16 maio 2012

Partida.

Eu não suporto te deixar ir, mas não posso te pedir para ficar. Dói demais te ver indo embora, mas o vazio que paira sobre nós enquanto estamos juntos é muito mais devastador. Eu fico procurando uma forma de preenchê-lo, rio de nervoso e você fica me olhando como quem não me conhece mais. A gente olha para o relógio na mesma hora, posso adivinhar que está contando os minutos para nos despedirmos. Confesso que eu também. Mesmo que essa seja a última coisa que eu queira no mundo. Você começa a fazer comentários sem sentidos e eu não estou nem aí para eles. O único assunto que me interessa não dar o ar da graça faz tempo, porque nenhum de nós tem coragem, nenhum de nós quer o ser o primeiro, carregar o fardo. Como se tivesse tocado um sinal de alarme, nós ficamos ágeis, porque é chegada a hora mais esperada e também a mais temida. E quando você sai por aquela porta tudo que estava dentro de mim encontra a saída. Antes era como um bica, pingando, expelindo um mar de desilusões aos poucos. Agora explodiu. Feito vulcão, incontrolável e perigoso. 

Maria Carolina Araujo

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2 comentários:

  1. O texto é incrível!Dói demais te ver indo embora, mas o vazio que paira sobre nós enquanto estamos juntos é muito mais devastador...
    http://vitrola3000.blogspot.com.br/

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  2. Obrigada, querido! Voltei a usar aqui agora.

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