03 agosto 2017

Quero distância de amores de ressaca.


A primeira vez que eu li Machado de Assis foi na escola. Eu tinha por volta de quinze anos e li o seu romance mais conhecido: Dom Casmurro. Não foi tão doloroso quanto para a maioria dos meus amigos, porque eu sempre fui viciada em livros, entretanto, eu não compreendi a história de verdade. Ainda assim, os "olhos de ressaca" de Capitu me chamaram a atenção, sem mesmo entender o que eles significavam.

Há pouco tempo, com vinte e três anos, eu reli a mesma obra. Com outra visão, compreendi a perspectiva de Bentinho e também o significado de "ressaca". Mas não, o foco não é a narrativa. Apenas quis utilizar a história como contextualização, sem querer ser crítica e sem entrar na discussão sobre a Capitu ter traído ou não o marido (mas ela não traiu! hehe). 

O tal "olhos de ressaca" de Capitu mexeu comigo, porque eu sempre tive pavor de ondas e de toda a sua instabilidade. Para mim, praia boa é aquela de água paradinha, água cristalina e sem possibilidades de surpresas. Praia boa é aquela em que eu posso entrar e me deliciar, em que posso ficar conversando dentro do mar enquanto meus pés continuam firmes na areia. 

E parece besteira dizer isso, porque a gente tende a acreditar que o amor é justamente o contrário de paz, né? "O amor?", a gente ouve por aí, "ah, tem que ser como um furacão para ser verdadeiro." "Tem que chegar bagunçando tudo e tirando a nossa vida do eixo". "Amor meeeeeesmo faz a gente perder o ar, perder a noção, perder os sentidos".

Olha, sei não, mas acho que as pessoas estão confundindo tudo. 

Amor chega mudando tudo de lugar, mas isso não quer dizer que seja uma bagunça, pelo contrário, a sensação é de que finalmente tudo se ajeitou. Amor faz o coração acelerar, a nossa respiração continua sem problema algum; e desconfio que fica até melhor, porque a gente se sente levinho, levinho. A mente, vez ou outra, vai longe, mas sabendo para onde está indo, quem deseja encontrar e sabendo para onde voltar. E cada toque, vou te falar, provoca faísca. Como isso poderia significar que perdemos os sentidos? 

A disseminação da ideia errada do amor já me meteu em muito relacionamento bosta. Fez muito sentimento por aí parecer amor, quando na verdade, era só obsessão, teimosia, ego, falta de amor-próprio... Pare um pouquinho só para pensar e vai ver que no meio de tantas histórias, o que mais está faltando é de fato o amor. Quanto mais turbulenta, menos afeto, compromisso, cuidado.

Por isso, eu tenho pavor de gente que vai e eu não sei quando volta. De pessoas que me deixam com uma pulguinha atrás da orelha, que despertam em mim uma bando de neuroses, inseguranças, medos. Quero distância de amores de ressaca, tão misteriosos  e interessantes quanto traiçoeiros. Eu quero mesmo é quem plante paz na minha vida, quem faça bem ao meu coração. Já basta o mundo ser caos, preciso de alguém que seja parte do meu equilíbrio.

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1 comentários:

  1. Amor descomplicado é a melhor coisa que existe!
    Bj e fk c Deus
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

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