29 janeiro 2015

Quando a mudança interna acontece...


Oi, quanto tempo! Claro, pode entrar. Não repara a bagunça, mas estou mudando algumas coisas por aqui. Alguns móveis trocaram de lugar e outros deram lugar aos novos. Vai perceber que a parede do banheiro não está mais descascando e eu também pintei aquela parede ali do cantinho da sala de roxo. A cama do nosso antigo quarto não é mais de casal, percebi precisava de um canto sem vestígios seus. Daí comprei uma dessas que chamam de viúva, sabe? Grande para uma pessoa só, mas um pouco apertada para um casal. Bem, eu considero ela perfeita para mim.

Se eu pintei o cabelo? Fiz algumas luzes, jura deu para perceber? Tentei ser discreta e ainda não me acostumei. Também fiz um alisamento louco e moderno há algumas semanas, por isso ele também está mais domado que o normal. E eu emagreci, é verdade, mas estou voltando a ganhar peso rápido até demais, desde que abriu uma nova pizzaria aqui na minha rua.

Tudo bem, sem mais enrolação, vamos logo ao que interessa. Se eu pensei sobre você merecer uma nova chance? Sim, pensei. E você merece, todo mundo merece, não é o que dizem? Mas não mais comigo. Não mais depois das diversas que eu te dei. Quem sabe você não acerta com outra mulher? Desejo do fundo do meu coração que você tenha mesmo aprendido a lição como está me dizendo. E, por isso, talvez ela tenha mais sorte que eu. Talvez. 

Sabe o que é, não tenho nada contra quem volta uma, duas ou dez casas no tabuleiro da vida, afinal, quantas vezes eu mesma já não me permiti dar voltas e mais voltas no mesmo lugar? Só que esse tempo longe me fez perceber que sou eu quem faço a minha vida andar. Eu que tenho que virar a página, eu que tenho que começar a caminhar, caso contrário, nada vai acontecer. Nada vai melhorar.

A gente fica tentado a recuar, porque é tão mais fácil se render a reviver algo do que arriscar o novo né? As pernas tremem, o coração quer se fechar às novas oportunidades... Porque demora, como demora para a gente se acostumar! Mas tudo se ajeita, tudo se adequa. Basta ter paciência e, mais do que isso, basta ter amor-próprio. 

Foi exatamente por isso que eu mudei. Mudei a forma como encaro a vida, mudei a forma como me encaro em frente ao espelho e ganhei coragem para continuar a mudar tudo que ainda é preciso. E quando a mudança interna acontece, tudo a sua volta também deve acompanhar essa mudança, senão acaba perdendo espaço para algo melhor e mais compatível com a nova realidade. E isso, inevitavelmente, inclui mudança no elenco também.

15 janeiro 2015

Não sou tão forte quanto eu realmente queria ser.


É engraçado que escritor tem a mania de sair dando conselhos que muitas vezes nem segue. De contar histórias e falar de um ponto de vista que mais queria que fosse o seu do que realmente é. De criar um personagem e acreditar que é real. E estou dando voltas só para dizer que já escrevi muito sobre certas coisas que só depois de ter vivido de verdade que eu percebi a besteira que eu tinha falado. Ainda dá tempo de me desculpar?

É que escrever é o meu jeito de falar o que sinto e penso. E dessa forma, quantas vezes não falei algo sem pensar? E quantas vezes o meus sentimentos estavam tão confusos que nem eu mesma consegui decifrar da maneira correta? Vivo me confundindo entre o que eu quero sentir e o que realmente eu sinto. Quero ser mais forte do que realmente eu sou, quero amar muito mais do que realmente eu amo, quero ser mais racional do que o meu coração me permite.

Minhas fraquezas eu tento esconder para incentivar e servir de inspiração, mas talvez essa seja a forma mais boba e mais burra de seguir em frente. Talvez o jeito certo seria enfrentando, reconheço, mas eu sou covarde. Olhar para o meu ponto mais fraco e mais doído me causa calafrios. Não suporto aceitar que, mesmo sendo realmente uma pessoa realmente decidida, não consegui decidir ainda sobre essa parte da minha vida. Repito: Não sou tão forte quanto eu realmente queria ser.

O lado bom é que eu me inspiro em mim mesma. Ao mesmo tempo em que escrevo muitas vezes uma idealização do que eu queria ser, isso só me lembra que eu tenho que continuar tentando. Se eu vou alcançar essa "perfeição" e seguir realmente todos os conselhos que eu já escrevi? Tenho certeza que não. Mas pretendo chegar perto. Bem perto.

Escrevo para os outros, porque com as palavras, acredito que tenho o poder de tranquilizar e ainda melhorar pessoas e vidas. Mas escrevo, principalmente, para mim mesma. Antes de melhorar o mundo, tenho que começar aqui dentro. É um (longo) processo que acontece de dentro para fora. E eu faço disso uma terapia que é individual e em grupo - que cresce a cada vez que alguém me lê.

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