20 dezembro 2016

Faça da tua gratidão a tua força para continuar.


Tá todo mundo ansioso para a virada do ano. Dessa vez, quase como uma unanimidade, as pessoas querem desesperadamente se despedir de 2016 por ter sido um ano realmente recheado de histórias tristes. 

Casamentos e namoros que chegaram ao fim, tragédias (entre fatalidades e terrorismos) em grande escala no mundo todo, além de muitas mortes individuais importantes, eleições com resultados assustadores, sem contar a luta diária de cada um, ufa, com tudo isso, a #acaba2016 ou similares estão bombando. Definitivamente foi um período que marcou, e, para a maioria, não foi positivamente. 

Mas me desculpem, eu não entrei nessa onda e acho uma injustiça danada colocar toda a culpa no período que está terminando. Não que eu seja alheia às dores do mundo, não que os últimos doze meses tenham sido muito fáceis e tranquilos para mim. Pelo contrário, tomei muita porrada e ele está terminando bem complicado. 

Mas um ano são apenas 365 dias, às vezes 366. E no próximo dia primeiro de Janeiro, será o 367º dia e por aí vai. Só isso. Não tem mágica, não tem um reset do ano anterior, nada vai mudar de uma hora para outra. Renovar as esperanças é incrível e necessário, mas aliado a isso, melhor ainda é encontrar motivos para agradecer pelo que passou. Entre tanta coisa doída - mesmo a lista sendo bem grandinha, tu tem certeza que o ano não valeu de nada? Nadinha mesmo? Não realizou nem um sonho, não conseguiu passar por nem uma provação importante, não conheceu ninguém especial (amizade conta e muito!), não fez uma viagem bacana, não percebeu que o mundo se lembrou do que era solidariedade, não se sentiu sortudo nem uma vez? 

Vamos, faz uma forcinha, coloca no papel, faz a sua reflexão, mas com bons olhos, coração aberto para chorar e sorrir. E no final, faça da tua gratidão a tua oração para um ano melhor. Faça da tua gratidão a tua vontade de alcançar mais, fazer mais, mudar mais. Faça da tua gratidão a tua humildade, a transformação da tua percepção de mundo. Faça da tua gratidão a tua força para continuar. A vida é uma imensa maré, se hoje estamos em um período conturbado, não vai tardar para um período de paz voltar. O que a gente pode fazer a não ser confiar nisso?

17 novembro 2016

Falta espaço pra você na minha vida - e nos meus textos.


Tô aqui olhando para a tela do computador há alguns minutos. Você tá na minha cabeça e eu quero escrever um texto sobre você. Quero falar da época em que tudo se encaixou e nem passou pela minha cabeça que teríamos o fim que tivemos. Quero falar da época em que fizemos planos e você parecia ser o cara certo.

Mas eu me acostumei a falar sobre a dor que você me deu, depois que decidiu ir embora. Meus melhores textos foram contando sobre as minhas tentativas falhas de te esquecer. Amava sentir cada pontinho de angústia se transformar em verso. Por isso, tô aqui tentando fazer mais um texto  sair do forno, sabe?

Mas a página do Word permanece em branco. 

Não que eu não tenha boas e más lembranças quando o assunto é você e eu poderia sim falar sobre elas; não que eu tenha perdido a inspiração, porque é exatamente o contrário. Tenho tanta coisa nova para contar! Tô conhecendo gente, sentimentos, lugares. Tô me conhecendo, descobrindo novos gostos, sons e sensações. Tô aprendendo a ser menos medrosa e muito mais curiosa.

E no meio disso tudo, falta espaço pra você na minha vida - e nos meus textos - hoje em dia.

E assim, eu descubro que esse não-texto é o meu texto de despedida. O que eu tinha para escrever enquanto estava feliz com você, eu escrevi. O que eu tinha para colocar para fora, quando tudo o que sobrou foi dor, eu vomitei. Mas agora é o momento de deixar vir o novo. Nada é mais sincero do que a minha inspiração, eu pulso em função dela. Se ela não está mais ligada a você, sinto que meu coração também não. É hora de me libertar. E te libertar das minhas entrelinhas.

