21 novembro 2013

Carta a ele.


Oi Pedro,

Não esperava encontrar uma carta sua em meio ao amontoado de correspondências aqui de casa. Foi uma surpresa boa, confesso. As coisas estão muito bem na minha vida, voltei ao Brasil há menos de duas semanas, por isso, demorei a responder.

Ao terminar de ler a sua carta, parei para pensar no quanto o amor vai muito além de sentir borboletas no estômago. Ele é cruel e doloroso, obriga-nos a ser mais forte do que imaginamos ser e no final, ainda assim, sobram boas lembranças.

Você se lembra quando eu te falei que nunca havia sofrido tanto por alguém, dias antes de embarcar? Meu coração precisava te dizer aquilo. Desculpe se te magoei, mas hoje eu posso dizer que são os opostos que o amor nos proporciona. Eu te amei como nunca havia amado também. E quando nos perdemos, o sofrimento inédito seria inevitável.

Ainda me lembro da sua voz, mesmo que vagamente. Ainda me lembro do quanto adorava andar de toalhas pela casa e a cada dia fazer uma nova dança engraçada para mim, enquanto eu tentava terminar de escrever algum conto novo. Ainda me lembro do quanto sorríamos juntos. Era constante, era simples.

E por isso até hoje ainda não entendo o motivo pelo qual terminamos. Se é que teve um motivo, único e crucial, além de uma junção de pequenas coisas, como você mesmo disse. E ainda assim, concordo com você quando diz que foi o melhor.

Dentre diversos motivos, foi melhor porque eu pude fazer aquela viagem que eu tanto sonhava e você nunca se interessou. Melhor porque eu encontrei o Fernando. Você deve ter visto no Facebook. Terminei o meu roteiro de viagem com ele e ainda acrescentamos lugares novos. Ele adora ler todos os meus textos, coisa que você tinha preguiça e eu sabia porque comentava as mesmas coisas de todos eles.

O Fernando também me faz sorrir e ainda fez aparecer o meu lado maduro. Ele me incentiva em tudo que eu faça ou sonhe fazer, ele acredita mais em mim do que mesma e eu precisava de alguém assim ao meu lado. Eu precisava de alguém maduro.

Por fim, obrigada, eu devo dizer, você foi o amor mais alegre e bobo que eu tive.

E obrigada, finalmente, por ser uma lembrança carinhosa que eu guardarei para sempre.

Melhor que não responda essa carta. Deixe como está.

Se cuida e juízo.

Flávia. 

16 novembro 2013

Um dia como autora.


A semana passou lentamente. Mais que isso, se arrastou, parecendo brincar comigo e com a minha ansiedade. Foi nessa semana que algumas pessoas próximas a mim descobriram a minha paixão por escrever. Porque eu não fazia muita questão de espalhar aos quatro ventos, afinal, eu nunca soube bem onde encaixar a frase ‘eu escrevo’ em meus diálogos.

E quando chegou o dia anterior (o dia em que eu viajaria), eu não estava mais nervosa, porque mesmo com a pequena mala já pronta e a animação de minha família, a ficha ainda não tinha caído.

Foi quando deu 02:30 da manhã e o ônibus enfim saiu da rodoviária que eu provavelmente acordei. Eu estava com um fone no ouvido, mas sem prestar atenção na música que tocava, porque muitas coisas passavam pela minha cabeça. Eu decidi reler o meu conto e o fiz umas três vezes e em cada uma delas ficava mais insegura. O que iriam achar dele? Nunca me achei boa suficiente, no entanto, as coisas estavam começando a acontecer para mim... Só que cada exposição é um risco, não é? Podem ser ouvidas críticas boas e ruins. Maldosas e incentivadoras.

Eu olhava a minha irmã ao meu lado dormindo tranquilamente. Meus pais conversavam baixinho para não acordar os outros passageiros. Vez ou outra sorriam para mim, mas eles não faziam ideia do quanto eu estava em pânico. E eu sorria de volta, mas em seguida retornava para o (nada) aconchego da minha poltrona. Nessa hora senti falta do meu namorado e do seu peito que é o melhor travesseiro e calmante para mim. Por motivos que eu juro que entendo, não pude tê-lo comigo nesse momento importante da minha vida. O que ficou combinado que ele estaria presente em todos os outros daqui para frente - sem exceção.

Peguei um livro qualquer para ler, mas me faltava concentração. E eu, como amante da leitura, não me permitiria passar voando pelas páginas. Desisti. Várias vezes. Forcei o sono, comi besteiras e ainda escrevi no bloco de notas do celular. Qualquer coisa que fizesse o tempo passar sem que eu percebesse, mas nada foi suficiente e eu passei grande parte da viagem acordada.

Quando enfim os meus pés tocaram o chão de São Paulo, o frio na barriga se tornou mais intenso. Era cedo e por isso, eu e minha família fizemos alguns passeios turísticos pela cidade. 

Mais horas se passaram e quando o relógio bateu as 13:25 eu já estava no local onde aconteceria o lançamento do livro. O meu coração estava a mil e eu só conseguia caminhar se fosse bem lentamente. Maravilhada e embabacada, percebi que havia chegado o tão esperado momento quando encontrei alguns outros autores que eu já conhecia pela internet acompanhados de seus familiares e vi diversos pôsteres dos livros a serem lançados espalhados pelo lugar. Meus olhos brilhavam.

