18 setembro 2015

Voa, vá em paz.

Ouça antes de ler...



Eu estava quietinha no meu canto, e, de repente, você pousou na minha vida. Eu li e sublinhava as partes que mais me tocavam de um livro de poesias, quando você sentou ao meu lado, com um fone, que mais parecia um alto falante, tocando alguma música barulhenta. Foi nesse momento que você penetrou na minha paz.

Por cima do meu ombro, espiava a minha leitura e quando te olhei, você sorriu. Sorriu sinceramente como quem dizia "duvido que você nunca tenha feito isso". Eu queria responder que era uma invasão, mas não era possível me irritar diante da maneira como você era tão espontâneo e, inevitavelmente, sorri de volta. De alguma forma, eu sempre quis que alguém lesse as entrelinhas das minhas marcações.

Por acaso, no meio de tantos bancos vazios ali em volta, você quis descansar ao meu lado. E por acaso, eu quis arriscar e entrar no seu ritmo. Acasos, por mais improváveis que possam parecer, sempre possuem algum sentido. Você experimentou da minha calmaria. Eu descobri um pouco como era a vida a sua maneira - perdendo o fôlego quase a todo instante. Foi um encontro, exatamente o que a gente precisava no momento.

Mas eu sou pé no chão, sou pregada e apaixonada pela razão. E você, leve, livre e sonhador. A gente se encaixa, mas não se basta. Não por muito tempo. O que pedimos um ao outro é mais do que podemos oferecer, sem que seja necessária uma renúncia de nós mesmos.

Você me convidou para voar contigo, mas eu tenho os pés enraizados pela dor. Tenho um bloqueio mais forte do que o nosso amor e ia doer demais me desafiar dessa maneira. E eu também não quero te colocar na gaiola do meu coração medroso. Maldade te prender a mim, maldade cortar as suas asas e te impedir de desbravar o mundo.

Por isso, meu bem, não se culpe e eu também não vou carregar esse fardo. Não deu errado não, pelo contrário, foi tudo tão certo que a despedida não vai pesar para nenhum de nós dois. Nosso acaso ganhou um sentido, não vê? Transbordar e permanecer sem doer.

Não tenha medo, rapaz. Deixe o seu amor aqui comigo, enquanto você vive os seus sonhos. 

Voa, vá em paz.

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2 comentários:

  1. Que lindo, Carol! ♥
    Me senti tão dentro do texto que parece até que fui eu que escrevi!
    Haha! Às vezes dá vontade de escrever histórias já pensando no fim, não é? Pena que, na realidade, o fim não é tão poético quanto o que você escreveu!

    Beijo, fique com Deus! =]
    http://tudo-oquesou.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Caramba, Glenda! Quando eu postei, pensei em você. Estava torcendo para que você pudesse ler esse texto, porque realmente acho que tem muito a ver com você! rs
      Mas eu acho que todo fim é poético sim, sabia? Sempre acaba dando em texto! rs

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