04 novembro 2016

Amar é sobre querer ficar.


Não gosto de categorizar o amor como fácil ou difícil. Tudo é circunstancial e nós estamos falando de pessoas, de sentimentos, de rotina.

Só que é fácil amar o outro enquanto ele lhe faz uma surpresa no meio da semana. É fácil amar no silêncio da noite, encaixados um ao outro. É fácil amar quando ele sorri e durante as conversas intermináveis sobre política e temas banais. É fácil amar em um dia de Sol na praia tomando água de coco e batendo fotos para postar no instagram.

Mas é difícil, não é? É difícil amar quando ele está com a cara emburrada na frente dos seus amigos e você nem sabe o porquê. É difícil amar quando está cansada do trabalho e ele quer ficar conversando sobre algum assunto que não te interessa. É difícil amar quando ele esquece aquele compromisso que você falou mil e uma vezes.

Na verdade, o amor em si é muito simples. Você sabe que ama aquela pessoa e pronto. Não tem mistério, perceber e assumir o que sente é até leve.

Mas além disso, amar é convivência. É qualidade e defeito. É insistir e ceder. É dia bom e dia ruim, às vezes as duas coisas em 24 horas. É abraço apertado e saudade que dói. É estresse, é calmaria, é briga e muita risada.

E é justamente por esse emaranhado de momentos e sensações que as pessoas se perdem. É pelo medo ou por subestimar que a gente se engana com a ideia de amar. Não é tão difícil quanto dizem nem tão fácil quanto a gente gostaria, é um pouco mais óbvio que isso: é tudo uma questão de querer fazer dar certo. 

Entre limitações e suas superações, amar é sobre querer ficar e cada vez mais evoluir - juntos.

18 setembro 2016

Te espero


Tu sabes bem
Até demais
O quanto te espero
Em horas pontuais

À noite
Pra enfim dormir
Pela manhã
Pra já sorrir



15 agosto 2016

Empatia.


Não deveria, mas ainda me surpreendo. Me surpreendo com o quanto as pessoas se tornaram descartáveis umas para as outras, em todos os tipos de relação. Li um desabafo de uma menina no Facebook e logo percebi que ela tinha terminado o namoro. Fucei, porque não me aguento, e descobri que o ex-namorado já estava postando foto com a nova namorada no Facebook. E tudo isso aconteceu em poucos dias, para não parecer exagero, menos de um mês. E já tinha fotos com a mãe, alguns amigos e declarações de amor eterno e - pasmem - planos de filhos. 

Longe de mim, que fique claro, julgar e agourar os relacionamentos alheios, mas eu realmente acho muito estranho o quanto tudo muda tão rápido. Parece idiota da minha parte e deve ser mesmo, mas eu fico com raiva. Fico com raiva da família e dos amigos por agirem como se nada tivesse acontecido. Fico com raiva do cara por tanta cara de pau. Fico com raiva de cada curtida recebida nas fotos. E se quer saber, eu mal conheço a menina que fez o desabafo. Só que independente de afinidade, tive empatia. 

E sinceramente, eu acho que é isso que mais falta hoje em dia. Eu tenho um pseudo-defeito que é me colocar sempre no lugar dos outros, e talvez isso me torne um tanto quanto trouxa, mas como lidar com uma situação dessas? Gostaria de (re)frisar que não acho que devemos julgar quem muda de relacionamento tão rápido, mas no mínimo, todos os envolvidos deveriam ter cautela. Respeito. Consideração. Seja o próprio (ou própria) que seguiu em frente, seja a sua família, sejam os seus amigos. 

Vivemos na era da internet, e se não postou, é porque não aconteceu. Por que não usar isso a favor dessa situação tão delicada? Por que não viver offline enquanto as coisas não esfriam? Por que não poupar o outro e preservar também o que está construindo de novo? Por que as pessoas esquecem que tem alguém de carne e osso do outro lado da tela do computador que vai sentir? Veja, não é deixar de viver, é somente não precisar mostrar e esfregar na cara da outra pessoa "o quanto você está muito mais feliz agora". 

