01 fevereiro 2017

Diz aí.


Sinto e minto
Não falo porque já sou tua
E tu saberia o que fazer
Com minha alma
nua?

Amo e fujo
Não me entrego porque senão eu fico
E tu gostaria de conviver
Comigo assim
infindo?


20 dezembro 2016

Faça da tua gratidão a tua força para continuar.


Tá todo mundo ansioso para a virada do ano. Dessa vez, quase como uma unanimidade, as pessoas querem desesperadamente se despedir de 2016 por ter sido um ano realmente recheado de histórias tristes. 

Casamentos e namoros que chegaram ao fim, tragédias (entre fatalidades e terrorismos) em grande escala no mundo todo, além de muitas mortes individuais importantes, eleições com resultados assustadores, sem contar a luta diária de cada um, ufa, com tudo isso, a #acaba2016 ou similares estão bombando. Definitivamente foi um período que marcou, e, para a maioria, não foi positivamente. 

Mas me desculpem, eu não entrei nessa onda e acho uma injustiça danada colocar toda a culpa no período que está terminando. Não que eu seja alheia às dores do mundo, não que os últimos doze meses tenham sido muito fáceis e tranquilos para mim. Pelo contrário, tomei muita porrada e ele está terminando bem complicado. 

Mas um ano são apenas 365 dias, às vezes 366. E no próximo dia primeiro de Janeiro, será o 367º dia e por aí vai. Só isso. Não tem mágica, não tem um reset do ano anterior, nada vai mudar de uma hora para outra. Renovar as esperanças é incrível e necessário, mas aliado a isso, melhor ainda é encontrar motivos para agradecer pelo que passou. Entre tanta coisa doída - mesmo a lista sendo bem grandinha, tu tem certeza que o ano não valeu de nada? Nadinha mesmo? Não realizou nem um sonho, não conseguiu passar por nem uma provação importante, não conheceu ninguém especial (amizade conta e muito!), não fez uma viagem bacana, não percebeu que o mundo se lembrou do que era solidariedade, não se sentiu sortudo nem uma vez? 

Vamos, faz uma forcinha, coloca no papel, faz a sua reflexão, mas com bons olhos, coração aberto para chorar e sorrir. E no final, faça da tua gratidão a tua oração para um ano melhor. Faça da tua gratidão a tua vontade de alcançar mais, fazer mais, mudar mais. Faça da tua gratidão a tua humildade, a transformação da tua percepção de mundo. Faça da tua gratidão a tua força para continuar. A vida é uma imensa maré, se hoje estamos em um período conturbado, não vai tardar para um período de paz voltar. O que a gente pode fazer a não ser confiar nisso?

17 novembro 2016

Falta espaço pra você na minha vida - e nos meus textos.


Tô aqui olhando para a tela do computador há alguns minutos. Você tá na minha cabeça e eu quero escrever um texto sobre você. Quero falar da época em que tudo se encaixou e nem passou pela minha cabeça que teríamos o fim que tivemos. Quero falar da época em que fizemos planos e você parecia ser o cara certo.

Mas eu me acostumei a falar sobre a dor que você me deu, depois que decidiu ir embora. Meus melhores textos foram contando sobre as minhas tentativas falhas de te esquecer. Amava sentir cada pontinho de angústia se transformar em verso. Por isso, tô aqui tentando fazer mais um texto  sair do forno, sabe?

Mas a página do Word permanece em branco. 

Não que eu não tenha boas e más lembranças quando o assunto é você e eu poderia sim falar sobre elas; não que eu tenha perdido a inspiração, porque é exatamente o contrário. Tenho tanta coisa nova para contar! Tô conhecendo gente, sentimentos, lugares. Tô me conhecendo, descobrindo novos gostos, sons e sensações. Tô aprendendo a ser menos medrosa e muito mais curiosa.

E no meio disso tudo, falta espaço pra você na minha vida - e nos meus textos - hoje em dia.

