08 setembro 2015

No meu tempo.



Todos os dias alguém vinha me dizer que eu precisava sair “dessa”. Dessa, no caso, significava fossa. Mas, convenhamos, quantos deles entendiam realmente o quanto eu estava machucada? Quantos deles algum dia se sentiu da mesma maneira que eu me sentia?

Não estou dizendo que a minha dor era maior do que a das outras pessoas. Não me entenda mal, apenas doía. E eu não queria ouvir que era besteira, me entende? Cada um enfrenta a dor da sua forma, é algo muito particular e sem fórmulas. E eu, bem, não sabia levar a minha dor de outra forma a não ser sentindo. Sentindo cada pontada no meu coração, revivendo cada lembrança, chorando, abraçando o travesseiro, enfim, me entregando.

E a tristeza é viciante. A tristeza, de alguma forma bizarra, acaba sendo uma boa companhia. Ela está sempre ali, sabe? Acordava triste e dormia triste. E quando sorria, era ainda mais triste. Não me sentia sozinha com a tristeza, pelo contrário, estar triste era saber que ele ainda estava presente na minha vida. Uma loucura reconfortante.

Mas até o que parece não ter fim, um dia tem. E essa "lei" serve para tudo, grava isso. Eu passei a me cansar de ficar dentro do meu quarto e o meu banho não demorava mais do que o necessário, sem que eu tivesse vontade de enrolar para conseguir chorar em paz. Ironia ou sorte, a tristeza, assim como ele, decidiu me deixar também. 

E, no meu tempo, eu finalmente saí de casa por vontade própria. No meu tempo, eu liguei o rádio numa estação aleatória, simplesmente porque eu queria ouvir música. No meu tempo, eu voltei a sorrir sem ser para agradar aos outros. 

E eu não me arrependo de ter me respeitado. Não me arrependo, porque eu não queria me tornar mais uma dessas pessoas que convivem com um fantasma adormecido que, vez ou outra, desperta para tirar a paz. Não me arrependo, porque eu precisei esgotar a minha dor, para que sobrasse espaço para a felicidade entrar. Não me arrependo, porque hoje eu só consigo olhar para frente e sentir esperança. Aguardando, finalmente, de coração livre e aberto, por tudo de bom que ainda há de vir.

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2 comentários:

  1. O importante é você respeitar o seu tempo, seu momento. Na hora certa, você se levanta e recomeça. É importante curtir a dor para darmos mais valor às coisas boas.
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

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  2. Uau.
    Acho que a dor tem que ser sentida e respeitada.
    Falo sobre isso no meu blog também.
    Adorei o seu e agora serei uma visitante assídua.
    Abraços,
    http://sentimentalismodesmedido.blogspot.com.br/

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