29 maio 2013

É só a espera que é demorada.


Ela acordou mal humorada, mais uma vez. É mais comum do que acordar sorrindo, na verdade, nem se lembrava da última vez que isso acontecera. Enrolou na cama o máximo que pôde, mas não teve jeito, afinal. Reclamou do cabelo, do dia que estava chuvoso, da falta de café no armário. Saiu escada a fora, reclamando do elevador que estava em conserto. Reclamou da demora – comum – do ônibus, e foi assim pelo resto do dia. Tem sido assim.

Ninguém entende, pelo contrário, só criticam o seu jeito tão sério de levar a vida. Ninguém pergunta ou se interessa. Ouço até dizerem que ela nunca vai arranjar alguém. Mas ela sabe o porquê de ser assim, sabe que isso foi consequência inevitável. Sabe que quando a gente perde a última coisa que queria perder na vida, tudo se torna mais amargo. O problema é que nunca fez questão de explicar a ninguém, afinal, o que poderiam fazer para ajudá-la?

Dá o melhor de si no trabalho, talvez dê tudo de si. E deve ser por isso que já foi promovida algumas vezes durante os últimos anos que passaram. Como se isso fosse fazê-la se sentir tão melhor. Volta pra casa com o mesmo sentimento que acorda e passa o dia. Esconde-se de uma dor natural de quem deixa ir embora o motivo de sua felicidade.

No final de semana almoça na casa da mãe, revê as irmãs e os sobrinhos. Não sente inveja, que fique claro, só pensa que poderia também ela estar ali com uma menininha no colo e um marido ao lado. Só pensa que se não tivesse sido burra isso seria uma realidade. Mas já passou, aprendeu e continuou a vida.

Continuou dessa maneira meio rabugenta, mas no fundo também meio esperançosa. Vive dizendo por aí que está cansada de tudo, mas é só a sua maneira de dizer que está cansada de esperar. Esperar que ele volte pra sua vida. O amor e tudo mais.

27 maio 2013

Amar além da distância.

Antes de lerem, escutem a música. Essa música traduz todo o sentimento que o meu texto quer passar.


Se distância fosse empecilho para alguma coisa, diversas terras não teriam sido descobertas. O telefone não existiria e as cartas muito menos. As pessoas só conversariam com quem morasse até 100 metros de sua casa. Então, por favor, não me diga que não tem futuro. Porque o meu coração aperta, fica do tamanho de um grão, mas só de falar contigo, ele explode. Um torpedo para dizer que mesmo longe se lembra de mim, um telefone antes de dormir para contar sobre o dia e no final de semana conversarmos pela webcam. Só preciso disso. A gente se vê de vez em quando até o momento que poderemos nos ver todos os dias. A gente se fala em determinadas horas até a fase em que vamos nos beijar porque faltará assunto de tanto conversarmos. A gente se contenta com palavras através da tecnologia até chegar as noites em que serão sussurradas ao pé do ouvido. Vai chegar, meu amor, eu sei que vai. Mas a gente não pode desistir. Tô pedindo a Deus em oração todas as noites, tô escrevendo textos para extravasar. Eu estou tentando de algum jeito fazer com que a espera não seja mais lenta do que deveria ser. Tenta também. Tenta ser feliz com o que temos hoje porque amanhã vamos ter muito mais. Tenta ser forte. Me ama daí que eu te amo daqui. Vai que o nosso laço fica bem apertado e estreita essa distância? 


24 maio 2013

Feliz de novo.

Que tal ler um texto, ouvindo uma música? Sempre que der, a partir de hoje, vou fazer essa junção (porque acho que não existe união mais perfeita!). As músicas terão a ver com a história descrita e talvez tenham até me inspirado. Espero que gostem da ideia. :)


