27 novembro 2015

Com o coração já tão despedaçado, o que mais eu tenho a perder?


Eu sei, eu estraguei a nossa noite que você tinha preparado com tanto cuidado. 

Eu sei, eu fui covarde e imatura. 

Eu sei, eu te assustei quando você acordou de madrugada e me pegou chorando na sala.

A verdade é que eu entrei em desespero, ok? Porque eu senti o meu coração se abrindo. Eu acreditei em você, nas suas palavras, na verdade do seu sorriso ao me contar dos seus planos para gente, e caramba, não devia acontecer isso! O combinado era que eu não me entregaria a ninguém, o combinado era me manter distante e protegida. 

Porque eu realmente não sei se estou preparada para encarar as minhas feridas, passar por cima dos meus traumas e me permitir ser feliz sem pensar no que pode ou não acontecer. É que é inevitável, a gente fica meio desacreditado, sabe? Ver a mesma história se repetindo tantas vezes... Por que logo com você seria diferente? Por que eu teria que te dar um voto de confiança?

E, se quer saber, eu encontrei a minha resposta sem precisar responder coisa alguma. A verdade é que não precisamos de motivos, não é? Afinal, todos os outros tinham diversos pontos positivos e deu no que deu. E com você, pela primeira vez, não encontrei nada de concreto e especial que me fizesse acreditar que agora, finalmente, iria dar certo. E, no entanto, eu queria acreditar nisso. Eu queria fazer dar certo.

Você me encontrou sentada no sofá e não disse nada. Nenhuma palavrinha. Não sorriu, não chorou comigo e nem saiu correndo. Você segurou a minha mão e ficou ali quietinho. Você me deixou chorar, me viu desabafar em silêncio, compreendeu tudo sem que eu precisasse me explicar.

Era justo com você que eu fugisse desse jeito? Era justo comigo não seguir o meu coração? Era justo com a gente impedir que uma história iniciasse se era da vontade dos dois? 

Afinal, com o coração já tão despedaçado, o que mais eu tenho a perder?

Levantei-me e sem soltar da sua mão, segui para o quarto. Deitei-me e você entendeu que era para deitar também. Aninhei-me em seu peito e a última coisa que eu me lembro de falar foi:

- O café é por minha conta amanhã. 

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7 comentários:

  1. Oiii! Acabei de conhecer teu blog. Parabens, voce escreve super bem. Beijos
    http://www.verdadeescrita.com/eu-vim-procurar-algo-que-eu-nao-sei-o-que-e/

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  2. NOssa, acredito que é um loucura fazer isso, tipo já estamos no fundo do poço, vamos mais fundo, acho que isso só acaba piorando tudo. Ja passei por casos assim, mandei p correr antes que ficasse pior. =/

    Beijinhos =*
    www.eraoutravez.com

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  3. Eu adorei esse texto.
    Espero que publique mais. Estou de olho desde quando vi um post da Karine Rosa.
    Abraços.
    http://sentimentalismodesmedido.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Ai que linda! Ando meio sumidinha daqui mesmo, mas já estou de volta!! :)

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  4. Ai, Carol! Seus textos <3
    Que bom que você (ou a sua personagem) encontrou a resposta! A gente às vezes apanha tanto que fica difícil olhar pra cima novamente, até a luz do sol parece clara demais. Mas é a vida, né?
    Cair e ficar de pé pra aprender a ser cada dia mais forte.
    Beijão!
    www.horinhasdedescuido.com

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