28 junho 2013

Cansei dessa brincadeira.


Eu queria que você fosse mais transparente. Você não diz que quer, não mostra suas vontades. É tudo muito misterioso e eu tenho que ficar tentando desvendar cada detalhe, porque você nunca se mostra por completo. O que significa um sorriso quando eu digo que te amo? E um “tudo bem” quando eu falo que vou sair com minhas amigas? Você está com ciúmes ou realmente você não se importa com isso? Uma mensagem dia sim e dia não, significa que você não pensou em mim ou só quis me dar um espaço?

Essas perguntas ficam martelando em minha cabeça, e essa incerteza gera uma confusão absurda dentro de mim. E para falar a verdade, estou começando a me cansar de brincar de adivinhações. Sabe lá se acerto minhas suposições, se sofro a toa ou se me iludo. Não tenho certeza de nada, nem posso fazer planos muito longos. Só que eu sei que se tem alguém que não tem culpa nenhuma nessa história, sou eu. Fantasio porque você me dá palavras e frases soltas. Porque você só se mostra na sombra. Vou tentando encaixar as peças sabendo que não vou conseguir montar todo o quebra-cabeça.

E sendo assim, qual é graça? O objetivo é descobrir qual o desenho, o que se escondia por traz das formas embaralhadas e com você isso nunca será possível. Mesmo depois de tanto tempo, ainda não sei quem é você. Por isso, estou entregando os pontos - depois de me entregar por completo - porque uma hora a gente cansa de certas brincadeiras. A gente cresce e junto outras coisas também devem amadurecer, caso contrário, é melhor deixar para outra criança brincar. 

23 junho 2013

Ele só é intrigante.


De certa forma, ele é intrigante. Não sei o que você pensou quando eu falei essa palavra, talvez algo totalmente diferente do que ele realmente seja, mas para mim, essa palavra se encaixa completamente na definição do que ele é. Combina, na verdade. É uma palavra diferente, não é em qualquer frase que cabe dizê-la. Feito ele, um ser ímpar. Ou deveria dizer, primo?

Falava com muitas pessoas, cumprimentou quase todas as mesas por que passou. Mas sentou-se sozinho ao final do salão. Na mesa de sempre, confesso que reparei nesse detalhe. Também pediu a mesma cerveja de sempre, levantou-se por volta das 22:25 e colocou para tocar um blues qualquer em uma das máquinas de música do bar. Ele adora blues, tem sempre uma nova música na manga. E então, quem ouve esse tipo música nos dias de hoje? Digo, com vinte e tantos anos. Só ele.

Ele tem diversos tênis, all star, vans, seja lá qual for marca. Mas são diversos, em todas as cores e todos lindos, na minha opinião. Mas ele não muda de calça, deve ser a vigésima vez seguida que eu vejo ele com esse jeans claro e largado. Eu não acredito que seja a mesma blusa ou que tenha poucas, mas são todas iguais. Discretas e confortáveis, mas às vezes divertidas.

De vez em quando pega no celular, de vez em quando olha a sua volta. Muitas vezes cantarola sozinho as músicas que coloca para tocar. Nunca fica por mais de uma hora por ali, desconfio que cronometra o tempo certo de chegar, beber duas ou três tulipas, se divertir com uma ou duas músicas que escolhe e pronto. Hora de ir embora.

A verdade é que passou a fazer parte da minha rotina vir aqui, só para admirá-lo. Não que eu tenha alguma paixão platônica ou que eu passe noites em claro pensando em uma forma de conquistá-lo. Não me entenda mal, ele só é intrigante. E coisas intrigantes deixam a gente, digamos, intrigados.

18 junho 2013

Ainda não.


Acho que eu gosto mais da ideia do amor do que de amar, propriamente dito. O amor dos filmes é inspirador. O primeiro encontro do futuro casal é sempre lindo, com pausa para olhares, toque das mãos porque caiu alguma coisa no chão e dias que seguem com um pensando no outro.

Tem também aqueles engraçados né? Começam brigando, mas terminam se amando. O caminho é cheio de desencontros, mas o final feliz é certo. A mocinha faz besteira, o mocinho também. Os dois conversam – lágrimas enfeitam a cena – e depois os dois perdoam. Eu sei de cor os tipos de enredos das histórias de amor, mas sabe de uma coisa? Eu não me canso!

Só canso quando é pra mim. Na minha vida, no meu filme. Sei lá, acho trabalhoso escrever uma história e já começo não sabendo por onde começar. Quem dera se o meu príncipe encantado aparecesse dessa forma, que o tempo parasse alguns segundos enquanto nos olhássemos. Seria mais fácil, eu acho. Investiria logo de cara!

Depois disso, ainda tem os desencontros que, na vida real, a gente nunca sabe onde vai dar. Eu morro de medo de perder tempo. E como eu vou imaginar que depois de um ano o cara vai se arrepender, vai voltar do outro país, vai perceber que me ama? Prefiro seguir logo com a minha vida e em um ano, sinceramente, conheço e desconheço vários homens interessantes ou que renderão boas risadas depois.

