17 novembro 2015

Escrever sobre você.


Talvez escrever seja a coisa mais corajosa e covarde que eu consigo fazer em relação a você.

Porque, sinceramente, eu não tenho mais forças e nem coragem para tentar de novo. Essa seria a tentativa número... Ah, não importa, não é? Já tivemos várias e todas fracassadas. E por isso, de certa forma, eu já aceitei o nosso fim. De algum jeito, eu encontrei razões suficientes para (tentar) seguir em frente. Não que seja exatamente o que eu quero, mas chegou a hora de fazer o que é necessário e ignorar o que o meu coração fica gritando.

No entanto, eu continuo escrevendo sobre a gente e é nessa hora que eu escuto o meu coração. Ao escrever, eu assumo e deixo transbordar tudo que ainda sinto por você. Deixo vir a tona as lembranças, os planos impossíveis e o grifo abafado. Quando eu escrevo, eu te aceito de volta. Esqueço os empecilhos, os seus erros e as minhas manias incuráveis. 

Ou talvez eu lembre, mas não dói como na realidade.

A verdade é que transformar a dor em poesia é eternizar tudo aquilo que deve ser deixado para trás, é saber que a gente vai deixando no papel, um pouquinho a cada texto, aquilo que machuca. 

Por isso, quando eu me expresso em palavras, eu não fujo e nem tenho medo. Do meu jeito, eu te enfrento e, com isso, consigo enfrentar a mim mesma. Falar de você, mesmo que em silêncio, é ainda te manter aqui de alguma forma mas, mais do que isso, é te tirar de dentro de mim

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