26 setembro 2017

Nuvem preta em cima de mim?


Eu não sou exatamente o tipo de pessoa que podemos chamar de positiva, tenho uma tendência a não me criar expectativas com nada. Por outro lado, estou longe de ser alguém que só reclama da vida. Normalmente, resmungo um pouquinho, e logo em seguida, tento enxergar o lado bom das situações que me acontecem e tropeços que dou. Mas tem época que é mais difícil que outras.

Vez ou outra, fico achando que sou o ser humano mais azarado da face da terra! Não é possível que exista alguém que perca mais ônibus que eu ou que já tenha sido tão assaltada quanto. Não é possível que os meus planos não possam dar certo nem uma vezinha sequer. N-ã-o-é-p-o-s-s-í-v-e-l. E olha, já perdi a conta de quantas vezes chorei por acreditar que tinha uma nuvem preta em cima de mim, impedindo que coisas boas acontecessem em minha vida.

Mas é pura cegueira, eu sei. Todos têm seus próprios calos, e se eu tenho pouca sorte (digamos que próxima a zero) em certos aspectos, tenho toda a sorte do mundo em outros. A gente precisa parar com essa mania de achar que só a gente sofre, só com a gente dá errado, só a nossa vida é esse drama todo. O exercício, por mais duro que seja, deve ser o inverso: o que eu tenho para agradecer hoje? Qual é a minha sorte do dia?

Acordei me perguntando isso essa manhã, encontrei exatos quatro motivos para sorrir, e veja só, os meus problemas pareceram um pouquinho menores que ontem à noite. Eles ainda estão lá, quem dera sumisse tudo num passe de mágica!, mas encontrei razões para levantar da cama e tentar resolvê-los. 

03 agosto 2017

Quero distância de amores de ressaca.


A primeira vez que eu li Machado de Assis foi na escola. Eu tinha por volta de quinze anos e li o seu romance mais conhecido: Dom Casmurro. Não foi tão doloroso quanto para a maioria dos meus amigos, porque eu sempre fui viciada em livros, entretanto, eu não compreendi a história de verdade. Ainda assim, os "olhos de ressaca" de Capitu me chamaram a atenção, sem mesmo entender o que eles significavam.

Há pouco tempo, com vinte e três anos, eu reli a mesma obra. Com outra visão, compreendi a perspectiva de Bentinho e também o significado de "ressaca". Mas não, o foco não é a narrativa. Apenas quis utilizar a história como contextualização, sem querer ser crítica e sem entrar na discussão sobre a Capitu ter traído ou não o marido (mas ela não traiu! hehe). 

O tal "olhos de ressaca" de Capitu mexeu comigo, porque eu sempre tive pavor de ondas e de toda a sua instabilidade. Para mim, praia boa é aquela de água paradinha, água cristalina e sem possibilidades de surpresas. Praia boa é aquela em que eu posso entrar e me deliciar, em que posso ficar conversando dentro do mar enquanto meus pés continuam firmes na areia. 

E parece besteira dizer isso, porque a gente tende a acreditar que o amor é justamente o contrário de paz, né? "O amor?", a gente ouve por aí, "ah, tem que ser como um furacão para ser verdadeiro." "Tem que chegar bagunçando tudo e tirando a nossa vida do eixo". "Amor meeeeeesmo faz a gente perder o ar, perder a noção, perder os sentidos".

Olha, sei não, mas acho que as pessoas estão confundindo tudo. 

Amor chega mudando tudo de lugar, mas isso não quer dizer que seja uma bagunça, pelo contrário, a sensação é de que finalmente tudo se ajeitou. Amor faz o coração acelerar, a nossa respiração continua sem problema algum; e desconfio que fica até melhor, porque a gente se sente levinho, levinho. A mente, vez ou outra, vai longe, mas sabendo para onde está indo, quem deseja encontrar e sabendo para onde voltar. E cada toque, vou te falar, provoca faísca. Como isso poderia significar que perdemos os sentidos? 

A disseminação da ideia errada do amor já me meteu em muito relacionamento bosta. Fez muito sentimento por aí parecer amor, quando na verdade, era só obsessão, teimosia, ego, falta de amor-próprio... Pare um pouquinho só para pensar e vai ver que no meio de tantas histórias, o que mais está faltando é de fato o amor. Quanto mais turbulenta, menos afeto, compromisso, cuidado.