É só uma questão de deixar de lado essa briga de ego, esse egoísmo. É só uma questão de ter a tal da empatia. Difícil?

20 julho 2016

A melhor coisa para paquerar na modernidade (?)


Estávamos sentados no meio de uma praça de alimentação de um shopping movimentado da nossa cidade. Eu não sabia o que dizer, ele menos ainda. Logo ele que vinha puxar assunto comigo todos os dias no whatsapp! Fiquem sabendo que esse é o mal do mundo moderno, as pessoas não sabem mais conversar quando estão uma de frente para a outra, olho no olho. Nos sentimos mais a vontade utilizando emoticons.

Mas também, aonde eu estava com a cabeça quando aceitei sair com esse cara? Aonde estava o meu bom senso quando baixei no meu celular o tal aplicativo que minhas amigas diziam ser a melhor coisa para paquerar na modernidade? Nota-se que eu disse paquerar e isso já mostra o quão antiquada eu sou. Não sei porque fui querer bancar a moderninha!


Ele foi simpático, confesso. Como eu disse, puxou assunto comigo durante vários dias consecutivos, sem nem tocar no assunto de sairmos, quando na verdade, isso já é algo meio que implícito quando duas pessoas se curtem nesse aplicativo, pelo que li nas regras. Agradeci, pois se após conversarmos por dias, esse "encontro" já estava sendo uma tragédia, imagina se acontecesse antes de hoje?


Mas a verdade é que eu preferia ele de boca fechada mesmo. Ele tinha uma voz muito estranha. Fanha, fina e eu já disse estranha? Eu tive que me segurar para não rir assim que ele disse a primeira palavra. Além do mais, tínhamos marcado de ir ao cinema e depois jantar em algum lugar, logo, coloquei o meu vestido preferido e ainda olhei tutorial de maquiagem para um primeiro encontro no youtube. E sabe como ele me apareceu? Com uma camisa do Botafogo e um tênis de corrida. Tenho nem palavras para expressar o que senti naquele momento.


Fomos assistir a um filme que eu estava louca para ver. O filme era lindo e triste, então me expliquem, por favor, o porquê dele ter ficado rindo como se tivesse assistindo a um programa de comédia da Multishow? Nunca senti tanta vergonha na minha vida! As pessoas estavam chorando, inclusive eu queria chorar, e ele gargalhando. 

Depois do cinema, as coisas só foram de mal a pior, porque ele era realmente muito bobo e ficava repetindo as mesmas coisas diversas vezes. Tudo bem que não tínhamos assunto, mas entre uma opção e outra, o silêncio é uma ótima saída.

Para resumir e dar um crédito ao rapaz, ele me levou num restaurante de massas incrível, o que não fez da noite um completo erro. E foi isso. Inventei uma desculpa ridícula para ir embora mais cedo e não, eu não dei sequer um beijo nele, o que deve ter sido uma grande decepção para o coitado - que, por sinal, ainda puxou assunto comigo alguns dias após esse encontro. Dá para acreditar?

O que eu realmente quero dizer é que longe de mim julgar os adeptos dessa nova forma de conhecer pessoas, mas para mim não funcionou. Podem me chamar de antiquada ou romântica demais, mas senti que estava forçando algo deveria ser natural. Na verdade, faltou alguma coisa. Uma troca de olhares, um sorriso no canto da boca, aquele interesse no estilo, no andar, no jeito de conversar, e não simplesmente em uma foto. 

Ps: Ele era bem bonitinho e até melhor do que nas fotos, pelo menos nisso não foi propaganda enganosa!

18 maio 2016

E talvez eu te esqueça.



Eu preciso ser honesta comigo mesma: você não me quer mais. Você deixou isso tão claro que, caramba, por que eu fico tentando me enganar, distorcendo pateticamente a realidade? Perceber o fim, dói, mas é a verdade e a verdade geralmente dói mesmo. A verdade olha no olho. Escancara. Grita. Insiste. E ok, bom trabalho, já entendi.

