17 novembro 2016

Falta espaço pra você na minha vida - e nos meus textos.


Tô aqui olhando para a tela do computador há alguns minutos. Você tá na minha cabeça e eu quero escrever um texto sobre você. Quero falar da época em que tudo se encaixou e nem passou pela minha cabeça que teríamos o fim que tivemos. Quero falar da época em que fizemos planos e você parecia ser o cara certo.

Mas eu me acostumei a falar sobre a dor que você me deu, depois que decidiu ir embora. Meus melhores textos foram contando sobre as minhas tentativas falhas de te esquecer. Amava sentir cada pontinho de angústia se transformar em verso. Por isso, tô aqui tentando fazer mais um texto  sair do forno, sabe?

Mas a página do Word permanece em branco. 

Não que eu não tenha boas e más lembranças quando o assunto é você e eu poderia sim falar sobre elas; não que eu tenha perdido a inspiração, porque é exatamente o contrário. Tenho tanta coisa nova para contar! Tô conhecendo gente, sentimentos, lugares. Tô me conhecendo, descobrindo novos gostos, sons e sensações. Tô aprendendo a ser menos medrosa e muito mais curiosa.

E no meio disso tudo, falta espaço pra você na minha vida - e nos meus textos - hoje em dia.

E assim, eu descubro que esse não-texto é o meu texto de despedida. O que eu tinha para escrever enquanto estava feliz com você, eu escrevi. O que eu tinha para colocar para fora, quando tudo o que sobrou foi dor, eu vomitei. Mas agora é o momento de deixar vir o novo. Nada é mais sincero do que a minha inspiração, eu pulso em função dela. Se ela não está mais ligada a você, sinto que meu coração também não. É hora de me libertar. E te libertar das minhas entrelinhas.

04 novembro 2016

Amar é sobre querer ficar.


Não gosto de categorizar o amor como fácil ou difícil. Tudo é circunstancial e nós estamos falando de pessoas, de sentimentos, de rotina.

Só que é fácil amar o outro enquanto ele lhe faz uma surpresa no meio da semana. É fácil amar no silêncio da noite, encaixados um ao outro. É fácil amar quando ele sorri e durante as conversas intermináveis sobre política e temas banais. É fácil amar em um dia de Sol na praia tomando água de coco e batendo fotos para postar no instagram.

Mas é difícil, não é? É difícil amar quando ele está com a cara emburrada na frente dos seus amigos e você nem sabe o porquê. É difícil amar quando está cansada do trabalho e ele quer ficar conversando sobre algum assunto que não te interessa. É difícil amar quando ele esquece aquele compromisso que você falou mil e uma vezes.

Na verdade, o amor em si é muito simples. Você sabe que ama aquela pessoa e pronto. Não tem mistério, perceber e assumir o que sente é até leve.

Mas além disso, amar é convivência. É qualidade e defeito. É insistir e ceder. É dia bom e dia ruim, às vezes as duas coisas em 24 horas. É abraço apertado e saudade que dói. É estresse, é calmaria, é briga e muita risada.

E é justamente por esse emaranhado de momentos e sensações que as pessoas se perdem. É pelo medo ou por subestimar que a gente se engana com a ideia de amar. Não é tão difícil quanto dizem nem tão fácil quanto a gente gostaria, é um pouco mais óbvio que isso: é tudo uma questão de querer fazer dar certo. 

Entre limitações e suas superações, amar é sobre querer ficar e cada vez mais evoluir - juntos.