Foi uma novidade boa. Eu sorri sem querer. Há quanto tempo isso não acontecia? Há quanto tempo eu vivia forçando os lábios a mostrarem o amarelo de meus dentes? Só fui perceber quando minhas bochechas de tão petrificadas que estavam, amoleceram facilmente. Ele disse alguma coisa sobre o homem que passou e eu sem nem olhar, sorri. Talvez fosse a entonação ou o gesto que ele fez. Ou simplesmente a forma como ele sorriu, me fazendo sorrir junto. A gente se despediu e eu fui para um lado e ele para outro. Ainda sorria, confesso. Mas não mais pela piada dele, mas por mim. Eu me sentia bem e impulsionada a viver. Não que eu tenha encontrado o amor da minha vida de repente e não é bem essa a questão, mas sim, que o muro caiu. Feito areia depois de tantos tentarem a força derrubá-lo. Não fez estrago nenhum e muito menos alguém parou para assistir a sua demolição. Mas eu senti, senti a luz entrar, senti o peso diminuir, senti vontade de conhecer o que ele estava escondendo. Eu sorri. Sorri pra mim, pro carinha bonitinho que tem me feito companhia em troca de nada há algumas semanas, sorri pra uma oportunidade. Oportunidade de ser feliz novamente.

20 maio 2013

Que seja sincero, afinal.



Eu estava de frente para ela, que me olhava com a sua cara mais, mais, deixa eu ver, mais pobre coitada do mundo. Me perguntou se eu não sentia saudades e quando eu iria procurá-la se ela não tivesse me ligado e marcado esse encontro. Bem típico dela, usando dos meus sentimentos...

Faz duas semanas que estamos separados. Nós tínhamos discutido pela quinta vez em três dias. Nunca isso tinha acontecido em onze meses que assumimos um relacionamento. E foi quando ela falou o que eu nunca quis ter escutado.

- Mariana, você me pediu um tempo e eu aceitei.

Ela me olhou como se isso fosse algo óbvio.

- Mas por que se eu te amo? Bem, porque eu sabia que você tinha, pela primeira vez, falado algo sério e da boca pra fora. Você nunca se permite dizer sem antes pensar. Sentir sem antes analisar. Viver sem antes questionar. E quando eu vi que isso tinha acontecido, bom, eu jamais ignoraria.

Ela continuou em silêncio, mas percebi que se assustou com a minha sinceridade. Só não demonstrava concordar com nada.

- Eu nunca ouvi de você um ‘eu te amo’ do nada, sem motivo e por simples vontade de dizer. Sabe aquele ‘eu te amo’ que interrompe a conversa e transforma o ambiente? Aquele ‘eu te amo’ de ‘vamos ficar bem? Não aguento mais brigar’. Também aquele de ‘eu te amo’ de, sei lá, bom dia, boa noite, bom almoço ou bom trabalho. Ok, estou querendo dar exemplos demais, mas é só pra você entender o quanto um ‘eu te amo’ pode ser usado. Mas você consegue poupá-lo nas horas necessárias e desnecessárias. Consegue aprisioná-lo tão facilmente que, por diversas vezes, eu cheguei a duvidar que você realmente sente isso. Se não está aqui, simplesmente, porque eu sou um cara legal.

- Não pode ser os dois? – Fui surpreendido com o seu comentário.

- Pode? Sou eu quem pergunto.

E eu sabia que ela não iria responder. Eu sabia que ela queria que eu implorasse ou coisa do tipo. Eu sempre faço isso e foi assim deixei que ela se acostumasse mal.

- É disso que eu estou falando. Coloca pra fora, Mariana. Se sente, por que não me diz? Me diz o quanto eu estou ridículo hoje ou talvez o quanto gostou da blusa que eu, estupidamente, ainda perco tempo escolhendo para você me achar bem vestido. Me diz se sou exageradamente grudento com você ou se você gosta quando eu te mando flores no seu escritório. Eu nunca sei se estou no caminho certo ou se ultrapassei a linha tênue entre ser romântico ou louco. Isso está me cansando, dificultando o que eu tento sempre simplificar.

Abaixei a cabeça, verdadeiramente, cansado. Eu não queria desistir, eu não queria que ela me desse um pé na bunda, mas um choque de realidade para ela e para mim se fazia necessário.

- Você está dizendo que não quer mais? – Me perguntou.

- Não se você não quiser. Não se você, pelo menos uma vez, demonstrar que sente por mim qualquer coisa parecida com o que eu sinto por você.

Seus olhos encaravam o meu, como se implorassem para que eu parasse de torturá-la, o que me destruía mais ainda. Como dizer que quer ficar comigo pode doer tanto? Que briga interior é essa que te afasta de mim mesmo que eu entre na luta? Eu tinha perdido as minhas forças e isso era a última que poderia acontecer. A última coisa que o nosso relacionamento precisava. Por que se não eu, quem teria coragem para nos salvar do fim tão próximo?

