30 março 2014

Sobre o que os doutores em amar dizem...


Eu sempre achei graça do quanto as pessoas se acham doutores em amar. Saem por aí distribuindo conselhos e o mais engraçado disso tudo é quem os escuta né? A gente ouve tanta coisa, ensinamentos que são passados de geração em geração, dicas chaves e testemunhas de como fazer dar certo! 

Dizem que ignorando que o cara dá valor. Que mulher não pode tomar a iniciativa, porque pega mal. Que o homem também não deve ser muito carinhoso se não as mulheres enjoam. Não pode ligar muito cedo depois que saíram pela primeira vez, porque se não parece ansiedade, mas também não pode demorar demais porque se não parece descaso. 


Enfim, são inúmeras as recomendações de como proceder na “arte da conquista”! Mas eu sempre me perguntei: Desde quando existe fórmula para isso? Se fosse fácil desse jeito, estaríamos todos comprometidos, nada de sofrimento por "amor" não correspondido, não acham? A questão é muito mais complexa e, no entanto, muito mais simples, se quer saber. 


Na minha humilde opinião, (e por isso não enxerguem como conselho, porque Deus me livre pertencer ao grupo das pessoas sabidonas que mencionei!), o segredo é justamente o contrário dessa bobeira toda que inventaram. Racionalizar os sentimentos é que estraga tudo! Limitar vontades, criar barreiras para o invisível, regrar o que deveria ser livre... 


Deu vontade? Faça! Seja você mesmo, porque não adianta nada fingir superioridade, fingir romantismo, fingir qualquer coisa, se uma hora a máscara vai cair (porque ela sempre cai), levando junto os motivos do interesse inicial. Não existe receita para dar certo, mas começar de cara limpa, com verdade, sendo louco do jeito que você é – assustando de uma vez ou encantando de primeira, é uma boa forma de começar um possível relacionamento.


23 março 2014

Só é estranho.


É completamente estranho ter que voltar a viver sozinha, depois de um longo tempo dividindo a vida com alguém. Não estou dizendo que é ruim, nem bom, isso é muito particular de cada história. Só é exatamente como eu disse no início: Estranho. É que é inevitável não se acostumar. Nós, seres humanos, adoramos o conforto e acredito que não exista nada mais confortável no mundo do que ter um parceiro, um melhor amigo, um amante, e tudo isso em uma mesma pessoa.

É simplesmente incrível e fácil de viciar. Daí os dias se tornam mais completos porque você pode contar àquela pessoa sobre o dia insuportável que teve ou da prova que arrebentou na faculdade. Pode comentar sobre a nova música que o seu ídolo lançou e mandar para o e-mail dele um texto que achou a cara de vocês. Ou um algum texto de sacanagem só para apimentar a relação.

Pode falar que está com saudade mais de uma vez no dia, porque não vai soar estranho. Não para aquela pessoa. Você pode planejar o que farão no final de semana sem medo, mas também planejar algo para daqui algumas semanas, meses ou anos. É completamente normal e cabível! Diz o que está fazendo ou aonde vai, não por ter de dar satisfação, mas por gostar de compartilhar com aquela pessoa os seus momentos, mesmo que estejam longe.

São pequenas coisas, mínimas, para falar a verdade, e só percebemos a falta que faz quando simplesmente somos obrigados a parar de fazê-las. E são elas, por pura ironia, que deixam o maior buraco e dificultam que sigamos em frente tão facilmente. Temos de aprender a caminhar sozinhos novamente. E não apenas fisicamente, porque isso é o de menos, tanta gente namora a distância né? É um estar sozinho muito mais perturbador. É perder um outro ponto de vista, perder palavras incentivadoras, de amor e de compreensão. Perder uma companhia, um futuro já sonhado junto, uma outra família que tinha ganhado.

Isso não é o fim do mundo, lógico que eu sei e você também deve (ou deveria) saber disso. Ninguém morre após o fim de um relacionamento, passamos por tantos em nossa vida né? O que não invalida o que eu estou tentando dizer que é completamente estranho ter de encarar cada novo final/recomeço com naturalidade. Ainda mais para os românticos assumidos como eu! Quando vai chegar o meu tão aguardado "e foram felizes para sempre"? 


14 março 2014

De grão em grão...


Hoje eu me dei conta de que estava diferente. Não cortei o cabelo e muito menos estou mais magra. Continuo baixinha e com as pontas loiras no cabelo. Achei que era bobagem minha, afinal, a gente não muda de repente, não é? Mas encontrei um amigo que me disse que tinha notado algo de novo em mim, mas não sabia o que era. Uma amiga, um pouco depois, fez um comentário semelhante, dizendo que algo tinha mudado comigo. Sorri interiormente, meu coração aqueceu.

