Pular para o conteúdo principal

No meu tempo.



Todos os dias alguém vinha me dizer que eu precisava sair “dessa”. Dessa, no caso, significava fossa. Mas, convenhamos, quantos deles entendiam realmente o quanto eu estava machucada? Quantos deles algum dia se sentiu da mesma maneira que eu me sentia?

Não estou dizendo que a minha dor era maior do que a das outras pessoas. Não me entenda mal, apenas doía. E eu não queria ouvir que era besteira, me entende? Cada um enfrenta a dor da sua forma, é algo muito particular e sem fórmulas. E eu, bem, não sabia levar a minha dor de outra forma a não ser sentindo. Sentindo cada pontada no meu coração, revivendo cada lembrança, chorando, abraçando o travesseiro, enfim, me entregando.

E a tristeza é viciante. A tristeza, de alguma forma bizarra, acaba sendo uma boa companhia. Ela está sempre ali, sabe? Acordava triste e dormia triste. E quando sorria, era ainda mais triste. Não me sentia sozinha com a tristeza, pelo contrário, estar triste era saber que ele ainda estava presente na minha vida. Uma loucura reconfortante.

Mas até o que parece não ter fim, um dia tem. E essa "lei" serve para tudo, grava isso. Eu passei a me cansar de ficar dentro do meu quarto e o meu banho não demorava mais do que o necessário, sem que eu tivesse vontade de enrolar para conseguir chorar em paz. Ironia ou sorte, a tristeza, assim como ele, decidiu me deixar também. 

E, no meu tempo, eu finalmente saí de casa por vontade própria. No meu tempo, eu liguei o rádio numa estação aleatória, simplesmente porque eu queria ouvir música. No meu tempo, eu voltei a sorrir sem ser para agradar aos outros. 

E eu não me arrependo de ter me respeitado. Não me arrependo, porque eu não queria me tornar mais uma dessas pessoas que convivem com um fantasma adormecido que, vez ou outra, desperta para tirar a paz. Não me arrependo, porque eu precisei esgotar a minha dor, para que sobrasse espaço para a felicidade entrar. Não me arrependo, porque hoje eu só consigo olhar para frente e sentir esperança. Aguardando, finalmente, de coração livre e aberto, por tudo de bom que ainda há de vir.

Comentários

  1. O importante é você respeitar o seu tempo, seu momento. Na hora certa, você se levanta e recomeça. É importante curtir a dor para darmos mais valor às coisas boas.
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Uau.
    Acho que a dor tem que ser sentida e respeitada.
    Falo sobre isso no meu blog também.
    Adorei o seu e agora serei uma visitante assídua.
    Abraços,
    http://sentimentalismodesmedido.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Você sabe o que você quer?

Depois de muito tempo sendo apenas passageira, vivendo totalmente sem rumo e sem um lugar para voltar, eu preciso de algumas certezas. Coisa boba, do tipo, o que você quer no momento? Digo, comigo. Com a vida. Com o amor. Está tudo envolvido, espero que saiba. Tudo ligado, mas também facilmente desligado, se for necessário . É que o seu jeito é uma junção de tudo que eu adoro, mas o meu jeito extrovertido é o que mais chama atenção em mim. O seu sorriso é lindo, mas o meu vive sendo elogiado também. Os seus olhos são claros e vivos, mas o meu são brilhosos e me revelam muito facilmente. Gosto do seu estilo e também do meu. A questão é que, todas essas coisas são superficiais ao mesmo tempo em que denunciam logo quando tem algo errado com a gente, já percebeu? Não quero sofrer novamente. Não quero me fechar, não quero perder o meu sorriso, não quero que as lágrimas inundem o meu rosto e principalmente, não quero passar a voltar a usar moletom. E engordar, me afundar, embara

Não estou indo para a forca!

Hoje o dia acordou cinzento e ensopado. Isso é diretamente responsável por 30% do meu mau humor matinal, tem coisa mais desanimadora do que acordar cedo no frio e com chuva? Liguei o chuveiro na temperatura pelando e sem pensar em horário, tomei um banho longo com o intuito de relaxar. Fiz um coração (e ainda escrevi a letra P) no espelho embaçado por causa do calor e após me arrumar, desci para tomar o meu café da manhã. Mamãe me deu um bom dia animado – mais que o normal. Papai apenas olhou para mim e sorriu de lado. E a minha irmã a essa hora ainda nem tinha levantado. Na televisão falava sobre exercícios importantes para o cérebro se manter ativo. Descobri que o meu deve estar para lá de sarado, porque a dica número um é ler . Enquanto o meu pão esquentava, eu arrumava a minha mochila para o longo e novo dia que estava por vir. Peguei o meu fone, “A Última Carta de Amor”, livro que estou lendo no momento e a minha carteira. Basicamente é disso que eu preciso. O celular já estava

2013

2013 . Quem se atreve a dizer que foi o melhor ou pior ano da sua vida? Se você consegue, sorte a sua! Para mim, confesso, ainda não consegui nem me decidir se foi um ano bom ou um ano ruim. Foi um dos anos que mais aconteceram coisas, muitas surpresas, decepções, novidades, recomeços...  Percebi que foram 365 dias bem divididos entre dias maravilhosos e dias tristes. E em cada área da minha vida tudo foi acontecendo de uma forma diferente da que eu esperava. Eu achei que em certo ramo estava estável e muito bem resolvida, mas exatamente nessa a vida me deu uma rasteira braba. Onde eu desejava tanto que algo acontecesse, não vi mudanças. Batalhei por objetivos que não foram alcançados, mas fui recompensada com surpresas incríveis.  E hoje eu posso ver que sobrou um imenso aprendizado. Aprendizado da vida, de mim mesma, das pessoas. Foi o ano em que mais fui exigida! Emocionalmente, com certeza. Mas também nas minhas responsabilidades, nas minhas relações, na minha mente