Permanecemos em silêncio por um tempo que eu não consigo distinguir. Longo demais, mas cada vez passando mais depressa. Me deixando aflito com o desfecho que teria a nossa conversa.

- Me dê a sua mão. – Ela me disse, de repente.

E ainda sem olhar em meus olhos, completou:

- Não desiste de mim, porque eu ainda não desisti de ensinar o meu coração a te amar do jeito que você merece.

E isso foi, do seu jeito, a maneira mais sincera de dizer que também me amava.

17 maio 2013

Homens no lugar de príncipes.

Eu nunca quis ter um príncipe. Príncipe me dá a ideia de um cara meio afeminado, sendo mais direta. Não que eu tenha algo contra caras vaidosos, mas quando é muito engomadinho, eu começo a desconfiar. Um príncipe parece ser meio fútil também, porque eles vivem andando a cavalo e não fazem mais nada. O que eles teriam para me contar? Que passaram a vida procurando a sua princesa? E mais, nunca ouvi falar que eles têm amigos, imagina viver um relacionamento exclusivo? Eu me cansaria logo. Sei lá, nunca me encheu os olhos mesmo. Agora pense em um homem. Homem mesmo, com mãos firmes, que pega com vontade, mas com jeito. Que fala besteiras, que bebe com os amigos, mas não abre mão da sua companhia, ali junto. Que passa o dia fora porque trabalha bastante, usa terno todo bem passado e cabelo bem aparado, mas quando chega em casa coloca uma camisa rasgada e um short bem largo. E se não reclamarmos, vai até ao shopping assim. E também já viveu tanto, tem tanta história engraçada que a gente nunca se cansa de ouvir. Esses fazem o meu tipo. Homem de verdade, carne e osso, cheiro, toque, coração, boca, defeitos e qualidades. E mesmo assim, quem disse que com esses eu também não possa viver um conto de fadas?

14 maio 2013

Sobrevivemos!


Acho que toda mulher precisa, pelo menos uma vez na vida, ter a oportunidade de desfrutar da companhia de um babaca. Umas gostam tanto que ficam além do tempo indicado... Mas o que eu estou querendo dizer é que é com esse tipo que mais aprendemos e junto, nos descobrimos. Obviamente a gente leva muita porrada no início, porque eles são uns atores.
Mas depois de muitas noites em claro, de varias sms não respondidas e de tudo aquilo que com certeza você, mulher, sabe bem, a gente sai dessa história diferente. Eu aprendi a reconhecer um cara desses e melhor, lidar com eles. Vai dizer que você não? São todos tão previsíveis! Desconfio que deve ter alguma escola escondida nos esgotos para aprendizes...
Além disso, descobri que sou mais forte do que pensava. Eu achava que toda noite era a pior, que toda ligação rejeitada era o golpe final pro meu coração parar, mas vejam só: Eu estou aqui. Você também. Sobrevivemos. Temos história pra contar, risadas pra desfrutar, lições aprendidas e estamos vacinadas – a maioria, claro. E mais, temos a nossa liberdade de volta. Liberdade pra procurar um homem de verdade e mantendo sempre um olho aberto e o outro fechado pra qualquer mera semelhança com o último cafajeste que esbarramos.

11 maio 2013

Minha única certeza.


Queridos, layout totalmente novo. O que acharam?

Massss vamos ao texto de hoje :)

A questão é mais profunda, mais íntima, mais minha. De repente me peguei fazendo planos pra mim e só meus. Pela primeira vez em tanto tempo descobri a leveza de sonhar e depender somente de mim para realizar cada sonho. Da transparência e confiança que se tem quando sabe com quem está lidando, quando conhece os envolvidos. É impossível – mesmo que o coração insista no contrário – conhecer por completo outra pessoa. É sério, não existe isso. A gente conhece o que ela diz e faz. Mas, sejamos sinceros, vivemos nos surpreendendo com nós mesmos, porque uma outra pessoa também não pode nos pegar de surpresa? E não estou querendo entrar no mérito do namorado sem caráter ou da namorada interesseira. Digo pessoas como qualquer outra que, em uma dessas voltas da vida, decide ir embora. E aí? Faz o que? Por isso, eu repito: A gente nunca tem certeza do outro. Porém, quando o assunto somos nós mesmos, aí a conversa muda de rumo. Porque apesar das ironias e confusões do destino, eu estou lidando com a única pessoa no mundo que eu sei, verdadeiramente, o que pensa e o que já viveu pra ser o que é hoje. Sei a índole, sei as vontades e os pontos fortes e fracos. Sei como lidar. Sei quando posso ou não contar. Não que seja fácil conviver comigo, mas, hoje, fazendo planos e tendo apenas a mim como companhia, percebi que se for pra confiar em alguém para me fazer feliz de verdade, ninguém melhor do que eu mesma. 