E assim, eu descubro que esse não-texto é o meu texto de despedida. O que eu tinha para escrever enquanto estava feliz com você, eu escrevi. O que eu tinha para colocar para fora, quando tudo o que sobrou foi dor, eu vomitei. Mas agora é o momento de deixar vir o novo. Nada é mais sincero do que a minha inspiração, eu pulso em função dela. Se ela não está mais ligada a você, sinto que meu coração também não. É hora de me libertar. E te libertar das minhas entrelinhas.

04 novembro 2016

Amar é sobre querer ficar.


Não gosto de categorizar o amor como fácil ou difícil. Tudo é circunstancial e nós estamos falando de pessoas, de sentimentos, de rotina.

Só que é fácil amar o outro enquanto ele lhe faz uma surpresa no meio da semana. É fácil amar no silêncio da noite, encaixados um ao outro. É fácil amar quando ele sorri e durante as conversas intermináveis sobre política e temas banais. É fácil amar em um dia de Sol na praia tomando água de coco e batendo fotos para postar no instagram.

Mas é difícil, não é? É difícil amar quando ele está com a cara emburrada na frente dos seus amigos e você nem sabe o porquê. É difícil amar quando está cansada do trabalho e ele quer ficar conversando sobre algum assunto que não te interessa. É difícil amar quando ele esquece aquele compromisso que você falou mil e uma vezes.

Na verdade, o amor em si é muito simples. Você sabe que ama aquela pessoa e pronto. Não tem mistério, perceber e assumir o que sente é até leve.

Mas além disso, amar é convivência. É qualidade e defeito. É insistir e ceder. É dia bom e dia ruim, às vezes as duas coisas em 24 horas. É abraço apertado e saudade que dói. É estresse, é calmaria, é briga e muita risada.

E é justamente por esse emaranhado de momentos e sensações que as pessoas se perdem. É pelo medo ou por subestimar que a gente se engana com a ideia de amar. Não é tão difícil quanto dizem nem tão fácil quanto a gente gostaria, é um pouco mais óbvio que isso: é tudo uma questão de querer fazer dar certo. 

Entre limitações e suas superações, amar é sobre querer ficar e cada vez mais evoluir - juntos.

18 setembro 2016

Te espero


Tu sabes bem
Até demais
O quanto te espero
Em horas pontuais

À noite
Pra enfim dormir
Pela manhã
Pra já sorrir



15 agosto 2016

Empatia.


Não deveria, mas ainda me surpreendo. Me surpreendo com o quanto as pessoas se tornaram descartáveis umas para as outras, em todos os tipos de relação. Li um desabafo de uma menina no Facebook e logo percebi que ela tinha terminado o namoro. Fucei, porque não me aguento, e descobri que o ex-namorado já estava postando foto com a nova namorada no Facebook. E tudo isso aconteceu em poucos dias, para não parecer exagero, menos de um mês. E já tinha fotos com a mãe, alguns amigos e declarações de amor eterno e - pasmem - planos de filhos. 

Longe de mim, que fique claro, julgar e agourar os relacionamentos alheios, mas eu realmente acho muito estranho o quanto tudo muda tão rápido. Parece idiota da minha parte e deve ser mesmo, mas eu fico com raiva. Fico com raiva da família e dos amigos por agirem como se nada tivesse acontecido. Fico com raiva do cara por tanta cara de pau. Fico com raiva de cada curtida recebida nas fotos. E se quer saber, eu mal conheço a menina que fez o desabafo. Só que independente de afinidade, tive empatia. 

E sinceramente, eu acho que é isso que mais falta hoje em dia. Eu tenho um pseudo-defeito que é me colocar sempre no lugar dos outros, e talvez isso me torne um tanto quanto trouxa, mas como lidar com uma situação dessas? Gostaria de (re)frisar que não acho que devemos julgar quem muda de relacionamento tão rápido, mas no mínimo, todos os envolvidos deveriam ter cautela. Respeito. Consideração. Seja o próprio (ou própria) que seguiu em frente, seja a sua família, sejam os seus amigos. 

