair com minhas amigas e achar um saco, e isso só vai piorar a situação, porque eu vou me lembrar do quanto era incrível apenas assistir a filme contigo, dividindo aquele sofá pequeno da sua sala.

Com certeza vou escrever alguns textos dramáticos que eu nunca mostrarei para ninguém. Vou te odiar, me odiar, odiar o mundo e a vida! Porque depressão pós pé na bunda é normal, não me julguem.

Eu vou achar que tudo perdeu o sentido, mas só até começar a enxergar algum nexo nessa história toda. Afinal, a gente sempre aprende alguma coisa em situações extremas, não é? Tem que ter uma explicação e eu vou encontrá-la, como sempre encontrei. As respostas vêm com o tempo. Vem com um novo amor, vem com uma nova conquista, vem com novos amigos e novos lugares preferidos, vem com novas experiências, vem com um novo caminho a ser seguido.

Depois que passa a tempestade, a gente entende, aceita e, veja só, às vezes até comemora.

Por isso, vai em paz, não olha para trás e não volta se tudo começar a dar errado na sua vida. Porque a minha, eu tenho certeza, vai começar a dar muito certo em breve e a sua bagunça não será mais bem-vinda.

14 maio 2015

Talvez não tenha sido amor, sabe?


Talvez não tenha sido amor, sabe? E acho que não temos que culpar ninguém ou sofrer pelo que não aconteceu. Porque, afinal, como vivemos é que importa - e não o tempo. E poxa, foi lindo e mais que isso, foi sincero.

Talvez tenha sido encanto. Eu me lembro do quanto eu fiquei fascinada pelo seu gosto musical. Você conhecia aquela banda que ninguém sabia o nome e eu amava. Você também não saía de casa sem o fone de ouvido e eu nunca precisei mudar de música na playlist do seu carro, eu amava todas e acabei descobrindo muita coisa boa por sua causa.

Talvez tenha sido cuidado. Sempre acordava coberta e quentinha enquanto você estava encolhido no canto da cama, mas mesmo assim, não se importava de me dar todo o cobertor. Era eu quem te ligava, todos os dias, no mesmo horário, para te lembrar do seu remédio. Eu sempre te quis bem, acima de tudo e em todos os sentidos. Provavelmente me importava mais com você do que com qualquer ex-namorado que eu tenha sido loucamente apaixonada. 

Talvez tenha sido certezaEu sabia de todas as suas manias e já tínhamos um jeito certo de dividir a sua cama de solteiro de um modo que nós dois ficássemos confortáveis. Eu adorava a sensação de segurança de ter a sua mão entrelaçada a minha e você sabia que era só eu ouvir a sua voz para dizer se você estava bem ou não.

Talvez tenham sido muitas coisas boas e é por isso que eu não guardo nenhum sentimento ruim de você e da gente. Mas o que eu sinto, de verdade, é que, no final de tudo, talvez tenha se tornado um mero costume, uma questão de conforto - algo que era bom e ponto. Sem mais suspiros, sem mais surpresas, sem mais frio na barriga.

E a gente não está aqui para se acostumar com as pessoas, não é? Precisa ser bem maior que isso para valer a pena, para que dure. Por isso, perdoa, entende e aceita, só talvez não tenha sido amor. Chegou bem perto, foi ótimo enquanto ainda acrescentou em nossas vidas, mas a gente merece muito mais do que uma história de quase amor.

04 maio 2015

Nós somos os verdadeiros heróis.


Tenho a mania de pegar dores antigas e torná-las atuais em meus textos. E isso não tem nada a ver com reviver o passado, antes que me julguem, mas sim com enxergar o presente de um jeito diferente. Hoje algum ponto do meu coração está dolorido, mas olha que coincidência, eu já senti uma dor parecida com essa! Talvez mais fraca, talvez mais forte. Mas sabe o que aconteceu depois? Continuei vivinha. Continuei caminhando.

Poderia ser visto como masoquismo, mas tem a ver com tornar a nossa própria vida um referencial. Transformar nós mesmos em exemplos. Isso é algo bonito, sabia? E muito difícil. Enxergar que somos sim verdadeiros heróis. Ultrapassamos nossas próprias barreiras dia após dia, sejam elas pequenas ou grandes para o mundo, afinal, quem importa e quem encarou cada uma delas fomos nós.