Resumindo: A ideia do amor é linda, tão fantástica e boba, que eu não vejo outro gênero de filme – mesmo que tenha que repetir por falta de novidade. Mas para mim a ideia é louca, absurda e não, agora não. Ando com certa preguiça de me arriscar. Ou ainda não apareceu alguém que valesse a pena o risco. 

13 junho 2013

Vou me preparando para você.


Eu estou te esperando e nesse meio tempo vou crescendo sozinha. Aprendo a cozinhar e a arrumar a cama. Também não deixo mais meus cabelos no ralo do banheiro e nem a minha calcinha pendurada no box. Aprendo a escrever diversos contos novos, aprendo a ler livros que nunca antes tinha me interessado. Só ainda não aprendi a ouvir música baixa, espero que não se importe.

Aproveito para fazer compras de supermercado sozinha e também de utensílios para casa. Ligo para minha mãe quando enlouqueço com tantas coisas a fazer, peço ao meu pai para consertar o chuveiro que queimou. Vou enchendo a casa com coisas minhas, sem me esquecer de deixar um espaço para você colocar as suas também.

Enquanto você não chega, eu vou me virando. Vou fazendo sociais entre os amigos mais próximos e também passando uma noite de sexta-feira sozinha em casa. Assisto aos meus programas bem no horário dos jogos de futebol, porque por enquanto não tenho com quem discutir. Mas brigo comigo mesma quando deixo alguma roupa fora do lugar, porque é a minha forma de ensaiar para quando você fizer a mesma coisa.

Tenho me saído muito bem e às vezes chego a pensar que você pode não chegar e eu nem vou me importar. Mas seria bom, eu confesso. Muito bom. Ter alguém pra dividir o meu canto, ter pra quem mostrar o quanto eu sou boa no que tenho aprendido. Ter alguém, enfim, para me contar tudo que viveu até me encontrar. O quanto, também, se preparou para esse momento.


08 junho 2013

Mais uma carta para (eu) ler.

Meus amores, eu já postei esse texto aqui, mas o blog ainda nem recebia visitas, por isso decidi postar de novo, espero que não se importem! :) E também será mais um texto com trilha sonora... Tô gostando disso! hehe


Eu disse que ia te amar para sempre e como em todas as outras vezes em que eu prometi e sempre cumpri, dessa vez não foi diferente. A gente não se vê há quanto tempo? 2198 dias. Exatamente, 6 anos e 7 dias. E o meu coração ainda é seu.
Eu me lembro da última vez que nos vimos, o seu cabelo estava muito bagunçado e a sua cara era de sono. Óbvio, como conseguiríamos dormir naquela noite? Passamos toda ela conversando e fazendo juras de amor. Prometemos trocar cartas e e-mails. Prometemos nos lembrar um do outro todas as noites antes de dormir e colocar para tocar “Skip To The Good Part” quando a saudade batesse. Com essa letra seria uma forma de manter a esperança acesa... Prometemos, enfim, que seríamos para sempre um do outro. E até eu pegar o meu avião, eu tinha certeza que seria difícil para o coração, mas muito fácil para nós dois contornar toda essa situação, esse imprevisto. Engano meu.
Cá estou eu, escrevendo mais uma carta para você. Mais uma carta que não será respondida porque também não será enviada. Mas virou um vício, uma forma de colocar para fora tudo que tem tomado conta de mim e me sufocado. Como você está? Ainda é fã do Nickelback? Eles vão ao Rock In Rio, ficou sabendo? Mas é claro, que pergunta a minha! Se não mudou de ídolo, deve ter ficado maluco com a notícia. E também li em um site que o seu time foi campeão, com certeza você virou a noite no bar da esquina com os seus amigos bebendo e cantando o hino. Outra coisa, tem dois caras na minha sala de aula que não param de falar de musculação e eu me lembro que você sempre achou graça desse tipo de homem. Você os chamava de bexiga.
Mas estranho é que você também está mais magro, vi em uma de suas novas fotos em sua página. Mais magro e sarado. Não posso acreditar que você se rendeu a essa besteira, mas não posso deixar de assumir que você está mais lindo. Também cortou o cabelo e apesar deu adorar os seus cachos, sempre preferi admirar os seus olhos.
Quanto a mim, o que eu tenho feito? Bom, cortei o cabelo essa semana e me lembrei de todas as vezes em que você brigou comigo, me pedindo que nunca mais fizesse isso... Nessa semana também fui a um show de uma banda que você iria amar, mas eu, sinceramente, não gostei muito. Ah, sobre o meu aniversário, foi bem legal, minha irmã veio pra cá e os meus amigos da faculdade fizeram uma festa surpresa para mim. Me senti um pouco velha com o tanto de velas que colocaram em cima do bolo (22, nem é tanto assim, vai!), mas você já fez 23 há alguns meses, então não estou sozinha nessa.
Tudo bem, estou enrolando há algum tempo... A verdade é que eu estou escrevendo porque já se foram os seis anos. Que passaram muito lentamente, é verdade. Mas passaram. E daqui a duas semanas estarei formada pela faculdade que o meu pai tanto sonhou. E eu também, em uma época bem distante. Eu deveria estar me sentindo feliz, eu acho. Mas o problema é que após todos esses anos, eu estou com as passagens compradas para voltar, mas eu não tenho um motivo para fazer isso. Você não vai estar me esperando no aeroporto. Você não está me mandando uma mensagem a cada dia com a contagem regressiva, como sempre faz em qualquer data importante. A gente nem se quer conversa mais e com certeza você nem deve se lembrar que volto logo.
Eu, pelo contrário, estou aqui. Louca para pegar aquele avião e te sentir mais perto. Mas morrendo de medo de que isso seja mais doloroso. Que te sentir longe estando perto seja mais complicado de aceitar do que essa distancia física. Porque durante todo esse tempo, eu simplesmente aceitei o modo como nos afastamos, como você encontrou um novo caminho a seguir. Inventava mil explicações e desculpas para me enganar. Parte de mim, leva essa culpa como um fardo. Uma covardia em relação as minhas verdadeiras vontades naquela época. A outra te culpa, te questiona, te grita. Por que não cumpriu com a nossa promessa? Por que não me colocou na sua vida como eu te coloquei na minha, mesmo com milhares de quilômetros nos separando? Por que foi tão fraco quando era para usar de toda a sua força?
Só que eu ainda amo você, de uma forma menos ingênua que antes, mas muito mais madura. Eu te amo doendo. Eu te amo porque eu não disse que te amava como as outras meninas, eu te amava com todo o meu coração. E ele, como eu já disse, ainda é seu.

