29 maio 2015

Se é essa a sua vontade, meu amor, pode ir.


Eu nunca tive dificuldade em aceitar o fim. O final faz parte de qualquer ciclo, não dá para evitar. E se é a outra pessoa que quer ir embora, por favor, vai sem medo. Não imploro, não me desespero e, principalmente, não me menosprezo. Por isso, se é essa a sua vontade, meu amor, pode ir.

Provavelmente vai ser foda por alguns dias, a saudade vai me sufocar e eu vou me segurar para não te mandar uma mensagem, tarde da noite, perguntando mais uma vez o motivo do nosso fim. Vou sair com minhas amigas e achar um saco, e isso só vai piorar a situação, porque eu vou me lembrar do quanto era incrível apenas assistir a filme contigo, dividindo aquele sofá pequeno da sua sala.

Com certeza vou escrever alguns textos dramáticos que eu nunca mostrarei para ninguém. Vou te odiar, me odiar, odiar o mundo e a vida! Porque depressão pós pé na bunda é normal, não me julguem.

Eu vou achar que tudo perdeu o sentido, mas só até começar a enxergar algum nexo nessa história toda. Afinal, a gente sempre aprende alguma coisa em situações extremas, não é? Tem que ter uma explicação e eu vou encontrá-la, como sempre encontrei. As respostas vêm com o tempo. Vem com um novo amor, vem com uma nova conquista, vem com novos amigos e novos lugares preferidos, vem com novas experiências, vem com um novo caminho a ser seguido.

Depois que passa a tempestade, a gente entende, aceita e, veja só, às vezes até comemora.

Por isso, vai em paz, não olha para trás e não volta se tudo começar a dar errado na sua vida. Porque a minha, eu tenho certeza, vai começar a dar muito certo em breve e a sua bagunça não será mais bem-vinda.

14 maio 2015

Talvez não tenha sido amor, sabe?


Talvez não tenha sido amor, sabe? E acho que não temos que culpar ninguém ou sofrer pelo que não aconteceu. Porque, afinal, como vivemos é que importa - e não o tempo. E poxa, foi lindo e mais que isso, foi sincero.

Talvez tenha sido encanto. Eu me lembro do quanto eu fiquei fascinada pelo seu gosto musical. Você conhecia aquela banda que ninguém sabia o nome e eu amava. Você também não saía de casa sem o fone de ouvido e eu nunca precisei mudar de música na playlist do seu carro, eu amava todas e acabei descobrindo muita coisa boa por sua causa.

Talvez tenha sido cuidado. Sempre acordava coberta e quentinha enquanto você estava encolhido no canto da cama, mas mesmo assim, não se importava de me dar todo o cobertor. Era eu quem te ligava, todos os dias, no mesmo horário, para te lembrar do seu remédio. Eu sempre te quis bem, acima de tudo e em todos os sentidos. Provavelmente me importava mais com você do que com qualquer ex-namorado que eu tenha sido loucamente apaixonada. 

Talvez tenha sido certezaEu sabia de todas as suas manias e já tínhamos um jeito certo de dividir a sua cama de solteiro de um modo que nós dois ficássemos confortáveis. Eu adorava a sensação de segurança de ter a sua mão entrelaçada a minha e você sabia que era só eu ouvir a sua voz para dizer se você estava bem ou não.

Talvez tenham sido muitas coisas boas e é por isso que eu não guardo nenhum sentimento ruim de você e da gente. Mas o que eu sinto, de verdade, é que, no final de tudo, talvez tenha se tornado um mero costume, uma questão de conforto - algo que era bom e ponto. Sem mais suspiros, sem mais surpresas, sem mais frio na barriga.

E a gente não está aqui para se acostumar com as pessoas, não é? Precisa ser bem maior que isso para valer a pena, para que dure. Por isso, perdoa, entende e aceita, só talvez não tenha sido amor. Chegou bem perto, foi ótimo enquanto ainda acrescentou em nossas vidas, mas a gente merece muito mais do que uma história de quase amor.

04 maio 2015

Nós somos os verdadeiros heróis.


Tenho a mania de pegar dores antigas e torná-las atuais em meus textos. E isso não tem nada a ver com reviver o passado, antes que me julguem, mas sim com enxergar o presente de um jeito diferente. Hoje algum ponto do meu coração está dolorido, mas olha que coincidência, eu já senti uma dor parecida com essa! Talvez mais fraca, talvez mais forte. Mas sabe o que aconteceu depois? Continuei vivinha. Continuei caminhando.

Poderia ser visto como masoquismo, mas tem a ver com tornar a nossa própria vida um referencial. Transformar nós mesmos em exemplos. Isso é algo bonito, sabia? E muito difícil. Enxergar que somos sim verdadeiros heróis. Ultrapassamos nossas próprias barreiras dia após dia, sejam elas pequenas ou grandes para o mundo, afinal, quem importa e quem encarou cada uma delas fomos nós.

Porque a verdade é que só a gente sabe os nossos próprios limites e o quanto é difícil permanecer em pé em alguns momentos da nossa vida. O que pode parecer pequeno e ridículo para uma pessoa, para outra pode ser o maior desafio que ela terá que passar. E se quer saber, acredito que existam coisas que não valem a pena serem externalizadas, nem para se mostrar inferior nem para se engrandecer, por isso, não precisa se explicar para ninguém, guarde suas derrotas e vitórias para você mesmo. Até porque as pessoas vão enxergar do jeito que elas quiserem.

Por isso, para mim, e esse é o ponto aonde quero chegar, a palavra de ordem continua sendo acreditar. Acreditar em si mesmo, se apegar às coisas boas, ter fé. E ter fé é permanecer andando mesmo em meio a neblina, quando mal dá para enxergar um palmo a frente, não é isso? É sentir vontade de desistir, mas não o fazer, porque ainda existe um fiozinho de esperança em uma reviravolta da vida. 

Porque sempre passa, a gente sabe. Não dá para evitar que aconteça nem adianta fugir, mas assim como a dor chega, ela também vai embora. É só uma questão de tempo. Mas o que sobra, o quanto a gente se fortifica e se transforma é que deve ser o nosso foco, é o que devemos guardar para nos inspirar todas as vezes em que fraquejarmos.