Porque a verdade é que só a gente sabe os nossos próprios limites e o quanto é difícil permanecer em pé em alguns momentos da nossa vida. O que pode parecer pequeno e ridículo para uma pessoa, para outra pode ser o maior desafio que ela terá que passar. E se quer saber, acredito que existam coisas que não valem a pena serem externalizadas, nem para se mostrar inferior nem para se engrandecer, por isso, não precisa se explicar para ninguém, guarde suas derrotas e vitórias para você mesmo. Até porque as pessoas vão enxergar do jeito que elas quiserem.

Por isso, para mim, e esse é o ponto aonde quero chegar, a palavra de ordem continua sendo acreditar. Acreditar em si mesmo, se apegar às coisas boas, ter fé. E ter fé é permanecer andando mesmo em meio a neblina, quando mal dá para enxergar um palmo a frente, não é isso? É sentir vontade de desistir, mas não o fazer, porque ainda existe um fiozinho de esperança em uma reviravolta da vida. 

Porque sempre passa, a gente sabe. Não dá para evitar que aconteça nem adianta fugir, mas assim como a dor chega, ela também vai embora. É só uma questão de tempo. Mas o que sobra, o quanto a gente se fortifica e se transforma é que deve ser o nosso foco, é o que devemos guardar para nos inspirar todas as vezes em que fraquejarmos.

19 abril 2015

Respeita a minha vontade de te esquecer.


A minha memória nunca foi muito boa, confesso. A minha irmã sempre brinca dizendo que o meu passado é um borrão, porque eu tenho sérios problemas para lembrar das coisas, desde as mais bobas até mais relevantes e especiais. Eu não lembro o que comi ontem tanto quanto não lembro qual foi o dia em que dei o meu primeiro beijo - e olha que foi com o meu primeiro amor. 

Mas eu me lembro exatamente do dia em que a gente se conheceu. Lembro, como se tivesse acontecido há alguns minutos, da primeira vez que você disse que me amava e eu fiquei reação. Lembro da nossa primeira briga, da primeira vez que você chorou por minha causa e da última vez que senti o gosto do seu beijo. E eu que nunca tive problema em sofrer por causa de lembranças, estou tendo que aprender a conviver com seus vestígios por aqui.

Mas eu nunca te culpei por ter ido embora, você sabe. Também nunca implorei para que você ficasse, nem joguei seus erros na sua cara. Aprendi a aceitar que o amor acaba, que as pessoas mudam, que nem tudo é como eu quero que seja. Eu chorei, mas quietinha e nem te contei. Mesmo quando doía reviver todos os nossos detalhes, o meu drama foi sem plateia, meu sofrimento partilhei somente com aquele bichinho de pelúcia brega que você me deu no meu aniversário. 

Só que você decidiu dificultar as coisas não me deixando em paz, não seguindo firme com a sua própria decisão. O que você tem na cabeça, afinal? Eu te esperei, você sabe. Eu te aceitei de volta diversas vezes, mas nós dois sabemos que ficar de vez não é o que você quer de verdade. Sou teu porto seguro, mas você não me oferece segurança nenhuma quando aparece aqui na minha porta. Eu me entrego e você só me dá pedaços teus.

A questão é que eu te amei demais, mas eu nunca fui e nunca serei burra. Sei muito bem que conviver com a sua ausência é infinitamente mais fácil do que aceitar você pela metade. Dói, mas a vida segue. E se tem uma coisa que eu aprendi nessa minha vida foi a ter paciência. A página sempre vira. Novas histórias sempre substituem as antigas. Sendo assim, me respeita.

Não vem mais, não fala mais, não me desgaste mais, por favor.

Eu respeitei a sua vontade de ir embora, respeitei o seu jeito imprevisível e a sua decisão inesperada. Por isso, respeita a minha vontade de te esquecer. Respeita a minha vontade de reaprender a ser feliz sem você do meu lado. Respeita o meu novo amor (próprio).

16 abril 2015

De passagem

O mundo dela lançando doçura na amargura do meu...


06 abril 2015

E esse texto não é sobre você, mas sobre mim.


Eu assumo: te esperei. Caramba, como eu te esperei! Idealizei nossas possíveis reencontros, suas falas e meu discurso. Imaginei um novo futuro para nós dois, perdi noites de sono sonhando acordada e sofrendo calada. Vivi ansiosa por uma ilusão que eu mesma tinha criado. Porque a verdade é que eu não queria desistir de você e dos nossos planos, mesmo que eles já estivessem totalmente fora de alcance.

