28 março 2013

A luz daquela noite.




Te encontrei em uma dessas esquinas da vida, eu estava passando rápido demais e você me parou. Meu coração freou. E poderiam pensar que foi assim, de uma vez só. Mas foi de mansinho, sem eu notar, sem que eu pudesse fugir. Mão na nuca, sussurro no ouvido, um sorriso arrebatador. Eu sorri de volta me deixando cair em seus braços. Que braços! Eu não queria sair e você também não deixava. A gente dançava no mesmo compasso, tinha o mesmo timbre e a mesma pegada. Musical e carnal. Tão leve e tão intenso, cheio de perguntas que nunca seriam respondidas e eu nem me importava. Eu nunca quis entender o que tivemos, porque o que importava era que existiu.
Amanheceu e junto com a lua, você se foi. A luz do Sol entrou em nosso quarto alugado por algumas horas e trouxe junto a realidade e a singela saudade dos momentos da noite que passou. Pensei em contar para minhas amigas, mas talvez elas dissessem que já tiveram algo parecido, talvez realmente achassem um caso clichê. Deixa pra lá. Tomo meu café que mesmo sem açúcar de amargo não tinha nada. A vida está mais doce.
Me sinto como se estivesse mais acreditada, mais esperançosa e sem pressa. Que ideia a minha sair correndo sem admirar as paisagens! Foi como um lembrete da vida ter encontrado com esse cara, me dizendo que eu posso ter muito se andar devagar, se prestar atenção no lado de fora de mim. Aprendi, me abri e agora que venham mais loucuras. Quero perder a cabeça mais vezes e experimentar dos prazeres que se espalham por aí. Quero histórias para contar, escrever e me deliciar ao lembrar. 

Maria Carolina Araujo

26 março 2013

Sem mudar, por favor.


Não sou adepta às mudanças, me desculpa. Nunca pintei o cabelo. Odiava mudar de colégio e de amigas. Então, e principalmente, não me diga para partir para outra. Eu não quero outra coisa, eu quero essa, desse jeito, do nosso jeito. Todas as vezes que aconteceu alguma mudança na minha vida foi porque não estava ao meu alcance continuar da mesma maneira. Mas essa, nós, está completamente em nossas mãos. Então, eu não posso e nem quero uma novidade. Eu não quero um novo cabelo para enrolar os meus dedos e nem outro peito para me deitar. Não quero um novo número de camisa para comprar e nem um novo bairro para visitar aos finais de semana. Eu não quero fotos novas, as nossas já estão por todo o meu quarto. Também não vejo graça em outro sorriso ou mãos, porque duvido que sejam tão perfeitas para mim. Entende? Dessa vez a mudança é incrivelmente inaceitável, totalmente assustadora. Por isso, não diz mais isso ta? Os meus erros e os nossos problemas eu aceito que mudem, se isso for te deixar aqui. Só o que não pode alterar é o nosso sentimento, eu na sua vida e você no meu coração. Isso nunca.

Maria Carolina Araujo

22 março 2013

O amor que eu quero.


O meu ponto de ônibus fica em uma praça e enquanto eu esperava que ele viesse, vi um casal de velhinhos que estavam brigando. Feio mesmo, e ao final, a senhora o deixou falando sozinho. Ele ficou bastante sem graça e olhando para mim, deu um sorriso como quem diz “faz parte” e foi atrás dela. Eu que não consegui parar de olhar aquela cena (em parte porque achei, no mínimo, diferente), ver aquele senhor ir atrás de sua esposa, me chamou muito a atenção. Quem sabe o errado era ele e ela, cansada de mais um erro, foi embora para esfriar a cabeça? Quem sabe era mais um exagero de mulher, mais um show que nós, modéstia a parte, adoramos fazer? Quem sabe ainda foi só uma briga boba que logo iria passar? Mas nada disso importa, a questão é que ele foi atrás dela. E isso, nos dias de hoje, compete de igual para igual com o seu oposto: deixar pra lá. As pessoas desistem fácil, não querem lutar, não querem se sacrificar. E isso pode ser qualquer coisa, menos amor. Não me venha com essa história de amor-próprio porque esse é fundamental e eu reconheço o seu valor, mas em uma relação verdadeira ele não é tão primordial assim porque outras coisas são igualmente importantes. O fato é que o amor que eu conheço é ceder de vez em quando, porque é imensa a vontade de estar junto e bem, acima de tudo. O amor que eu quero para mim é igual ao desse casal, que provavelmente já discutiu diversas outras vezes durante o seu casamento, mas que ainda assim, o senhor foi atrás, não deixou de lado, sem sentir vergonha por isso. Porque amar é confiar e por isso, um pensa no outro e não sente falta de pensar em si mesmo, porque tem certeza que o seu parceiro está fazendo esse papel muito bem.

Maria Carolina Araujo

12 março 2013

Quero viver.


Tô disposta. É isso mesmo que você ouviu. Já me escondi demais, me guardei só pra mim, e já tá passando de amor-próprio e virando egoísmo - comigo mesma. Foi necessário, é verdade. Eu estava precisando ficar sozinha, ter a minha casa pra mim, trancar as portas e não deixar que nada e nem ninguém entrasse. Tava liberado sair, as dores, temores, ilusões e vontade sem sentido. E aos poucos tudo isso foi realmente embora, sobrou somente a mim. A de sempre, longe das confusões, cheirando a paz. O coração voltou a ser ritmista, o sorriso não é mais fingido e nem me lembro qual foi a última vez que eu chorei por alguém, porque continuo a chorar em filmes. Então, eu me diagnostiquei curada. Me dei alta e estou reabilitada a viver a vida por completo, a viver um amor. E por isso eu não vou mais fugir, virar os olhos e te dar desculpas fajutas. Eu vou ficar aqui, não é isso que você quer? Eu também. Vamos tentar. Tô pronta pra novas loucuras, preenchimento de sentimentos e vontades. Tudo que eu tinha para me dar, eu me dei. Agora falta a sua parte, combinado? Traz amor, mas traz também leveza. Porque sendo leve, não sufoca, não tira o sono, só faz flutuar e sorrir, por qualquer coisa.

Maria Carolina Araujo

08 março 2013

De uma mulher para os homens.

                                       

Neste dia da mulher, eu quero agradecer aos homens. Obrigada por aturar as crises de TPM e os brindes que vem junto dela. Obrigada pelo abraço quando choramos pelo final do filme que vocês odiaram e também por nos fazer rir quando estamos putas porque a unha quebrou. Obrigada por nos emprestar o casaco quando está frio e por essas mãos que adoramos sentir. Na nuca, no rosto e na bunda. Nós amamos ser mulher em parte porque temos diversas desculpas prontas para todas as nossas fases e também porque temos vocês... Para nos mimar. Uma dica: Não queremos rosas no dia de hoje, ok? Mas uma caixa de chocolate será muito bem-vinda!

Maria Carolina Araujo