Por isso, eu tenho pavor de gente que vai e eu não sei quando volta. De pessoas que me deixam com uma pulguinha atrás da orelha, que despertam em mim uma bando de neuroses, inseguranças, medos. Quero distância de amores de ressaca, tão misteriosos  e interessantes quanto traiçoeiros. Eu quero mesmo é quem plante paz na minha vida, quem faça bem ao meu coração. Já basta o mundo ser caos, preciso de alguém que seja parte do meu equilíbrio.

11 maio 2017

Eu só sinto saudade.


Eu minto todos os dias para todo mundo, mas não consigo mais mentir para mim mesma. Eu sinto saudades de você e é uma saudade, sinceramente, bastante irritante. Ela vem e volta, brincando comigo. Quando acredito que estou bem, o peito aperta por conta de alguma bobagem que me fez lembrar da gente.

Dia desses, comentaram de você perto de mim. Sem maldade, eu sei. Comentaram que você conseguiu um novo emprego e eu, fingindo maturidade, consegui sorrir amarelo. Não que eu não estivesse realmente feliz por você, eu só fiquei triste de saber isso por outra pessoa. A gente passou por tanta dificuldade junto e, caramba, eu nem posso te dar parabéns por essa conquista.

Ontem mesmo almocei com um amigo do escritório e ele arrumou a comida do jeito que você fazia. Não é patético que eu ainda me lembre do modo como você organizava o seu prato? Ainda teve o dia (vários, confesso) em que passei em frente àquele restaurante que íamos todas as sextas-feiras e que eu nunca mais tive coragem de me sentar lá, por ser covarde demais e não saber como lidaria com a enxurrada de lembranças daquelas paredes.

Mas eu não sinto vontade de te ligar. Não sinto vontade de voltar. Não sinto que depois de tanto tempo poderíamos dar certo. Não sinto nem que podemos ser amigos. Eu só sinto saudade. Mas ela não é boa, ok? Não tem absolutamente nada de bonito, por isso, não irei romantizá-la.

Saudade boa, entendam, é aquela que a gente tem a chance de matar. Saudade boa é aquela que tem prazo de validade. Saudade boa é aquela correspondida, e mais, dividida.

Esse tipo de saudade da qual eu estou falando (e sentindo) é totalmente irracional, desmedida, sufocante. Sinto tudo sozinha, não posso verbalizar e também não conseguiria, porque falta nexo. Só me resta aceitar, feito uma sentença. Afinal, faz tanto tempo, tantos novos encontros e desencontros, e, no entanto, eu continuo aqui. Estupidamente, eu continuo aqui.

E eu nem sei aonde eu quero chegar falando isso tudo, porque, na verdade, eu nunca sei é aonde eu vou chegar quando o assunto é você. Eu nunca sei como vai ser o dia de amanhã. Se eu vou conseguir escutar a minha playlist no aleatório sem medo de tocar alguma canção que eu me lembre de você ou se eu passarei mais uma noite sentindo a cama grande demais. Por via das dúvidas, tenho deixado meu cachorrinho dormir comigo e, ainda bem, minha cantora preferida acabou de lançar um CD. 

Entre sentimentos e fugas, a gente vai vivendo amores e sobrevivendo a desamores. 

29 março 2017

Amigos, eu vou errar de novo.


Eu só queria dizer que eu jurei que "dessa vez ia ser diferente", que eu aprendi a lição e seria totalmente desapegada, mas não acreditem. Nada vai mudar. O meu coração é besta e ele não vai deixar de ser.

Eu vou continuar me apaixonando por um sorriso bonito em meio à multidão imprensada no ônibus. Vou sentir o coração acelerar se o carinha da noite anterior me mandar mensagem de bom dia. Vou ficar pela primeira vez e já decidir o dia do casamento e o nome dos nossos filhos. Vou aceitar namorar, mesmo que seja pela sexta vez - em um ano. Vou me entregar, vou quebrar a cara, chorar por algumas noites e fazer tudo de novo.

Porque eu não consigo ser feito essas pessoas que são medrosas, que nunca estão totalmente envolvidas por receio de acabar se machucando. Eu não sei viver pela metade, desviando de olhares e experiências. Eu quero pecar pelo excesso, eu quero apostar as minhas fichas em tudo que fizer o meu coração acelerar, não importando quanto tempo a felicidade dure. 

Por isso, amigos, eu vou errar de novo. Talvez vocês ainda recebam muitas ligações desesperadas em plena madrugada e também muitas mensagens contando de algum encontro com o mais recente "homem da minha vida". Talvez eu diga que tenho certeza que encontrei a pessoa certa e, na semana seguinte, afirme que desisti do amor e nasci para ficar sozinha. 