Sabe o que é, eu sempre tive um apego um pouco ridículo pelos meus sentimentos e lembranças, por isso tudo sempre me parece maior do que realmente é. O meu passado, o meu presente e o meu futuro não são tão claros e organizadinhos como deveriam ser, essa é a verdade. Misturo tudo, sinto muito e em parcelas, me confundo toda na ordem cronológica da minha própria vida. E, por esse motivo, assumo que nunca tive total certeza de quais eram os meus sentimentos por você depois de tudo que tinha acontecido. Morria de medo de esbarrar contigo e parecer uma boba, perder a fala e ter que reviver tudo o que eu finalmente estava conseguindo deixar para trás, ao mesmo tempo em que tinha certeza de que havia superado. Dá para entender? Sei que não. Mas hoje eu estou finalmente começando a me policiar e ter um pouco mais de controle sobre eu mesma e o que eu sinto.

Porque o que acontece é que a gente muda, não é? A gente cresce, querendo ou não. O tempo foi passando e eu comecei a te enxergar com outros olhos, outra cabeça, outra pessoa. E a cada novo detalhe que eu ia desvendando, mais decepcionada comigo e com você eu ia ficando. Logo eu, que adorava distribuir conselhos. Logo eu, a razão em pessoa, fechei tanto os meus olhos para os seus erros. E foi foda para aceitar que eu tinha falhado, mas só mais tarde descobri que isso era necessário para o meu amadurecimento. Eu precisei enxergar verdadeiramente e vivenciar a decepção por completo para que a dor finalmente perdesse o seu espaço na minha vida. Como se eu fosse desintoxicando aos poucos, me sentindo pura, livre de todo um peso e mais minha a cada dia.

E eu sabia que era questão de tempo, por isso, após um ano sem ter notícias suas, acabamos nos encontrando. Felizmente as coisas tinham mudado, felizmente eu tinha sofrido pra caramba, mas aprendido ainda mais. Você estava com uma camisa que eu já conhecia e um tênis que eu te ajudei a escolher. Também sorria do mesmo modo despreocupado e cínico, mas estava acompanhado da sua nova namorada - muito bonita, por sinal. Nossos olhos se encontraram diversas vezes e o ambiente era muito familiar para nós dois. Mas a verdade é que eu não te reconheci - o meu coração nem sequer descompassou.

E foi naquele dia, que eu pude perceber que você não tem mais lugar no meu mundo. Você não cabe mais nos meus planos, objetivos e desejos. Por mais que eu tenha demorado a aceitar isso, nos perdemos e diferenciamos há muito tempo - quando ainda andávamos de mãos dadas. Fomos por caminhos opostos e eu agradeço por isso. Não fico contente pelo nosso fim, pois nenhum final é de fato feliz se ele acaba com alguém magoado, mas acabou tudo dando certo. Não sei para você, mas com certeza para mim. 

E esse texto, gostaria de deixar claro, não é sobre você, mas sobre mim. Não é sobre como você deixou de merecer o meu amor, mas como percebi que eu certamente merecia mais. Não é sobre o tempo que perdi te amando, mas a respeito de todo o amor que ganhei por mim mesma. Não é sobre como você mudou, mas como eu evoluí durante todo esse tempo. Entende? O foco sou eu. Mudei e não foi por causa de um novo amor, muito menos tem a ver com algum fantasma do passado. Foi tudo por mim - o maior e melhor motivo para que eu transformasse e recomeçasse a minha vida.

20 março 2015

Com você descobri a calma.


























A verdade é que eu tinha uma armadura que já estava virando minha segunda pele, uma proteção inconsciente e que fugia do meu próprio controle. Bloquear qualquer aproximação, fugir de todas as oportunidades, virou questão de sobrevivência. E isso funcionou durante um longo tempo. 

Até que você chegou e conseguiu destruí-la da maneira mais bonita e simples que existe. Sem forçar a barra, sem me assustar e, principalmente, sem ter que arrancar parte de mim para também arrancá-la. Foi na conversa, no cuidado, nas atitudes. Foi quando teve paciência. Quando não fugiu, mas entrelaçou a sua mão na minha. Quando aceitou o meu passado, enquanto me propunha um novo futuro.