08 maio 2013

Mais minha.


Eu gostaria que você soubesse que eu não tenho mais vergonha de sair para uma boate qualquer e dançar no meio da pista até meus pés pedirem que eu pare. Também tenho arriscado a me vestir melhor, olhar várias lojas de roupa e sapatos que combinem. Você ficaria surpreso. E orgulhoso, tenho certeza. Gostaria que ficasse sabendo que eu ainda como brigadeiro todo final de semana, mas não vejo mais filmes românticos que você achava adolescente demais. Quando me dei conta dessas coisas, pensei em te ligar ou simplesmente te mandar um torpedo. Mas fui digitando o seu número e que estranho! Não tinha certeza se era esse mesmo. Faz tanto tempo que eu não te procuro que eu nem percebi que seus detalhes já estavam sendo esquecidos. Engraçado, nunca pensei que esse dia chegaria, porque eu temia as mudanças. Temia que eu me afastasse do nosso passado e da pessoa que eu era quando estávamos juntos. E mesmo tendo feito de tudo para que isso não acontecesse, aqui estou eu. Não que eu queira apagar você da minha história, porque se hoje estou muito mais minha, foi porque você me ensinou a ser assim, quando isso era a ultima coisa que eu queria. Mas hoje, vendo cada uma dessas pequenas conquistas, eu percebo que finalmente estou disposta a ter uma nova identidade para viver uma nova vida. Sendo inteiramente eu, espectadora de mim mesma, personagem principal da minha história.

05 maio 2013

Desapega!


A moda agora é ser desapegada. Pois se for assim, eu sou desse jeito. Só que eu sou desapegada de mim também. Não penso duas vezes antes de me entregar a qualquer situação, pessoa, vontade. Me dou de bandeja, me desfaço de mim muito fácil. Às vezes me meto em cada uma... Só Deus sabe o que eu já passei! Mas tô aqui não tô? Até falo com orgulho dessa minha filosofia, se assim posso dizer. Ser desapegada vai muito além de esnobar o cara pra ver se ele corre atrás de você, de se fazer de durona pros outros quando na verdade só o teu travesseiro sabe o quanto se afoga todas as noites. Ser desapegada, fique sabendo, é ser livre. Livre pra fazer o que der na telha. Livre de rótulos, de seguir normas pré-estabelecidas pela sociedade. Livre pra sentir toda a dor do mundo, mas também para viver qualquer loucura mesmo que lhe custe caro. É ligar pro cara se estiver com vontade, porque se ele tiver afim, vai achar o máximo, se não, nem que você vire a Gisele Bundchen vai mudar alguma coisa. Desapega. Desapega dessa neura, desses medos, dessa mania de pensar demais. Nos outros, no amanhã, no quanto vai valer a pena. Apostas altas geram recompensas altas. Perder pouco ainda assim é perder, não se esqueça disso. 

01 maio 2013

Por que não?


Decidi que quero ficar. Sem rodeios, nem fantasmas. Por que não? Já arrisquei muitas vezes e em todas, os tombos foram feios. Mas me levantei, um arranhão aqui, uma cicatriz ali, mas pronta pra outra. Cheguei até aqui e, milagrosamente, sem maiores danos. Então, vamos lá! Não tenho nada a perder, na verdade, acho que depois de tudo que já vivi, aguento qualquer coisa. E sabe de uma coisa? É como em qualquer jogo, se eu não arriscar, não vou ganhar. Por isso sinto que estou cada vez mais perto, porque me aventuro nesse tabuleiro faz tempo... E quem sabe não é você o meu prêmio?