Só que aceitar que a nossa história acabou é tirar um peso gigante das costas e ao mesmo tempo me sentir completamente perdida. Isso faz algum sentido? 

Por isso hoje, mais do que nunca, eu não sei o que esperar da noite que se aproxima. Talvez eu decida ir a um bar com um pessoal qualquer, só para garantir que eu vou chegar anestesiada. Talvez eu apareça na porta da minha melhor amiga destruída e chore até de manhãzinha. Talvez eu invente uma desculpa para faltar o trabalho amanhã e poder ficar na cama assistindo a nossa série preferida, comendo o nosso sorvete preferido, só pra te manter aqui mais um pouco.

Talvez.

Mas talvez eu não me permita chorar mais nem uma vez por sua causa. Talvez eu guarde todos os presentes e os porta-retratos espalhados pelo meu quarto. Talvez eu perceba que o fim de um relacionamento (obviamente) não é o fim da minha vida. Talvez eu inicie uma mudança – inclusive dentro de mim.

E talvez eu te esqueça. 

Se não essa noite, em alguma outra por aí

28 abril 2016

Faltou foi amor, viu?


O mais triste, na minha opinião, foi a gente não ter tido coragem para terminar tudo enquanto ainda era bonito. Enquanto a lembrança ia ser gostosa e não dolorida. Enquanto havia respeito e carinho.

As pessoas dizem "Ah, mas vocês insistiram, isso é amor". Mas não, a gente sabe que não.

O amor já estava longe faz tempo.

Foi covardia, foi comodidade, foi medo do que viria depois. Foi um misto de sentimentos, só não foi, ali no fim, amor. Foi exatamente a falta dele que fez com que ficássemos juntos.

Porque foi preciso que ficasse insuportável, foi preciso noites de choro, foi preciso que nos magoássemos um pouquinho todo dia, foi preciso a transformação do amor em dor para que percebêssemos que tinha acabado qualquer vontade de manter um laço. 

E acabou mesmo. Foi cada um para um canto, com o coração estraçalhado, com uma amargura desnecessária e toda uma história manchada. Sem culpados, porque não adianta apontar o dedo para o mais ou menos errado, se os dois assistiram calados a situação chegando a esse ponto.

Mas só hoje, após ter superado pelo menos a mágoa que sobrou de você e de mim, que eu entendi que amor não é insistir de olhos fechados, mas desistir por ter o coração aberto. Amor é liberdade, totalmente diferente de querer manter a pessoa presa a você sob qualquer circunstância ou de se sujeitar a um relacionamento fracassado por medo da solidão. Amor é querer o outro feliz , mas também, (e por que não?), querer a si mesmo feliz. 

Por isso, faltou foi amor, viu? Amor em diferentes esferas - amor ao próximo e amor-próprio. 


13 abril 2016

O que você precisa, você já tem.


Era sexta-feira, quatro horas da tarde e faltava algumas horas para a minha aula começar. Decidi me sentar em um café num shopping perto da minha faculdade.

Sempre ando com um livro na bolsa para qualquer minutinho vago que eu tenha na minha rotina instável e era um que me fazia companhia naquele dia. Eu não preciso de muita coisa na minha vida, sabe? Uma boa música tocando no meu fone de ouvido; um bom livro de romance policial e um lugar calmo para fazer uma dessas duas coisas – ou as duas ao mesmo tempo.

Eu não estava completamente satisfeita naquele dia, pois o terceiro item da minha lista não pôde ser realizado com o sucesso, mas em compensação, eu tinha um excelente capuccino na minha mesa para suprir essa falta.

Foi quando uma voz interrompeu a minha investigação ao lado de Hercule Poirot. A senhorita está esperando alguém?, o senhor me perguntou em um tom desconfiado. Aparentava ter uns sessenta anos, talvez um pouco mais. Vestia uma calça jeans bem surrada e uma blusa polo branca igualmente gasta. Lembrou-me de meu pai. Nesse instante, eu morri de medo disso ser uma cantada, porque hoje em dia, nós, mulheres, vivemos apreensivas. Respondi que não e ele, sem falar mais nada, sentou-se na cadeira a minha frente, dividindo a mesa comigo.

