22 fevereiro 2016

Me sinto patética e incrivelmente adulta.


Eu queria dizer que estou preparada para tudo que está por vir. Eu queria dizer que não tenho vontade de fugir e me esconder. Mas eu sou sincera até com as minhas fraquezas, por isso, se quer mesmo saber, eu estou apavorada. Em um momento, a vida parece que não está andando e em outro parece que está mudando mais rápido do que eu consigo acompanhar, como se eu não estivesse tendo oportunidade de refletir sobre o que está acontecendo ou para onde estou indo. Estou sendo levada, arrastada... Para falar a verdade, sinto mesmo que estou levando caixotes, sabe? De uma onda maior que a outra.

Até ontem, a minha maior preocupação era com a minha prova de Química. Até ontem, eu chorava porque o meu namoradinho estava conversando com uma outra menina no recreio. Até ontem, eu tinha medo sim. Tinha muito medo dos meus pais descobrirem que eu não tinha ido à casa da minha amiga, mas a um show de uma banda que nem existe mais.

Olhando assim, me sinto patética e incrivelmente adulta. 

Afinal, faz um bom tempo que eu não preciso mentir para os meus pais, visto que eles me dão mais liberdade do que eu realmente queria. Faz um bom tempo que eu não sei o que é chorar por causa de alguma bobeira amorosa. Mas tudo bem, não faz tanto tempo assim que eu me matei de estudar para uma prova, só que foi na faculdade.

É que hoje em dia as minhas prioridades, mesmo sem querer, são outras. Eu não tenho mais o tempo de antes, até então o futuro nunca tinha sido tão assustador e a minha cabeça nunca tinha girado tanto por conta de preocupações. Sinto que preciso fazer escolhas decisivas a cada segundo e, caramba, escolher é apavorante. Porque geralmente quando dizemos sim a alguma coisa, consequentemente também estamos dizendo não a uma outra, e a gente nunca tem muita certeza do que está fazendo né? O coração aperta.

Mas uma vez eu ouvi que a gente tem que ter coragem. Eu não sei bem o que isso significa na prática, tenho somente a visão romantizada da palavra, e eu também não sei se eu sou capaz de tê-la, mas de alguma forma, eu continuo tentando. Cansada e meio desajeitada, eu me levanto de cada caixote, tomo fôlego e mergulho novamente no mar. Num mar de possibilidades, de chances de dar errado, mas também com grandes chances de que eu aprenda a nadar. 

01 fevereiro 2016

O que sobrou ficou leve e você, no passado.


Primeiramente preciso dizer que esse é o primeiro texto que eu escrevo que eu realmente gostaria que você lesse. Engraçado né? Até os outros em que eu dizia estar bem e te menosprezava, no fundo, eu preferia que você não tivesse conhecimento dos meus sentimentos - sendo eles verdadeiros ou não. Mas esse sim.

Minhas memórias, finalmente, não são mais tão claras e só me lembro do necessário. Lembro da gente dançando em um show ruim e de você me pedindo em namoro no meio de um monte de desconhecidos. Lembro da primeira vez em que dormimos juntos e que na verdade, eu não dormi coisa nenhuma. Lembro do dia que você me disse que não me amava mais. Lembro de muito choro e de te odiar por bastante tempo.

Levou um tempo para que o meu coração se reorganizasse, mas a vida sempre arranja um jeito de colocar tudo no lugar, mesmo que inicialmente a gente não entenda para qual caminho ela está nos levando. Hoje estou bem, conquistei coisas que não conquistaria ao seu lado e me tornei uma pessoa que não teria sido possível se estivesse com você. Tô mais madura, um pouco mais cética, mas incrivelmente feliz com um novo amor.

Eu ganhei muito parando de te culpar pela minha infelicidade e finalmente fazendo algo por mim. Eu ganhei muito quando transformei o ódio em força. Porque foi assim, devagarzinho, que mudei a minha visão sobre o que eu fui, o que você foi e o que nós fomos. E, dessa forma, o que sobrou ficou leve e você, no passado.

E a verdade é que eu me arrependo de muitas coisas, mas a maior delas, foi não ter tido maturidade para encarar o nosso fim. Poderia ter sido mais fácil se eu tivesse enxergado as coisas como elas são: sentimentos não são controláveis e nem tudo que a gente quer é o melhor para nós. Sem entrar no mérito de você ter agido de forma justa comigo ou não, afinal, sabe lá como eu agiria no seu lugar. 

Por isso, antes eu não conseguia dizer, mas hoje eu consigo (e quero): boa sorte. Boa sorte na sua carreira, no seu relacionamento, na sua vida como um todo. Não desejo que nos tornemos amigos, mas espero que um dia a gente se esbarre por aí e o sorriso seja recíproco. Sem orgulho e sem mágoas.