Vivemos na era da internet, e se não postou, é porque não aconteceu. Por que não usar isso a favor dessa situação tão delicada? Por que não viver offline enquanto as coisas não esfriam? Por que não poupar o outro e preservar também o que está construindo de novo? Por que as pessoas esquecem que tem alguém de carne e osso do outro lado da tela do computador que vai sentir? Veja, não é deixar de viver, é somente não precisar mostrar e esfregar na cara da outra pessoa "o quanto você está muito mais feliz agora". 

É só uma questão de deixar de lado essa briga de ego, esse egoísmo. É só uma questão de ter a tal da empatia. Difícil?

20 julho 2016

A melhor coisa para paquerar na modernidade (?)


Estávamos sentados no meio de uma praça de alimentação de um shopping movimentado da nossa cidade. Eu não sabia o que dizer, ele menos ainda. Logo ele que vinha puxar assunto comigo todos os dias no whatsapp! Fiquem sabendo que esse é o mal do mundo moderno, as pessoas não sabem mais conversar quando estão uma de frente para a outra, olho no olho. Nos sentimos mais a vontade utilizando emoticons.

Mas também, aonde eu estava com a cabeça quando aceitei sair com esse cara? Aonde estava o meu bom senso quando baixei no meu celular o tal aplicativo que minhas amigas diziam ser a melhor coisa para paquerar na modernidade? Nota-se que eu disse paquerar e isso já mostra o quão antiquada eu sou. Não sei porque fui querer bancar a moderninha!


Ele foi simpático, confesso. Como eu disse, puxou assunto comigo durante vários dias consecutivos, sem nem tocar no assunto de sairmos, quando na verdade, isso já é algo meio que implícito quando duas pessoas se curtem nesse aplicativo, pelo que li nas regras. Agradeci, pois se após conversarmos por dias, esse "encontro" já estava sendo uma tragédia, imagina se acontecesse antes de hoje?


Mas a verdade é que eu preferia ele de boca fechada mesmo. Ele tinha uma voz muito estranha. Fanha, fina e eu já disse estranha? Eu tive que me segurar para não rir assim que ele disse a primeira palavra. Além do mais, tínhamos marcado de ir ao cinema e depois jantar em algum lugar, logo, coloquei o meu vestido preferido e ainda olhei tutorial de maquiagem para um primeiro encontro no youtube. E sabe como ele me apareceu? Com uma camisa do Botafogo e um tênis de corrida. Tenho nem palavras para expressar o que senti naquele momento.


Fomos assistir a um filme que eu estava louca para ver. O filme era lindo e triste, então me expliquem, por favor, o porquê dele ter ficado rindo como se tivesse assistindo a um programa de comédia da Multishow? Nunca senti tanta vergonha na minha vida! As pessoas estavam chorando, inclusive eu queria chorar, e ele gargalhando. 

Depois do cinema, as coisas só foram de mal a pior, porque ele era realmente muito bobo e ficava repetindo as mesmas coisas diversas vezes. Tudo bem que não tínhamos assunto, mas entre uma opção e outra, o silêncio é uma ótima saída.

Para resumir e dar um crédito ao rapaz, ele me levou num restaurante de massas incrível, o que não fez da noite um completo erro. E foi isso. Inventei uma desculpa ridícula para ir embora mais cedo e não, eu não dei sequer um beijo nele, o que deve ter sido uma grande decepção para o coitado - que, por sinal, ainda puxou assunto comigo alguns dias após esse encontro. Dá para acreditar?

O que eu realmente quero dizer é que longe de mim julgar os adeptos dessa nova forma de conhecer pessoas, mas para mim não funcionou. Podem me chamar de antiquada ou romântica demais, mas senti que estava forçando algo deveria ser natural. Na verdade, faltou alguma coisa. Uma troca de olhares, um sorriso no canto da boca, aquele interesse no estilo, no andar, no jeito de conversar, e não simplesmente em uma foto. 

Ps: Ele era bem bonitinho e até melhor do que nas fotos, pelo menos nisso não foi propaganda enganosa!