Sério isso?, pensei. Para não estragar o meu dia e querendo fugir dessa situação, voltei os olhos para as páginas no meu colo e tudo voltou a ficar em ordem. Eu realmente não faço a menor ideia de quanto tempo havia passado quando decidi averiguar o mundo a minha volta, só sei que bastante – o suficiente para a atendente ficar me encarando, pois eu só tinha consumido uma bebida e estava ocupando lugar. Mas o senhor continuou sentado na minha frente e nesse momento estava me fitando.

Você não estava mesmo esperando ninguém, ele me disse quase contente. E eu achei graça por ele ter duvidado de mim, qual era o problema disso? É que hoje em dia, ele completou como se respondesse a minha pergunta feita em silêncio, é muito difícil encontrar jovens que se contentem consigo mesmo. Estão sempre acompanhados, parecem ter medo de usufruir da sua própria companhia. E eu realmente fiquei surpreso por te ver assim, tão imersa nesse livro e tão longe do mundo a sua volta. Satisfeita solitariamente nesse lugar repleto de casais e grupos animados. Continue assim, sem medo e sem vergonha de ficar sozinha. O que você precisa, você já tem.

E não, não vou fazer nenhuma reflexão para fechar o texto de forma bonita e impactante. Esse moço, que eu nunca saberei o nome e não vou ver novamente, já disse tudo pra mim e por mim. 

Alguns minutos após ele ir embora, eu me dirigi à livraria do shopping para garantir que seguirei o seu conselho.

28 março 2016

Deixa ir, deixa vir.


Faz algum tempo que eu não recebo notícias daquele que um dia foi o amor da minha vida. De um tempo pra cá, as pessoas pararam de citá-lo no meio da conversa e talvez esse seja um sinal de que estamos mesmo perdendo o vínculo, né? Parece que as pessoas esqueceram que nós já estivemos juntos, parece que nossa história, definitivamente, chegou ao fim.

Confesso que é estranho perceber como o tempo realmente passa. Por mais idiota que isso possa parecer e é mesmo, eu tentei resistir. Tentei, obviamente em vão, mas eu tentei. Não queria escrever uma nova história e muito menos queria que ele escrevesse uma também. Não sem mim, não sem os nossos planos arquitetados nas madrugadas juntos. 

E, no entanto, dia após dia, eu continuava vivendo aqui e ele lá. E é exatamente entre o fim e o recomeço que definimos quem somos e o que queremos. É um momento de autoconhecimento, de respeito a si mesmo e de decidir se subimos ou descemos um pouquinho mais para o fundo do poço. Eu fiz a minha escolha.

E finalmente hoje, consigo sentir a liberdade de não pertencer mais a um sentimento que eu tentei conservar por tanto tempo. Porque no começo, eu pensei que nunca fosse passar, quer dizer, eu não queria que passasse. Teimava em dizer que ele era insubstituível, mas isso era mais uma forma de me consolar e acreditar que também não tomariam o meu lugar na sua vida, sabe? 

Mas aceitar que tudo tem o seu fim e que até o maior dos amores pode se tornar somente uma lembrança, foi difícil e ao mesmo tempo de um amadurecimento aconchegante. A gente se dá conta de que o que fica de verdade é o que a vida permite que fique. 

Por isso, escuta o meu conselho: deixa ir, deixa vir. Não se prenda a dores antigas, a amores fracassados, a pessoas indiferentes. Seja maleável e, mais que isso, seja corajosa. Para sentir, para ser feliz, para sofrer e dizer 'até nunca mais'. Quantas vezes forem preciso.

22 fevereiro 2016

Me sinto patética e incrivelmente adulta.


Eu queria dizer que estou preparada para tudo que está por vir. Eu queria dizer que não tenho vontade de fugir e me esconder. Mas eu sou sincera até com as minhas fraquezas, por isso, se quer mesmo saber, eu estou apavorada. Em um momento, a vida parece que não está andando e em outro parece que está mudando mais rápido do que eu consigo acompanhar, como se eu não estivesse tendo oportunidade de refletir sobre o que está acontecendo ou para onde estou indo. Estou sendo levada, arrastada... Para falar a verdade, sinto mesmo que estou levando caixotes, sabe? De uma onda maior que a outra.