Com o tempo e sem perceber, você tinha se tornado o meu esconderijo, o meu refúgio. Conseguia me esconder do mundo, quando pensava em você. Quando lembrava de você. Quando sentia você. Porque você me trouxe pensamentos e sentimentos leves. Era fácil me perder de todo o resto e me encontrar em nossos momentos.

E eu que sempre fui ansiosa, com você descobri a calma. A simplicidade e o valor de viver cada encontro, cada conversa e cada beijo. Você me mostrou que o amor é grandioso nas pequenas coisas e eterno em cada minuto. O futuro nada mais é que uma ilusão, uma miragem e uma provável decepção já que não temos absolutamente nenhum controle sobre ele - apenas uma singela influência.

E, por isso e independente disso, acredito na gente. Acredito no nosso sentimento, na nossa cumplicidade e na amizade que construímos. Acredito quando a gente sorri sem motivo. Acredito quando estamos deitados, sentindo a nossa respiração sincronizada. Acredito quando sou a primeira pessoa que você procura quando tem alguma novidade boa ou ruim. Acredito quando dividimos uma pizza no sábado a noite assistindo a um filme ruim e consideramos a noite perfeita. Acredito quando nossas mãos se encontram na escuridão do quarto. Simplesmente acredito e espero. Rezo e não me desespero

06 março 2015

Foi tudo, menos amor. Amor-próprio.


Sinceramente eu assumo: eu errei. Assumo porque hoje não importa mais qual de nós dois foi o que mais errou. Tenho a minha culpa e eu quero me livrar dela o quanto antes, sendo assim, eu grito, me exponho e me humilho. Eu errei. E entre as minhas falhas, sabe qual foi a maior? A ingenuidade. Fui boba, logo eu que já vivi tanto, com você eu me esqueci de tudo que já tinha aprendido.

Zero vezes zero dá zero, todo mundo sabe. Qualquer número vezes zero também dá zero. Logo, a sua zero vontade de fazer dar certo vezes a minha infinita teimosia em relação a você continua dando zero. O seu vazio somado aos meus medos não podiam dar em um saldo positivo, era óbvio. Mas eu insisti, não quis enxergar o que estava tão claro: éramos uma matemática difícil - números complexos, pessoas com saldos negativos. E eu que nunca fui boa nessa matéria, decidi me aventurar na mais louca equação que eu já tinha visto – muito pior do que as das provas do meu ensino médio. 

E esse é um texto sobre conhecer a nós mesmos, sabe? É sobre reconhecer nossos próprios limites, saber o nosso ponto fraco e aquilo que mais precisamos no momento. Eu precisava ser cuidada e você não estava disposto a se sacrificar. Eu precisava de alguém que pegasse na minha mão e me levasse porta a fora, mas você preferiu se acomodar no meu mundo e não me salvar. 

Só que o amor é tentador, e sabe como se tornar irrecusável... A gente se sente invencível, esquece que a realidade é um pouquinho mais dura que o mundo dos sonhos. Esquece que o amor é um conjunto de muitos e muitos pontos, não apenas borboletas no estômago, meia dúzia de risadas e pronto. Mas mesmo eu sabendo que tinha tudo para dar errado, decidi insistir um pouco mais. Só que deixar de lado quem nós somos é deixar de lado também a nossa felicidade.

Por isso, voltando ao ponto de reconhecer, sei que se eu tivesse aceitado toda essa nossa incompatibilidade desde o início, talvez não tivesse doído tanto quanto doeu. Talvez teria sido só mais uma história engraçada, mais um desencontro de tantos que já vivi e ainda vou viver. Mas não. Doeu muito porque eu fui teimosa, porque eu quis bater de frente com a realidade, quis fechar os olhos diante do que estava óbvio. E mesmo eu querendo muito que desse certo, fazendo até por dois, ainda assim, não dava para querer e fazer por você. 

Mas se eu me arrependo? De jeito nenhum. Aprendi na marra coisas valiosas. Hoje eu sei que foi capricho, foi idealização, foi masoquismo, foi burrice, foi tudo, menos amor. Amor-próprio. Mas agora eu o recuperei, agora eu sei que não posso mais renunciar às minhas prioridades por ninguém. Sei que entrar num relacionamento desigual é abrir mão de mim mesma e quando isso acontece, é claro que não vai valer a pena.