04 junho 2013

Sobre a amizade


De todos os amores que existem, um dos que, sem dúvida, eu mais admiro é o amor da amizade. Todo mundo tem defeito, conviver com qualquer pessoa que seja é complicado a beça. E mesmo assim, quem não tem um amigo verdadeiro que te atura na fase boa e ruim? Que você conta tudo aquilo que não tem coragem para contar a ninguém? Amizade é sintonia.

E falando especificadamente das mulheres, é estar longe e saber que a amiga está precisando. É ligar, conversar horas e nunca acabar o assunto. É dormir uma na casa da outra, ser praticamente da família. É aquela pessoa que te defende seja qual for a situação, mas se você tiver errada, vai te chamar num canto e te dar esporro feito mãe. É um amor meio louco, mas é um amor que a gente escolhe. Isso é o mais bonito da amizade. Da mãe a gente não pode fugir, né? Nem do pai, da irmã. Do namorado também é complicado, tem que fazer um discurso para explicar o porque quer ir embora, marido então nem se fala.

Mas amiga não. Elas são carne e unha porque querem, precisam uma da outra. Inventam qualquer desculpa, qualquer programinha bobo para ficarem juntas e colocarem as fofocas em dia. Brigam, mas daqui a pouco estão rindo sem motivo aparente. Ter uma amiga é ter a certeza de que nunca estará sozinha. É o pé que precisamos no chão, é a força que muitas vezes nos falta. Guarde uma coisa: o “sua idiota” traduz mais verdadeiramente o amor que muito “meu amor” e “meu anjo” que se vê por aí.


02 junho 2013

As pessoas inventam cada coisa...


Tem gente que se apaixona pelo mistério por trás de um sorriso, pelo bolso farto que o cara tem ou pela bunda perfeita da mulher. Também pelo beijo ou a pegada. Eu, por outro lado, me apaixonei pelo seu gosto musical. Achei graça porque você ouvia exatamente as mesmas bandas que eu. Percebi quando tinha te encontrado pela quarta vez seguida em um show diferente. Minhas bandas preferidas e as suas também. No mínimo instigante, não acha? 

Depois me apaixonei pelo seu sotaque. Nunca antes eu tinha reparado no quão lindo é o sotaque do Sul do país. Poderia não falar nada e só ouvir a entonação engraçada que você dava em cada palavra. Logo em seguida, eu me apaixonei pelo seu jeito. Jeito distraído, meio “deixa acontecer”, nunca se importando com coisas que não devemos nos importar. Admirava o jeito como você não esquentava a cabeça, não entrava em parafuso – como eu normalmente fazia. Me apaixonei pelo seu guarda-roupa, afinal, quando eu não te achava lindo e muito bem vestido? 

Por fim, me apaixonei por falar de você. Eu simplesmente não conseguia ficar muito tempo sem tocar no teu nome em uma conversa. Adorava falar sobre todas as coisas que eu adorava em você. Era involuntário, na verdade. Foi quando me disseram que eu estava apaixonada por você, vê se pode? As pessoas inventam cada coisa...