Até ontem, a minha maior preocupação era com a minha prova de Química. Até ontem, eu chorava porque o meu namoradinho estava conversando com uma outra menina no recreio. Até ontem, eu tinha medo sim. Tinha muito medo dos meus pais descobrirem que eu não tinha ido à casa da minha amiga, mas a um show de uma banda que nem existe mais.

Olhando assim, me sinto patética e incrivelmente adulta. 

Afinal, faz um bom tempo que eu não preciso mentir para os meus pais, visto que eles me dão mais liberdade do que eu realmente queria. Faz um bom tempo que eu não sei o que é chorar por causa de alguma bobeira amorosa. Mas tudo bem, não faz tanto tempo assim que eu me matei de estudar para uma prova, só que foi na faculdade.

É que hoje em dia as minhas prioridades, mesmo sem querer, são outras. Eu não tenho mais o tempo de antes, até então o futuro nunca tinha sido tão assustador e a minha cabeça nunca tinha girado tanto por conta de preocupações. Sinto que preciso fazer escolhas decisivas a cada segundo e, caramba, escolher é apavorante. Porque geralmente quando dizemos sim a alguma coisa, consequentemente também estamos dizendo não a uma outra, e a gente nunca tem muita certeza do que está fazendo né? O coração aperta.

Mas uma vez eu ouvi que a gente tem que ter coragem. Eu não sei bem o que isso significa na prática, tenho somente a visão romantizada da palavra, e eu também não sei se eu sou capaz de tê-la, mas de alguma forma, eu continuo tentando. Cansada e meio desajeitada, eu me levanto de cada caixote, tomo fôlego e mergulho novamente no mar. Num mar de possibilidades, de chances de dar errado, mas também com grandes chances de que eu aprenda a nadar. 

01 fevereiro 2016

O que sobrou ficou leve e você, no passado.


Primeiramente preciso dizer que esse é o primeiro texto que eu escrevo que eu realmente gostaria que você lesse. Engraçado né? Até os outros em que eu dizia estar bem e te menosprezava, no fundo, eu preferia que você não tivesse conhecimento dos meus sentimentos - sendo eles verdadeiros ou não. Mas esse sim.

Minhas memórias, finalmente, não são mais tão claras e só me lembro do necessário. Lembro da gente dançando em um show ruim e de você me pedindo em namoro no meio de um monte de desconhecidos. Lembro da primeira vez em que dormimos juntos e que na verdade, eu não dormi coisa nenhuma. Lembro do dia que você me disse que não me amava mais. Lembro de muito choro e de te odiar por bastante tempo.

Levou um tempo para que o meu coração se reorganizasse, mas a vida sempre arranja um jeito de colocar tudo no lugar, mesmo que inicialmente a gente não entenda para qual caminho ela está nos levando. Hoje estou bem, conquistei coisas que não conquistaria ao seu lado e me tornei uma pessoa que não teria sido possível se estivesse com você. Tô mais madura, um pouco mais cética, mas incrivelmente feliz com um novo amor.

Eu ganhei muito parando de te culpar pela minha infelicidade e finalmente fazendo algo por mim. Eu ganhei muito quando transformei o ódio em força. Porque foi assim, devagarzinho, que mudei a minha visão sobre o que eu fui, o que você foi e o que nós fomos. E, dessa forma, o que sobrou ficou leve e você, no passado.

E a verdade é que eu me arrependo de muitas coisas, mas a maior delas, foi não ter tido maturidade para encarar o nosso fim. Poderia ter sido mais fácil se eu tivesse enxergado as coisas como elas são: sentimentos não são controláveis e nem tudo que a gente quer é o melhor para nós. Sem entrar no mérito de você ter agido de forma justa comigo ou não, afinal, sabe lá como eu agiria no seu lugar. 

