26 fevereiro 2014

A gente finge que não, só isso.


Na semana passada, eu disse para uma amiga: “quero distância de relacionamentos”. Ela me apoiou, disse que estava nessa fase também e era a melhor coisa. Então escutei o que queria! Mas um pouco depois, no mesmo dia, comentei também com um amigo, “vou tirar férias do amor”. Ele então começou a rir e me perguntou se realmente eu conseguiria isso. Na hora, confesso, senti muita raiva. Por que eu não conseguiria? Que besta!

Mas aquilo, de alguma forma, ficou na minha cabeça o resto do dia. Homens são sinceros, e sendo nosso amigo,  aí que eles falam tudo sem papas na língua mesmo! O que é bom, na minha opinião. E foi por eu geralmente preferir dar credibilidade ao pensamento dos homens, que decidi repensar sobre o assunto.

É realmente verdade que quando a gente se decepciona com alguém, o coração se fecha, tentando se proteger. É verdade que uma vez machucados, a cicatrização é demorada, dolorida, cansativa. É verdade que, no início, tudo se torna amargo, preto e branco e, nós mulheres, adoramos dizer que não existe nenhum homem que preste em todo o mundo.

Mas também é verdade, podem confessar pelo menos para si mesmas, que em meio a toda essa descrença, nós ainda conseguimos acreditar. Ficamos receosas, vestimos uma armadura imaginária, mas ainda existe um pingo, por menor que seja, de esperança nessa resistência toda.

Tentamos nos enganar, mas ficamos ansiosas para que aquele cara que saímos na semana passada nos ligue na semana seguinte. Involuntariamente, desejamos em todo e qualquer encontro que aquele rapaz seja, enfim, o tal do príncipe encantado que se perdeu pelo caminho. Esperamos sentir aquele frio na barriga de novo, esperamos ouvir palavras que nunca escutamos. Esperamos sentir mais uma vez, o que nos foi tirado anteriormente.

A gente finge que não, só isso. Preferimos sair por aí dizendo que estamos muito melhor sozinhas, o que não é nenhuma mentira, que fique claro. Só que, bem lá no fundo, todas nós estamos sempre esperando por aquela pessoa especial, aquela que enfim vai acertar na dose, vai somar, completar, vai, enfim, permanecer em meio as nossas particularidades.

Coisa de mulher, posso dizer - por experiência própria. Temos essa esperança tola em tudo e em todos. Não somos bobas, mas temos um coração bobo que esquece e volta a acreditar muito rápido no amor e na sua mágica - ou baboseira, como quiser.


20 fevereiro 2014

A quem queremos ouvir?


E antes que você me pergunte como eu consigo ser tão forte e tão independente, eu já prefiro assumir que não é bem assim... Afinal, eu tenho um coração. E isso já é motivo suficiente para que eu sinta essa porcaria que é o amor e tudo que ele carrega junto, sejam as coisas boas ou as coisas ruins. 

Sendo assim, quando eu termino um relacionamento eu choro (muito) mesmo, eu escuto Adele e até acho as letras de pagode bonitas, eu desabafo com qualquer pessoa que me pergunte se está tudo bem comigo, mesmo que seja só uma pergunta educada sem interesse nenhum no meu estado real. Eu fico completamente ridícula, de verdade. Quase enlouqueço de saudade e tenho vontades absurdas de fazer loucuras que com certeza ninguém aprovaria. Surgem ideias irracionais, penso besteira pra caramba e poderia ficar meses na minha cama lamentando sobre como a vida é injusta. 


Mas, a verdade é que, da mesma forma que eu tenho essa (bosta) de coração, tenho também um cérebro. E cérebros sim são os nossos melhores amigos nessas horas. Cérebros sim não deixam com que passemos do limite e, consequentemente, passemos vergonha. 


O meu, por exemplo, é quem me incentiva a levantar da cama todos os dias, a assistir a um filme de comédia ou de terror daqueles bem sangrentos. Ele que me encoraja a encontrar algumas amigas para me distrair e também a escrever sobre tudo que sinto para ver se esvazio um pouco o peito, além de me lembrar que um término não é um fim do mundo. Mas é ele, principalmente, que me mostra que vou me arrepender muito, mas muito mesmo, se fizer aquelas tais loucuras desnecessárias. 


Enfim,
todos nós temos duas alternativas e duas formas de encarar essa situação, só precisamos escolher a quem queremos ouvir: O nosso cérebro ou nosso coração? 

11 fevereiro 2014

Olhar um pouco mais para dentro.