Participei de uma palestra interessante sobre o mercado editorial, pude conversar com autores iniciantes e autores que já estão nessa estrada há algum tempo. Desfrutei de um ambiente em que o assunto principal eram livros, escrever, sonhar e não desistir. Eu me sentia em casa. Autografei exemplares de outros autores e ainda de pessoas que simplesmente se interessaram pelo livro. Recebi muitos elogios e palavras de carinho, além de abraços e ter experimentado de uma experiência única e incentivadora.

Saí de lá já era noite e eu estava muito cansada da viagem. Mas eu estava feliz. Realizada. E definitivamente certa do que eu queria fazer da vida: escrever. E dessa forma, emocionar pessoas, fazê-las sentir mais intensamente seus sentimentos, sem medo e sem vergonha. 

11 novembro 2013

Serviu de lição.


As pessoas vivem se perdendo uma das outras, já cansei de ouvir histórias. Mas eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer com a gente. Sabe, éramos o casal perfeito. Não estereotipado, mas até nós mesmos nos enxergávamos assim. Porque tínhamos defeitos, mas levávamos muito bem todos os problemas. E foi assim por dois anos. Dois lindos e memoráveis anos.

Até que nos perdemos. Assim, do nada, num piscar de olhos. Estávamos distantes um do outro, mas vivíamos nos esbarrando. Como se a casa tivesse se tornado pequena demais para nós dois. Como se precisássemos de mais espaço. Logo a gente que vivia grudado para cima e para baixo, logo a gente que adorava dividir uma cama de solteiro...

Até hoje eu me pergunto como foi que aconteceu. Erro meu? Erro dele? Nunca soube. Nunca encontrei uma resposta plausível, a não ser, erro dos dois. Pequenos, mas sucessivos. Minúsculos, quase invisíveis aos olhos. Mas completamente reconhecíveis pelo coração - aquele que sempre vê além. 

As pessoas dizem que “se existe amor, tudo supera”, mas nem tudo, hoje eu sei. O amor não existe sozinho, não aguenta, não tem força. O amor é um conjunto, o sentimento em si (que muitas vezes nasce sem motivo) só sobrevive nutrido por atitudes e palavras. E nos faltou atenção e cuidado.

Mas serviu de lição, daquelas que a gente só aprende vivendo, sabe? Daquelas que a gente só entende depois que passa e sobra somente a culpa e a saudade.

05 novembro 2013

Uma das melhores sensações do mundo.


Dia desses, encontrei com um rapaz pelo qual fui apaixonada durante todo o meu ensino fundamental. Ele nunca foi lá grande coisa, mas o amor a gente não escolhe né? E nós, meninas, temos a mania de gostar de quem não gosta da gente. Simples assim. É moda, é o assunto, é o que faz as meninas serem fortes mais para frente. E esnobar aos mesmos.

Foi na festa de um amigo nosso, que eu não sabia que era amigo em comum. Vi de longe, mas fiquei na dúvida se era ele mesmo. Francamente, ele usava uma bermuda que cabia dois dele e um tênis que eu me recuso a chamar de branco. Tinha uma tatuagem enorme de dragão no braço e eu sempre me perguntei qual o motivo de alguém tatuar um dragão. Usava boné, isso mesmo, boné. Em uma festa. À noite. Desculpem aos adeptos, mas para mim não existe coisa mais ridícula. E para fechar com chave de ouro, estava segurando dois cigarros na mão. Dois.

Quando me viu, me observou por alguns segundos e logo veio em minha direção. Eu queria fugir. Não porque o meu coração acelerou, não porque me remetia a uma época distante, mas por vergonha mesmo. ‘Coé, você não é a Maria?’, por um segundo eu pensei em responder que não. Mas me permiti fazer um sim com a cabeça. E ele começou a me perguntar sobre o que eu estava fazendo da vida e a conversa desenvolveu timidamente.

Mas querem que eu conte? Eu conto. Ele se deu férias, por um tempo, pois tinha acabado de se formar. O que já deixa claro que repetiu alguma vez por aí, porque ninguém “acaba de se formar” com vinte anos. E por isso aproveita a vida indo a sociais com os amigos e conhecendo mulheres. Sim, ele disse exatamente com essas palavras. Ainda bem que estava no início da noite e eu nem tinhaa começado a beber, se não teria sentido o meu estômago revirar.

Resumindo, lógico que ele deu em cima de mim. Não que eu seja um mulherão, mas melhorei muito desde quando eu tinha treze anos. E ele iria adorar contar aos outros seres, de mesma mentalidade que a dele, que me "pegou" na melhor fase.

Eu sei que eu não sou superior a ninguém e é até pecado que eu faça uma observação dessas, mas reencontrar um amor antigo e ainda sair por cima, é uma das melhores sensações do mundo.


04 novembro 2013

Resultado da promoção!

Oi gente querida, hoje eu trago o resultado do sorteio do livro Amores (Im)possíveis em que eu participo com um conto!!

E a sortuda foi..................


Vivian!!
 
Parabéns a vencedora! Entrarei em contato por e-mail e Facebook e se após 48 horas eu não receber nenhuma resposta, farei um novo sorteio!

Obrigada a todos que participaram!! Em breve teremos muitas outras promoções =)

Beijos,