A verdade é que só quem se arrisca a brincar nessa montanha-russa sabe das consequências: é um sobe e desce de emoções infinitos e, bem, é exatamente essa a graça pra mim. Só não sei se vocês acham tão engraçado assim...

01 fevereiro 2017

Diz aí.


Sinto e minto
Não falo porque já sou tua
E tu saberia o que fazer
Com minha alma
nua?

Amo e fujo
Não me entrego porque senão eu fico
E tu gostaria de conviver
Comigo assim
infindo?


20 dezembro 2016

Faça da tua gratidão a tua força para continuar.


Tá todo mundo ansioso para a virada do ano. Dessa vez, quase como uma unanimidade, as pessoas querem desesperadamente se despedir de 2016 por ter sido um ano realmente recheado de histórias tristes. 

Casamentos e namoros que chegaram ao fim, tragédias (entre fatalidades e terrorismos) em grande escala no mundo todo, além de muitas mortes individuais importantes, eleições com resultados assustadores, sem contar a luta diária de cada um, ufa, com tudo isso, a #acaba2016 ou similares estão bombando. Definitivamente foi um período que marcou, e, para a maioria, não foi positivamente. 

Mas me desculpem, eu não entrei nessa onda e acho uma injustiça danada colocar toda a culpa no período que está terminando. Não que eu seja alheia às dores do mundo, não que os últimos doze meses tenham sido muito fáceis e tranquilos para mim. Pelo contrário, tomei muita porrada e ele está terminando bem complicado. 

Mas um ano são apenas 365 dias, às vezes 366. E no próximo dia primeiro de Janeiro, será o 367º dia e por aí vai. Só isso. Não tem mágica, não tem um reset do ano anterior, nada vai mudar de uma hora para outra. Renovar as esperanças é incrível e necessário, mas aliado a isso, melhor ainda é encontrar motivos para agradecer pelo que passou. Entre tanta coisa doída - mesmo a lista sendo bem grandinha, tu tem certeza que o ano não valeu de nada? Nadinha mesmo? Não realizou nem um sonho, não conseguiu passar por nem uma provação importante, não conheceu ninguém especial (amizade conta e muito!), não fez uma viagem bacana, não percebeu que o mundo se lembrou do que era solidariedade, não se sentiu sortudo nem uma vez? 

Vamos, faz uma forcinha, coloca no papel, faz a sua reflexão, mas com bons olhos, coração aberto para chorar e sorrir. E no final, faça da tua gratidão a tua oração para um ano melhor. Faça da tua gratidão a tua vontade de alcançar mais, fazer mais, mudar mais. Faça da tua gratidão a tua humildade, a transformação da tua percepção de mundo. Faça da tua gratidão a tua força para continuar. A vida é uma imensa maré, se hoje estamos em um período conturbado, não vai tardar para um período de paz voltar. O que a gente pode fazer a não ser confiar nisso?

17 novembro 2016

Falta espaço pra você na minha vida - e nos meus textos.


Tô aqui olhando para a tela do computador há alguns minutos. Você tá na minha cabeça e eu quero escrever um texto sobre você. Quero falar da época em que tudo se encaixou e nem passou pela minha cabeça que teríamos o fim que tivemos. Quero falar da época em que fizemos planos e você parecia ser o cara certo.

Mas eu me acostumei a falar sobre a dor que você me deu, depois que decidiu ir embora. Meus melhores textos foram contando sobre as minhas tentativas falhas de te esquecer. Amava sentir cada pontinho de angústia se transformar em verso. Por isso, tô aqui tentando fazer mais um texto  sair do forno, sabe?

Mas a página do Word permanece em branco. 

Não que eu não tenha boas e más lembranças quando o assunto é você e eu poderia sim falar sobre elas; não que eu tenha perdido a inspiração, porque é exatamente o contrário. Tenho tanta coisa nova para contar! Tô conhecendo gente, sentimentos, lugares. Tô me conhecendo, descobrindo novos gostos, sons e sensações. Tô aprendendo a ser menos medrosa e muito mais curiosa.

E no meio disso tudo, falta espaço pra você na minha vida - e nos meus textos - hoje em dia.

E assim, eu descubro que esse não-texto é o meu texto de despedida. O que eu tinha para escrever enquanto estava feliz com você, eu escrevi. O que eu tinha para colocar para fora, quando tudo o que sobrou foi dor, eu vomitei. Mas agora é o momento de deixar vir o novo. Nada é mais sincero do que a minha inspiração, eu pulso em função dela. Se ela não está mais ligada a você, sinto que meu coração também não. É hora de me libertar. E te libertar das minhas entrelinhas.