30 julho 2015

Duas pessoas com medo.


Falar sobre o amor é extremamente difícil. Tenho a sensação de que tudo que poderia se dito, já foi dito. Logo, penso que seria prepotência da minha parte achar que conseguiria escrever algo novo e surpreender você. Só que a questão é exatamente essa. Você trouxe um novo sentido para minha vida e eu queria tanto conseguir transparecer isso em palavras, sabe? Por isso eu tento. Por isso eu me abro.

Antes de você aparecer, eu era só mais uma garota com o coração partido. Mais uma garota que dançava num compasso mais lento e não se permitia mais acompanhar a loucura da vida. Mais uma garota que não acreditava mais em histórias de amor com finais felizes. Mais uma garota precavida, medrosa e arisca.

Se alguém começava a ultrapassar a minha zona de segurança, eu me afastava. Por que? Porque doía. Porque todas as lembranças voltavam como um tsunami. Me derrubando, me afogando, me destruindo por completo. Aí eu fugia, covarde e pequena, para algum lugar seguro.

Mas quando é para acontecer, a vida dá o seu jeito. A mágica então começa - mesmo quando você não acredita mais nela.

Eu que me achava esperta demais, já calejada e graduada em proteção ao meu coração, caí na armadilha de me distrair. E você chegou disfarçado, como eu ia saber? Eu acreditei que você não tinha intenção de me invadir. Eu acreditei que você queria distância de um novo relacionamento. Eu acreditei que você tinha medo, assim como eu. E, bem, realmente tinha.

Mas só depois eu entendi que duas pessoas com medo, nem sempre se repelem.

Duas pessoas com medo só querem ser cuidadas e, mais que isso, sabem cuidar – afinal, sabem do que precisam para si mesmas e isso acaba contribuindo para o cuidado com o outro. Duas pessoas com medo são pacientes. Duas pessoas com medo têm os corações tão pequenos, mas ao mesmo tempo, tão verdadeiros – porque sabem amar, e por isso, o temor. Duas pessoas com medo podem ser a salvação uma da outra.

E você, meu amor, foi a minha salvação. Eu me permiti segurar a sua mão e simplesmente viver a vida, que com você, ganhou um novo sentido – mas acho que já disse isso.

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4 comentários:

  1. Carol, que saudades dos seus textos! Sério!
    Depois que eu troquei de blog eu fiquei um tempão sem visitar os blogs que eu visitava antes porque fui perdendo os links, mas, sério, seu blog agora tá salvo pra nunca mais eu perder! Parece que você é minha irmã gêmea de sentimentos e palavras.
    Quisera eu achar uma alma medrosa que aceitasse companhia e não fosse automaticamente se esconder embaixo da cama à visão do primeiro ser humano (no caso eu).
    Beijão!
    www.horinhasdedescuido.com

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    Respostas
    1. Oi Carol, que bom que me reencontrou! rs
      Adorei isso "irmã gêmea de sentimentos e palavras" :)
      Quanto a encontrar, as vezes demora, mas a gente encontra sim. Eu encontrei ♥

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  2. Lindo texto Carol, como sempre!
    Entendo bem o que você quer dizer com tudo ganhar um novo sentido quando chega alguém assim, disfarçado ♥

    Beijos,
    http://almostthemoon.blogspot.com.br/

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