Enfim a página virou. Não tem mais por que olhar para trás, não há necessidade de se prender ao que já passou. Vejo em minha frente uma folha em branco, que me parece infinita e sinto uma pitada de medo. A gente raramente se dá conta de que o nosso destino está em nossas mãos, mas quando nos damos, exatamente como eu acabei de me tocar, bate um certo desespero.

Eu sei que a novidade traz a angústia misturada a esperança de que a mudança vem para melhorar, mas continua sendo incomodo o frio que sinto na minha barriga por estar olhando o novo bem na minha frente. Encarando-me, esperando que eu faça alguma coisa que eu ainda não faço a menor ideia do que seja! 

Fui pega de surpresa, entende? Obrigaram-me a mudar de rumo. Estava certa de que estava seguindo pelo caminho correto e de repente, avisaram-me de que eu estava enganada. Será que a culpa foi minha, que ando sempre tão distraída de tudo, ou será que souberam me enganar direitinho? Nunca descobri. Mas, para falar a verdade, também desisti de tentar entender. Não vai mudar em nada.

A única coisa que eu sei é que pretendo escrever um longo e inesquecível capítulo sobre mim. Espero que não se importe nem ache prepotência da minha parte. A verdade é que eu não quero viver como se tivesse somente em busca do amor, ou pior, não quero viver presa a nenhum amor antigo. Existem outras coisas nessa vida que também nos fazem bem, sabia?

Só que por eu nunca ter percebido isso antes, emendei um relacionamento em outro, acreditando que precisava sempre de companhia para ser feliz. Mas eu não preciso, tanto que fui infeliz também com alguém ao meu lado. Afinal, a felicidade depende mais de você mesmo do que de qualquer outra pessoa ou coisa

A questão é que eu percebi que chegou a hora de me colocar em primeiro lugar, só dessa vez. Só para que eu não passe a vida inteira como se nem me conhecesse, como se eu e o meu corpo fossemos dois estranhos. Faz tanto tempo que eu vivo a dois, que não me lembro a última vez que tive um tempo a sós comigo, sabe? Conversar sozinha, sentir sozinha, sofrer e ser feliz sozinha.

Talvez o que eu precise esteja escondido em algum canto do meu coração que, de tanto eu olhar para fora, não tenha notado. Vai saber?

06 fevereiro 2014

O sorrisos que não deveriam existir.


- Uma xícara de café grande, por favor. – Eu disse a garçonete.

Ela fez que sim com a cabeça, sorriu e saiu depressa. E eu ando tão carente que, por um segundo, isso me feriu. Quão amarga pode se tornar a vida depois de um pé na bunda? Não me canso de me fazer essa pergunta. Só a resposta que parece infinita.

Foi quando entrou um casal de adolescentes pela porta da lanchonete. Riam alto, estavam de mãos dadas, mas se tocavam o máximo que o bom senso permite (ainda bem!). Eu nunca tinha reparado o quanto parecemos bobos quando estamos apaixonados e de bem com a vida. Não é um pouco absurdo? Eles mal reparam nas pessoas que estão a sua volta, simplesmente vivem em uma bolha perfeita e feliz. Não reparam que eu estou aqui sentindo dores de barriga com essa cena.

E eu não queria ser pessimista e espero que não interpretem isso como uma praga ou algo do tipo... Só que bolhas são frágeis e é muito fácil que, num piscar de olhos, elas simplesmente estourem. Obrigando-nos a acordar, obrigando-nos a aceitar que a felicidade dura muito pouco nessa vida. Mas não desejo isso, só falo por experiência própria. Juro.

A atendente voltou, sorriu novamente e colocou o meu pedido na mesa, mas saiu logo em seguida. Eu nem tive tempo de agradecer. O café estava bem amargo, mas não me preocupei em colocar açúcar ou adoçante. Quando estamos no meio do poço, como eu, bate aquela curiosidade de saber quão fundo ele é. E eu não quero subir nem um centímetro, quero contagiar todas as coisas a minha volta com a minha depressão (patética) pós-término.

E, por causa do sorriso sem graça e sem vida da garçonete, me ocorreu que sorrisos são tão falsos quanto as pessoas podem ser. Ou quanto uma obra de arte pode ser. Não o sorriso do casal que está na minha frente. Nem o que a minha mãe me dirige quando me vê. Mas o sorriso que a garçonete me deu ao trazer o meu pedido. O sorriso que eu dou todos os dias para os meus colegas de trabalho, há duas semanas. O sorriso que a minha namorada me deu, após me contar que estava com outro cara, me desejando felicidades.

Esses sorrisos não deveriam existir, pois não refletem o que há verdadeiramente por dentro. Qual o sentido de escondermos o que sentimos? Poupar a nós ou aos outros? Só um pensamento.