E eu voltei para casa, depois de uma manhã inteira ansiando por um momento de reflexão. E enquanto ouvia um CD de rap que ganhei de um amigo, consegui parar para pensar sobre a minha vida atualmente. Algo que a gente tem um pouco de dificuldade de fazer, já percebeu? Talvez por medo de perceber algo que não queremos saber – ou que tenhamos tentado ignorar anteriormente.

Mas então, eu percebi coisas boas - a meu ver. Percebi que estou mais paciente. E isso é algo que eu nunca soube ser, nunquinha, em toda a minha vida. Pela primeira vez, estou calma, com o coração desacelerado. Perdi a pressa de viver, de ver as coisas acontecerem. Simplesmente tenho vivido o momento, cada segundo, sem pensar no próximo. Simplesmente tenho deixado acontecer, sem me desesperar.

Além disso, percebi que ganhei maturidade e isso, eu sei, nunca é demais. Maturidade essa que me faz enxergar mais o lado bom dos acontecimentos, que me faz aceitar certas imposições da vida de maneira mais pacífica. Posso garantir que é complicado, afinal, é tão mais fácil sair por aí reclamando das coisas né? Tão mais fácil jogar tudo para o alto e desistir. Mas estou aprendendo. Estou me controlando.

Não estou querendo dizer que estou melhor, sabe lá se dessa forma, estou levando a vida do jeito certo. Mas ouvi dizer que o importante é se sentir bem, correto? E eu estou muito feliz comigo mesma, não sei explicar, mas estou satisfeita. Sinto-me mais minha, como se tivesse mais próxima de mim e sabendo de detalhes que não tinha notado. Sinto-me mais confiante, mais forte e segura nas coisas que faço, sinto e falo.

Não me iludo achando que tenho o controle da situação, afinal, isso nem existe. O controle é uma ilusão e completamente traiçoeiro. Mas, pela primeira vez, percebo que perdi o medo de mudar de direção. Assim como quem escolhe um atalho para chegar ao destino final, em vez de seguir pela avenida principal - que todo mundo usa. Se não der certo, a gente muda de novo. E mais uma vez, se preciso for.

Pequenas mudanças internas que, ao contrário do que eu havia pensado, não foram de uma hora para outra. Foram bem aos poucos, poderia dizer até que demoradas demais. Mas enfim, eu reparei. As pessoas estão reparando. Eu estou bem. A felicidade é bem mais simples do que imaginamos, basta a gente aceitar essa sua simplicidade e não fantasiá-la ou projetá-la em coisas grandiosas. "De grão em grão, a galinha enche o papo", conhece esse ditado? É mais ou menos por aí. 

07 março 2014

É a hora ou a pessoa que é errada?


É realmente muito bonito terminar um relacionamento em que o cara (ou a garota) diz “você é a pessoa certa, mas apareceu na hora errada”. A frase torna o momento dramático e sincero e depois disso cada um vai para o seu lado. Ele com a certeza de que conseguiu uma boa explicação para a menina e ela com um sentimento de conformismo, quase entendendo o lado dele.

Mas eu, na minha revolta particular, nunca entendi muito bem essa frase. Afinal, por que é a hora errada? Ou melhor, o que é a hora errada, na verdade? Vocês moram a 100 mil km de distância um do outro? Você tem uma doença incurável que vai fazê-lo morrer daqui alguns dias? Tem religiões diferentes que proíbem o relacionamento? Ah não? Então peraí, qual é o impecilho?

Por favor, o amor é mais forte que tanta coisa (para não falarem que eu exagerei ao dizer que mais forte que tudo!), sabe? O que faz um relacionamento ter acontecido na hora errada, é somente, um dos dois não querer mais. Simples assim. Não se sentir envolvido suficientemente, não sentir que aquela pessoa é realmente a pessoa certa. Existe algo mais óbvio que isso?

Porque, convenhamos, quando a gente ama de verdade, a gente tenta de tudo para fazer acontecer. A gente abre mão de nós mesmos, engole o orgulho, se arrisca sem nem pensar. Com uma coragem louca, a gente suporta e ultrapassa até os maiores obstáculos que a vida pode decidir colocar no caminho. Tornamo-nos mais forte e isso é o incrível e inexplicável do amor.

Então, se realmente acreditamos que aquela pessoa é a certa para nós, a gente dá um jeito. Não importa qual! Afinal, não haverá outra melhor, que mais se encaixe, que transforme tão facilmente o errado em certo, perfeito.

Por isso, o que fica claro para mim é que, com uma conversa mole dessas, não é a hora que é errada, mas sim a pessoa que fala uma coisa dessas. Que utiliza de um clichê barato para maquiar a sua cara lavada - e covarde.