Por isso, antes eu não conseguia dizer, mas hoje eu consigo (e quero): boa sorte. Boa sorte na sua carreira, no seu relacionamento, na sua vida como um todo. Não desejo que nos tornemos amigos, mas espero que um dia a gente se esbarre por aí e o sorriso seja recíproco. Sem orgulho e sem mágoas.

18 janeiro 2016

Eu só quero que me prometa que vamos nadar contra a correnteza.



Você sabe que vai ser cada vez mais difícil, não é? Não temos mais quinze anos e as nossas obrigações passaram de apenas ser aprovado no colégio ou arrumar a cama ao acordar. Eu não preciso mais dar (tanta) satisfação aos meus pais e você mora sozinho, mas parece que antigamente as coisas eram mais fáceis quando se tinha alguém ali monitorando e nos ajudando (diretamente).

Hoje em dia eu tenho dois empregos e você dá aula o dia inteiro. Estudamos a noite e chegamos em casa só para dormir e recuperar parte das energias para encarar tudo de novo no dia seguinte. Nosso final de semana começa no sábado à tarde. Agora temos contas a pagar, problemas para resolver e uma pressão gigante para administrar sem se deixar enlouquecer.

Por isso, é muito mais cômodo reclamar do chefe, do dinheiro que não está dando, das provas que estão chegando, da falta de sono.

É muito mais fácil deixar a rotina pesar e anular os sentimentos bons.

Mas me promete que não vamos dormir sem antes desejar boa noite um para o outro? Me promete que no meio do dia você vai me ligar só para dizer que se lembrou de mim ao passar em frente a uma bacana de jornal e ver um livro da minha escritora preferida? Me promete que quando eu te mandar uma mensagem dizendo que estou com saudade, você vai entender o recado e vamos dar um jeito de nos encontrar só para terminar o dia melhor do que começou? Me promete que quando estivermos juntos, vamos deixar de lado o celular, as reclamações e aquilo que sobrecarrega?

Meu bem, eu só quero que me prometa que vamos nadar contra a correnteza. 

Porque, enquanto ter o meu colo para você deitar e eu o teu peito para encostar a cabeça, for motivo de sorriso e refúgio para nós dois, eu prometo não desistir.

04 janeiro 2016

Eu não sou mais a mesma.


Desde aquele dia na cafeteria da sua rua em que você pediu para que eu não te procurasse mais, aconteceram muitas coisas. O que posso dizer? 

Eu ainda te liguei, mas isso você sabe, mesmo que não tenha atendido a nenhuma das minhas ligações. Eu ainda chorei muito, por noites seguidas e em várias tardes de domingo. Mas verdade seja dita, eu acabei reaprendendo a caminhar sem ter a sua mãe segurando a minha. Além disso, descobri a minha série favorita e estou prestes a terminar a minha faculdade, embora já exerça a profissão que eu amo. Também conheci muitas pessoas incríveis e outras nem tanto assim, aprendi a dizer não e adoro sair aos sábados sem rumo por aí. 

Ainda guardo na memória os nossos bons momentos juntos, mas hoje em dia eles dividem o lugar com tantos outros que colecionei ao longo desse tempo. Ainda lembro que você é fã da banda Red Hot Chili Pepppers, mas não tenho certeza se o seu aniversário é dia 10 ou 11 de Junho.

Sendo bem sincera, toda vez que eu dava um passo a frente, passava pela minha cabeça que agora sim daríamos certo. Eu estava mais madura, estava mais independente e esperta. Podia te contar, te provar, te reconquistar de alguma forma. Mas pera lá, fazer isso não seria justo comigo mesma né? 

Afinal, é verdade, eu não sou mais a mesma. 

Só que definitivamente o crédito é todo meu. Eu enfrentei os meus medos e as minhas inseguranças, eu superei, hoje tenho um coração calejado, mas sem dúvidas, eu estou muito mais forte e sã.

Supervalorizei quem não me deu valor nenhum. Obviamente, a conta não batia e nunca ia bater. Percebo agora que, de fato, a decisão foi sua, mas talvez você não faça ideia do favor que me fez.