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Mostrando postagens de Setembro, 2015

Voa, vá em paz.

Ouça antes de ler...



Eu estava quietinha no meu canto, e, de repente, você pousou na minha vida. Eu li e sublinhava as partes que mais me tocavam de um livro de poesias, quando você sentou ao meu lado, com um fone, que mais parecia um alto falante, tocando alguma música barulhenta. Foi nesse momento que você penetrou na minha paz.

Por cima do meu ombro, espiava a minha leitura e quando te olhei, você sorriu. Sorriu sinceramente como quem dizia "duvido que você nunca tenha feito isso". Eu queria responder que era uma invasão, mas não era possível me irritar diante da maneira como você era tão espontâneo e, inevitavelmente, sorri de volta. De alguma forma, eu sempre quis que alguém lesse as entrelinhas das minhas marcações.

Por acaso, no meio de tantos bancos vazios ali em volta, você quis descansar ao meu lado. E por acaso, eu quis arriscar e entrar no seu ritmo. Acasos, por mais improváveis que possam parecer, sempre possuem algum sentido. Você experimentou da minha calmaria. E…

No meu tempo.

Todos os dias alguém vinha me dizer que eu precisava sair “dessa”. Dessa, no caso, significava fossa. Mas, convenhamos, quantos deles entendiam realmente o quanto eu estava machucada? Quantos deles algum dia se sentiu da mesma maneira que eu me sentia?

Não estou dizendo que a minha dor era maior do que a das outras pessoas. Não me entenda mal, apenas doía. E eu não queria ouvir que era besteira, me entende? Cada um enfrenta a dor da sua forma, é algo muito particular e sem fórmulas. E eu, bem, não sabia levar a minha dor de outra forma a não ser sentindo. Sentindo cada pontada no meu coração, revivendo cada lembrança, chorando, abraçando o travesseiro, enfim, me entregando.

E a tristeza é viciante. A tristeza, de alguma forma bizarra, acaba sendo uma boa companhia. Ela está sempre ali, sabe? Acordava triste e dormia triste. E quando sorria, era ainda mais triste. Não me sentia sozinha com a tristeza, pelo contrário, estar triste era saber que ele ainda estava presente na minha vida. Uma…